Por: Aurélio Vidal
Desde ontem, quarta-feira, até a tarde desta quinta-feira, minhas andanças me levaram mais uma vez pelas terras do Alto Rio Pardo . Desta vez, estive acompanhado do meu amigo, o jovem Gabriel Ribeiro , que, atendendo ao nosso convite, veio conhecer de perto a região de Nova Aurora .
Gabriel aproveitou a viagem para colher informações, ouvir histórias e registrar depoimentos que vão contribuir para sua pesquisa de doutorado em Desenvolvimento Social.
Ele desenvolve a pesquisa intitulada “Entre Geraizeiros e Sertanejos: analisando tensionamentos epistêmicos no contexto do sindicalismo rural de Rio Pardo de Minas”, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Social da Universidade Estadual de Montes Claros — PPGDS/Unimontes, com previsão de defesa em março de 2027.
E foi nesse encontro entre a pesquisa acadêmica e a realidade vivida no campo que chegamos à comunidade de Peixe Bravo I , para conhecer um pouco mais do Arranjo Produtivo Local que começa a ganhar força por ali — tendo o café como uma das grandes novidades entre os pequenos produtores daquele pedaço do sertão.
E o que encontramos merece ser contado.
Conhecemos Geovane, um jovem de apenas 20 anos , já pai de família, que antes precisava deixar o sertão norte-mineiro para trabalhar na colheita do café no Sul de Minas. Hoje, a história começa a mudar de rumo: ele está plantando café no próprio quintal, na sua pequena propriedade.
São aproximadamente 4.300 pés de café , todos florados, anunciando que dali pode nascer muito mais do que uma lavoura: pode nascer uma nova perspectiva de vida.
Ao lado dele estão o pai Vande José e a jovem esposa, Iolanda , de 17 anos, que já cursa Agronomia. Uma família sertaneja que está transformando conhecimento em produção e o chão em oportunidade.
Nas minhas andanças pelo interior, tenho percebido uma mudança silenciosa, mas profundamente significativ a. Aos poucos, parte do nosso povo começa a se libertar da velha lógica do assistencialismo permanente e passa a enxergar o agro, a agricultura familiar e os arranjos produtivos locais como caminhos para conquistar autonomia, renda e dignidade.
Porque quem adquire conhecimento também adquire coragem para questionar. E quem aprende a produzir, empreender e transformar sua própria realidade já não aceita tão facilmente viver sob o cabresto de velhos sistemas.
Até mesmo a expansão das florestas de eucalipto, tão presente no nosso cerrado, parece ter despertado em muitos humildes sertanejos a percepção de que é possível fazer diferente: diversificar, experimentar novos cultivos, agregar valor à propriedade e se transformar em produtor do próprio destino.
O sertão está mudando.
Talvez ainda não faça barulho suficiente para ser ouvido nos grandes centros, mas quem percorre suas estradas, entra nas pequenas propriedades e conversa com seu povo começa a perceber.
Há uma nova safra nascendo por aqui.
E não falo apenas de café.
Falo de conhecimento, coragem, empreendedorismo e esperança.
Porque, quando o sertanejo deixa de esperar que alguém lhe dê o futuro e começa a plantar esse futuro com as próprias mãos, o sertão deixa de ser apenas cenário de histórias e passa a ser protagonista da sua própria transformação.
Mas ainda temos outras pautas importantes nessa região, como o giro com o jovem líder Jovelino e as pesquisas de sondagem realizadas pela Vale na comunidade de Peixe Bravo.
Aguardem a matéria na íntegra, em breve, no site ContextoMinas.com.



