Há lugares que a gente visita. E há lugares que, de alguma maneira, acabam visitando a nossa alma.
Nova Aurora, distrito de Rio Pardo de Minas, é um desses lugares para mim. Desde que conheci essa terra, criei uma ligação especial com sua gente, sua paisagem e, principalmente, com as histórias que encontro por ali.
Neste último fim de semana, nos dias 12 e 13, estive novamente no distrito para acompanhar a Grande Festa Municipal do Eucalipto, realizada pela Prefeitura de Rio Pardo de Minas, em parceria com o Sindicato dos Produtores Rurais e a comunidade local.
Foram duas noites de música, encontros e celebração. Wall Sylva foi uma das atrações e contagiou o público com sua música, enquanto a praça se transformava em um grande ponto de encontro da comunidade.

Também acompanhei um momento que representa muito da identidade local: o futebol entre caminhoneiros e carvoeiros. Mais do que uma partida, foi um encontro de trabalhadores que conhecem de perto a estrada, a poeira, o sol e os desafios de quem ajuda a movimentar a economia do sertão.

Nova Aurora carrega o título de capital norte-mineira do eucalipto, e a silvicultura é, de fato, uma importante força econômica do distrito. Mas existe também uma nova vocação que começa a ganhar espaço e merece atenção: o café.
E é justamente essa capacidade de produzir, diversificar e criar novas oportunidades que me chama a atenção. Porque o campo não é apenas paisagem. É trabalho, renda, alimento, empreendedorismo e esperança de permanência do homem na sua própria terra.
Mas, desta vez, além da festa, vivi uma experiência que me levou de volta a um sertão que parecia perdido no tempo.
Eu e minha esposa, Luciene, fomos acolhidos na casa da Dona Nilda, mãe do nosso amigo Mauro. E minha esposa ficou encantada com o carinho e a simplicidade daquela mulher.

Ali, entre uma conversa e outra, resgatamos uma experiência que o tempo quase apagou: o cheiro do café passado, da comida feita no fogão a lenha, do biscoito assado no tradicional forno e aquele movimento gostoso de gente entrando e saindo.
A casa da Dona Nilda sequer tem tranca nas portas.
Não por descuido, mas pela tranquilidade daquele lugar e, sobretudo, porque aquela casa parece ter sido feita para acolher. É um espaço abençoado, sempre de portas abertas para quem chega.
E foi justamente ali que Wall Sylva também ficou por alguns momentos antes de subir ao palco.
Talvez seja essa simplicidade que explique um pouco do meu carinho por Nova Aurora. Ali, as relações ainda têm cheiro, sabor, conversa e abraço. Coisas simples, mas que hoje valem muito.
Durante a festa, vi uma comunidade ocupando sua praça, celebrando suas conquistas e valorizando aquilo que produz. Vi produtores rurais, trabalhadores, famílias e amigos reunidos.
Vi também uma parceria entre poder público, sindicato e comunidade para realizar uma festa que, além do entretenimento, valoriza a identidade e a economia local.
Nova Aurora já é, para mim, uma espécie de segunda casa.
É um lugar onde me sinto bem, onde sou acolhido e onde gosto de estar atento às suas particularidades, às suas potencialidades e, principalmente, às histórias do seu povo.
Como jornalista e sertanejo de estrada, aprendi que existem lugares que a gente conhece pelas placas. Outros, a gente conhece pelas pessoas.
Nova Aurora eu conheço pelo povo.
Pelo café.
Pelo fogão a lenha.
Pelo cheiro da terra.
Pelo trabalho.
Pelo acolhimento.
E por essa capacidade bonita de celebrar a própria história sem deixar de olhar para o futuro.
Que o eucalipto continue sendo uma força econômica. Que o café encontre cada vez mais espaço. Que o produtor rural seja valorizado e que novas oportunidades possam surgir para a juventude e para toda a comunidade.
Porque o maior patrimônio de Nova Aurora não está apenas naquilo que a terra produz.
Está nas mãos de quem planta, trabalha, acolhe, acredita e mantém viva a esperança.
E eu continuarei percorrendo essas estradas.
Porque há caminhos que a gente percorre com os pés.
E há outros que, depois de algum tempo, a gente percebe que já estão morando dentro do coração.




