NOVA AURORA: QUANDO O SERTÃO CELEBRA A FORÇA DO SEU POVO

Nova Aurora, distrito de Rio Pardo de Minas, voltou a ser ponto de encontro do sertão neste último fim de semana, durante a 13ª Festa Municipal do Eucalipto, realizada nos dias 12 e 13. Organizada pela Prefeitura de Rio Pardo de Minas, em parceria com o Sindicato dos Produtores Rurais e a comunidade local, a festa reuniu música, gastronomia, esporte, produtores, trabalhadores e famílias em dois dias de confraternização.

Há lugares que a gente visita. E há lugares que, de alguma maneira, acabam visitando a nossa alma.

Nova Aurora, distrito de Rio Pardo de Minas, é um desses lugares para mim. Desde que conheci essa terra, criei uma ligação especial com sua gente, sua paisagem e, principalmente, com as histórias que encontro por ali.

Neste último fim de semana, nos dias 12 e 13, estive novamente no distrito para acompanhar a Grande Festa Municipal do Eucalipto, realizada pela Prefeitura de Rio Pardo de Minas, em parceria com o Sindicato dos Produtores Rurais e a comunidade local.

Foram duas noites de música, encontros e celebração. Wall Sylva foi uma das atrações e contagiou o público com sua música, enquanto a praça se transformava em um grande ponto de encontro da comunidade.

Organizada pela Prefeitura de Rio Pardo de Minas, em parceria com o Sindicato dos Produtores Rurais e a comunidade local, a festa reuniu música, gastronomia, esporte, produtores, trabalhadores e famílias em dois dias de confraternização.

Também acompanhei um momento que representa muito da identidade local: o futebol entre caminhoneiros e carvoeiros. Mais do que uma partida, foi um encontro de trabalhadores que conhecem de perto a estrada, a poeira, o sol e os desafios de quem ajuda a movimentar a economia do sertão.

Entre as atividades da programação, o futebol entre caminhoneiros e carvoeiros chamou minha atenção.
De um lado, homens acostumados às estradas. Do outro, trabalhadores ligados à cadeia produtiva do carvão.

Nova Aurora carrega o título de capital norte-mineira do eucalipto, e a silvicultura é, de fato, uma importante força econômica do distrito. Mas existe também uma nova vocação que começa a ganhar espaço e merece atenção: o café.

E é justamente essa capacidade de produzir, diversificar e criar novas oportunidades que me chama a atenção. Porque o campo não é apenas paisagem. É trabalho, renda, alimento, empreendedorismo e esperança de permanência do homem na sua própria terra.

Mas, desta vez, além da festa, vivi uma experiência que me levou de volta a um sertão que parecia perdido no tempo.

Eu e minha esposa, Luciene, fomos acolhidos na casa da Dona Nilda, mãe do nosso amigo Mauro. E minha esposa ficou encantada com o carinho e a simplicidade daquela mulher.


A Grande Festa Municipal do Eucalipto terminou, mas deixou uma mensagem que considero muito importante: quando uma comunidade acredita naquilo que produz, valoriza suas raízes e consegue caminhar ao lado do poder público e das suas entidades representativas, ela começa a escrever o próprio futuro.

Ali, entre uma conversa e outra, resgatamos uma experiência que o tempo quase apagou: o cheiro do café passado, da comida feita no fogão a lenha, do biscoito assado no tradicional forno e aquele movimento gostoso de gente entrando e saindo.

A casa da Dona Nilda sequer tem tranca nas portas.

Não por descuido, mas pela tranquilidade daquele lugar e, sobretudo, porque aquela casa parece ter sido feita para acolher. É um espaço abençoado, sempre de portas abertas para quem chega.

E foi justamente ali que Wall Sylva também ficou por alguns momentos antes de subir ao palco.

Talvez seja essa simplicidade que explique um pouco do meu carinho por Nova Aurora. Ali, as relações ainda têm cheiro, sabor, conversa e abraço. Coisas simples, mas que hoje valem muito.

Durante a festa, vi uma comunidade ocupando sua praça, celebrando suas conquistas e valorizando aquilo que produz. Vi produtores rurais, trabalhadores, famílias e amigos reunidos.

Vi também uma parceria entre poder público, sindicato e comunidade para realizar uma festa que, além do entretenimento, valoriza a identidade e a economia local.

Nova Aurora já é, para mim, uma espécie de segunda casa.

É um lugar onde me sinto bem, onde sou acolhido e onde gosto de estar atento às suas particularidades, às suas potencialidades e, principalmente, às histórias do seu povo.

Como jornalista e sertanejo de estrada, aprendi que existem lugares que a gente conhece pelas placas. Outros, a gente conhece pelas pessoas.

Nova Aurora eu conheço pelo povo.

Pelo café.

Pelo fogão a lenha.

Pelo cheiro da terra.

Pelo trabalho.

Pelo acolhimento.

E por essa capacidade bonita de celebrar a própria história sem deixar de olhar para o futuro.

Que o eucalipto continue sendo uma força econômica. Que o café encontre cada vez mais espaço. Que o produtor rural seja valorizado e que novas oportunidades possam surgir para a juventude e para toda a comunidade.

Porque o maior patrimônio de Nova Aurora não está apenas naquilo que a terra produz.

Está nas mãos de quem planta, trabalha, acolhe, acredita e mantém viva a esperança.

E eu continuarei percorrendo essas estradas.

Porque há caminhos que a gente percorre com os pés.

E há outros que, depois de algum tempo, a gente percebe que já estão morando dentro do coração.

Veja Mais

Artigos Relacionados:

Centro de Grão Mogol, com a igreja e a praça da cidade.

Grão Mogol: a cidade das pedras e das águas encanta com sua história e belezas naturais

Localizada na parte mais alta da Serra Geral, no Norte de Minas Gerais, Grão Mogol é um destino que transborda belezas naturais, biodiversidade e uma rica herança ligada aos diamantes e ao período colonial dos séculos XVI e XIX. A história pulsante dessa cidade pode ser encontrada nas ruas e vielas, cuja pavimentação foi erguida com a mão de obra dos escravizados. Nas trilhas e

ANÁLISE POLÍTICA DO SERTÃO MINEIRO

CARLITO ARRUDA — UM VENCEDOR QUE AS URNAS NÃO CONSEGUIRAM DERROTAR Por: Aurélio Vidal   Eu prefiro olhar para a votação de Carlito Arruda não pela ótica da derrota, mas pela dimensão daquilo que ele conseguiu construir em uma eleição marcada por profundas desigualdades de estrutura. Carlito entrou nessa disputa sem mandato. Sem o peso de uma cadeira na Assembleia Legislativa. Sem anos de exposição

FLÁVIO BOLSONARO E MONTES CLAROS VISTA DE CIMA: O QUE EU VI NA NOITE DE ONTEM

Eu estava lá. Na noite desta sexta-feira, 2 de outubro, acompanhei de perto a mobilização que levou Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira à Avenida Sanitária, em Montes Claros. Mas, como jornalista, não fui apenas para registrar a chegada de políticos. Fui para observar o comportamento das pessoas, a dimensão da mobilização e aquilo que uma manifestação popular pode revelar quando vista sem filtros. E houve

Quem vive o sertão mineiro sabe que motocicleta não é apenas um meio de transporte. É companheira de estrada, ferramenta de trabalho, veículo para vencer distâncias e, para muitos, também uma paixão. Foi com esse olhar que acompanhei, no finalzinho da tarde de ontem, em Montes Claros, a apresentação oficial da AZ170 BRAVO, novo modelo da Avelloz, representada na região pela Altemar Motos.

ALTEMAR MOTOS – AVELLOZ ACELERA NO SERTÃO COM O LANÇAMENTO DA NOVA AZ170 BRAVO

Por Aurélio Vidal – Jornalista e Pesquisador Quem conhece o sertão sabe que estrada por aqui não é apenas caminho. É história, trabalho, aventura e, muitas vezes, liberdade. E quem vive sobre duas rodas conhece ainda melhor essa relação. A motocicleta atravessa poeira, vence distâncias, encara subidas, corta estradas de chão e também desliza pelo asfalto das cidades. Para uns, é ferramenta de trabalho. Para

Entre o medo do passado e os abusos do presente: por que eu não renego Ustra

Por Aurélio Vidal – Jornalista e Pesquisador Ontem, 15 de setembro, ao acompanhar mais um capítulo de enorme tensão envolvendo o Supremo Tribunal Federal, confesso que voltei meu pensamento para uma página muito mais antiga da história brasileira. E quanto mais observo o Brasil de hoje, mais percebo que existem acontecimentos do passado que precisam ser revisitados sem medo, sem patrulhamento ideológico e, principalmente, sem

Centro de Grão Mogol, com a igreja e a praça da cidade.

Grão Mogol: a cidade das pedras e das águas encanta com sua história e belezas naturais

Localizada na parte mais alta da Serra Geral, no Norte de Minas Gerais, Grão Mogol é um destino que transborda belezas naturais, biodiversidade e uma rica herança ligada aos diamantes e ao período colonial dos séculos XVI e XIX. A história pulsante dessa cidade pode ser encontrada nas ruas e vielas, cuja pavimentação foi erguida com a mão de obra dos escravizados. Nas trilhas e

ANÁLISE POLÍTICA DO SERTÃO MINEIRO

CARLITO ARRUDA — UM VENCEDOR QUE AS URNAS NÃO CONSEGUIRAM DERROTAR Por: Aurélio Vidal   Eu prefiro olhar para a votação de Carlito Arruda não pela ótica da derrota, mas pela dimensão daquilo que ele conseguiu construir em uma eleição marcada por profundas desigualdades de estrutura. Carlito entrou nessa disputa sem mandato. Sem o peso de uma cadeira na Assembleia Legislativa. Sem anos de exposição

FLÁVIO BOLSONARO E MONTES CLAROS VISTA DE CIMA: O QUE EU VI NA NOITE DE ONTEM

Eu estava lá. Na noite desta sexta-feira, 2 de outubro, acompanhei de perto a mobilização que levou Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira à Avenida Sanitária, em Montes Claros. Mas, como jornalista, não fui apenas para registrar a chegada de políticos. Fui para observar o comportamento das pessoas, a dimensão da mobilização e aquilo que uma manifestação popular pode revelar quando vista sem filtros. E houve

Quem vive o sertão mineiro sabe que motocicleta não é apenas um meio de transporte. É companheira de estrada, ferramenta de trabalho, veículo para vencer distâncias e, para muitos, também uma paixão. Foi com esse olhar que acompanhei, no finalzinho da tarde de ontem, em Montes Claros, a apresentação oficial da AZ170 BRAVO, novo modelo da Avelloz, representada na região pela Altemar Motos.

ALTEMAR MOTOS – AVELLOZ ACELERA NO SERTÃO COM O LANÇAMENTO DA NOVA AZ170 BRAVO

Por Aurélio Vidal – Jornalista e Pesquisador Quem conhece o sertão sabe que estrada por aqui não é apenas caminho. É história, trabalho, aventura e, muitas vezes, liberdade. E quem vive sobre duas rodas conhece ainda melhor essa relação. A motocicleta atravessa poeira, vence distâncias, encara subidas, corta estradas de chão e também desliza pelo asfalto das cidades. Para uns, é ferramenta de trabalho. Para

Entre o medo do passado e os abusos do presente: por que eu não renego Ustra

Por Aurélio Vidal – Jornalista e Pesquisador Ontem, 15 de setembro, ao acompanhar mais um capítulo de enorme tensão envolvendo o Supremo Tribunal Federal, confesso que voltei meu pensamento para uma página muito mais antiga da história brasileira. E quanto mais observo o Brasil de hoje, mais percebo que existem acontecimentos do passado que precisam ser revisitados sem medo, sem patrulhamento ideológico e, principalmente, sem

Quer ver mais conteúdos?

Assine Nossa Newsletter

E fique por dentro do contexto de Minas e de tudo que acontece no Brasil e no mundo.

Pod Sertão Pautando o melhor do Sertão Mineiro

Olá, visitante