UM BATE-PAPO COM O PREFEITO DENERVAL

Ao encerrar o bate-papo, Denerval retoma o tom otimista: “A ideia é alavancar, crescer, mostrar que aqui temos talento, calor humano e um futuro possível para quem acredita e investe. O Norte de Minas é forte, e Taiobeiras é prova disso.”

Por Aurélio Vidal

Estar frente a frente com Denerval Germano da Cruz, prefeito de Taiobeiras pelo quarto mandato, é mergulhar numa conversa onde o café se mistura à história, ao desenvolvimento e às inquietações de quem vive e constrói o Alto Rio Pardo.

Denerval não é apenas gestor: é também um dos grandes produtores de café da região. Ao falar, a paixão pelo grão é evidente — Taiobeiras, segundo ele, é hoje referência na microrregião que abrange 17 municípios. “A pujança da nossa produção desperta olhares no Brasil e no mundo”, afirma, citando não só o café, mas também a pecuária, a cachaça, outras culturas agrícolas e até as riquezas minerais, como o lítio explorado na vizinha Salinas.

Com franqueza, reconhece que a região aprendeu muito copiando bons exemplos de fora, principalmente trazidos por jovens empreendedores. Mas lamenta que investimentos públicos ainda cheguem tarde. “Pouco foi feito em energia elétrica desde a década de 70. Nossas estradas, muitas construídas há menos de 20 anos, precisam de atenção. E na educação, ainda temos muitos jovens deixando a região para estudar em Montes Claros ou em grandes centros, quando deveriam estar aqui, ajudando suas famílias a crescer.”

CULTURAS E DESAFIOS

Denerval recorda o tempo em que se plantava arroz, soja, feijão, milho doce e até ervilha. Lembra do espírito empreendedor que sempre marcou o semiárido norte-mineiro, mas também da falta de mercado e das más condições das estradas.
Defensor do agronegócio desde os 20 anos, ele critica a perda dos rios e a ausência de ações efetivas por parte do governo federal. “Parte da nossa desgraça é fruto do abandono. A região virou um deserto. Falta água. E ainda nos colocam rótulos como ‘Mata Atlântica’ e ‘Seca’. Enquanto isso, aumentam áreas de parques — cerca de 60% — e aplicam multas pesadas ao produtor rural.”

Deixa claro que não é contra a preservação. Pelo contrário: defende com firmeza as matas, a fauna e todos os biomas. Mas cobra coerência: “O Estado precisa garantir segurança hídrica e apoiar quem produz. Não é justo ampliar áreas de parques sem antes cuidar do básico.”

IMPACTOS E RESPONSABILIDADES

Para ele, é hora de o Norte de Minas receber investimentos proporcionais à sua importância. “Não somos pobres como dizem por aí. Isso é preconceito de quem não nos conhece. Temos um povo acolhedor e uma região cheia de oportunidades.”

MEIO AMBIENTE E ECONOMIA LOCAL

Na conversa, Denerval resgata um passado de corrupção nas fiscalizações ambientais, quando propinas compravam silêncio de fiscais. Mas também fala com orgulho das iniciativas que deram certo, como o reflorestamento e a cadeia do carvão e da madeira, que geraram emprego e renda antes mesmo da existência de um salário mínimo formalizado na região. Hoje, segundo ele, esses setores operam com mais critérios e profissionalismo.

SINDICATO RURAL E UNIÃO DE FORÇAS

O Sindicato Rural de Taiobeiras, para Denerval, vive um novo momento desde a refundação, com lideranças jovens e engajadas. Ele defende que só a união dos produtores vai permitir competir com estados como Mato Grosso e Goiás, que têm clima e condições favoráveis.


Citando parcerias com a Emater, Sebrae, Secretaria de Desenvolvimento Econômico e outras instituições, afirma que é preciso fortalecer a identidade produtiva do Alto Rio Pardo, especialmente no café, mas também em outras cadeias alimentares. ““A união é o caminho para aumentar nossa força no mercado interno e externo.”

Ao encerrar o bate-papo, Denerval retoma o tom otimista: “A ideia é alavancar, crescer, mostrar que aqui temos talento, calor humano e um futuro possível para quem acredita e investe. O Norte de Minas é forte, e Taiobeiras é prova disso.”

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