A SAGA DA FAMÍLIA MARRA SACO – OS PIONEIROS DA FAMOSA CARNE DE SOL DE MIRABELA

Os Marra-sacos não são apenas uma família numerosa ou conhecida. São parte orgânica da cidade. Estão presentes nos eventos, nas rodas de conversa, nas festas populares e na própria construção simbólica da identidade mirabelense. São, de forma incontestável, responsáveis por uma das maiores referências locais: a famosa carne de sol de Mirabela. Mas o nome que carregam também guarda mistério e mistura — fruto de sobrenomes que se entrelaçaram ao destino do lugar.


Por Aurélio Vidal

Como jornalista e pesquisador, sempre me senti atraído por histórias que não vivem apenas nos livros, mas também na memória viva do povo — nos causos contados à beira do fogão, nas conversas sem pressa e nas marcas que o tempo imprime na terra e nas pessoas. Foi assim com a ajuda do amigo e professor de história Leonardo Almeida, que cheguei à saga da Família Marra Saco, um nome que ecoa com força, identidade e pertencimento na história de Mirabela, no norte de Minas Gerais.

Os Marra-sacos não são apenas uma família numerosa ou conhecida. São parte orgânica da cidade. Estão presentes nos eventos, nas rodas de conversa, nas festas populares e na própria construção simbólica da identidade mirabelense. São, de forma incontestável, responsáveis por uma das maiores referências locais: a famosa carne de sol de Mirabela. Mas o nome que carregam também guarda mistério e mistura — fruto de sobrenomes que se entrelaçaram ao destino do lugar.

Os Marra-sacos não são apenas uma família numerosa ou conhecida. São parte orgânica da cidade. Estão presentes nos eventos, nas rodas de conversa, nas festas populares e na própria construção simbólica da identidade mirabelense. São, de forma incontestável, responsáveis por uma das maiores referências locais: a famosa carne de sol de Mirabela. Mas o nome que carregam também guarda mistério e mistura — fruto de sobrenomes que se entrelaçaram ao destino do lugar. Ladeando, Seu Aurélio Nunes — o Nero Marra Saco — guardião das tradições e dos costumes do sertão mineiro, que resiste ao tempo mantendo viva, entre tantas heranças, a Folia de Reis. 

Segundo relatos que atravessaram décadas, a origem dessa família remonta à primeira metade do século XX, quando um mexicano chamado Sancho Francisco Soares cruzou caminhos com Delmira Nunes da Rocha. Sancho teria chegado ao Brasil fugindo do México, onde, segundo a memória familiar, era ameaçado de morte e teria como destino o fuzilamento. A fuga foi marcada por astúcia e sobrevivência: para escapar, conta-se que roubou uma batina e se fez passar por padre até alcançar São Paulo.

Segundo relatos que atravessaram décadas, a origem dessa família remonta à primeira metade do século XX, quando um mexicano chamado Sancho Francisco Soares cruzou caminhos com Delmira Nunes da Rocha. Sancho teria chegado ao Brasil fugindo do México, onde, segundo a memória familiar, era ameaçado de morte e teria como destino o fuzilamento. A fuga foi marcada por astúcia e sobrevivência: para escapar, conta-se que roubou uma batina e se fez passar por padre até alcançar São Paulo.

Na capital paulista, para sobreviver, tornou-se mascate, vendendo de tudo um pouco. Homem ousado e de espírito inquieto, seguiu adiante como caixeiro-viajante, percorrendo estradas e povoados, até alcançar o sertão norte-mineiro. Passou por Montes Claros e outras cidades da região, até fincar raízes no então pequeno arraial do Sagrado Coração de Jesus. Foi ali, no ano de 1900 que conheceu dona Delmira, proprietária de uma pensão. Da união nasceram três filhos: Aprígio, Olímpio e Constantino.

Naquela época, já carregando sobre os ombros a responsabilidade de um pai de família, Sancho precisou reinventar caminhos para garantir o sustento dos filhos. Ampliou seu mix de produtos e passou a comercializar carne seca, queijos, especiarias e outras mercadorias, levadas até São Paulo. De lá, trazia de volta as novidades da época para revender no sertão. Tudo isso em meio a enormes dificuldades: viagens que duravam meses, feitas em tropas de animais emprestadas por amigos. Só mais tarde, com esforço e persistência, conseguiu formar a própria tropa — passo decisivo para o fortalecimento do comércio e para o início do desenvolvimento da família.

Em Coração de Jesus, Sancho conquistou respeito e notoriedade. A comunidade o nomeou delegado, alcunhando-o de “Calça Curta”, figura singular encarregada de zelar pela segurança e pela justiça locais — um personagem à parte dessa história, que merece, sem dúvida, um capítulo exclusivo no futuro.

Anos mais tarde, já com a família formada, foi por meio de Seu Aprígio, um dos filhos de Sancho, que os Nunes Marra Saco chegaram a Mirabela. Ali o clã cresceu, criou laços profundos e ajudou a moldar a economia local. Foi no comércio de carnes que a família deixou sua marca mais definitiva: quase de maneira casual, aperfeiçoaram um método próprio de preparo — carne salgada, serenada, feita com paciência e saber — e abriram o primeiro açougue da cidade. A técnica atravessou gerações e transformou Mirabela em referência regional, rendendo-lhe o simbólico e orgulhoso título de Capital Nacional da Carne de Sol. Até hoje, alguns descendentes seguem na atividade, mantendo vivo esse legado.

Os Marra-sacos não são apenas uma família numerosa ou conhecida. São parte orgânica da cidade. Estão presentes nos eventos, nas rodas de conversa, nas festas populares e na própria construção simbólica da identidade mirabelense. São, de forma incontestável, responsáveis por uma das maiores referências locais: a famosa carne de sol de Mirabela. Mas o nome que carregam também guarda mistério e mistura — fruto de sobrenomes que se entrelaçaram ao destino do lugar.

APRÍGIO NUNES SOARES – FILHO DE SANCHO MARRASACO

Em minhas andanças pelo sertão norte-mineiro, deixo-me envolver pelas histórias que ecoam pelas veredas, e hoje compartilho a trajetória de Aprígio Nunes Soares – filho de Sancho Marrasaco.

Nascido em 1901, Aprígio foi o fruto do amor entre Sancho Francisco Soares e Delmira Nunes Ferreira. Casou-se com Lina Ferreira da Silva e juntos trouxeram ao mundo 11 filhos: Venâncio, Ezequiel, Santa, Pedro, Bráz, Alfredo, Joana, Aurélio (Nero), Augustava, Ana, que partiu cedo, aos 4 anos, e Maria, a filha adotiva que completou o lar.

Nascido em 1901, Aprígio foi o fruto do amor entre Sancho Francisco Soares e Delmira Nunes Ferreira. Casou-se com Lina Ferreira da Silva e juntos trouxeram ao mundo 11 filhos: Venâncio, Ezequiel, Santa, Pedro, Bráz, Alfredo, Joana, Aurélio (Nero), Augustava, Ana, que partiu cedo, aos 4 anos, e Maria, a filha adotiva que completou o lar.

Ele herdou a arte de tropeiro de seu pai, especializando-se na comercialização de carne seca, maturada ao sol e ao sereno. Em 1945, Aprígio deu início à sua trajetória no abate de gado, salgando as carnes e acondicionando-as em bruacas de couro, que se equilibravam nas cangalhas dos burros. Assim, desbravava a região de Coração de Jesus, com destaque para lugares como Alvação, Taboquinha e Riachão, onde sua clientela se multiplicava.

Mais tarde, abriu seu primeiro comércio em Alvação, um açougue que se tornou um ponto de referência até 1956, quando se mudou para Mirabela. Aprígio alugou o casarão do Senhor Alípio, pai de Pedro de Nicó, e ali montou seu novo açougue. Com o passar dos anos, após o falecimento de Aprígio, seus filhos Venâncio, Pedro, Bráz, Alfredo e Aurélio continuaram a tradição familiar, fazendo com que a fama da carne de sol de Mirabela se espalhasse por todo o Brasil. Hoje, os descendentes de Aprígio, filhos e netos, perpetuam essa história, mantendo viva a rica tradição dos Nunes e a significativa atividade que moldou a trajetória de tantas gerações.

Aprígio alugou o casarão do Senhor Alípio, pai de Pedro de Nicó, e ali montou seu novo açougue. Aprígio alugou o casarão do Senhor Alípio, pai de Pedro de Nicó, e ali montou seu novo açougue.

Mas confesso: o que mais me instigou não foi apenas a trajetória econômica ou o reconhecimento público. Foram os inúmeros e curiosos causos que cercam a família — histórias que misturam realidade, exagero, humor e memória coletiva. Os Marra Sacos já foram tema de apresentações públicas, como na Festa Raiz de Mirabela, e aparecem com frequência ligados à vida social e até política do município.

Os Marra-sacos não são apenas uma família numerosa ou conhecida. São parte orgânica da cidade. Estão presentes nos eventos, nas rodas de conversa, nas festas populares e na própria construção simbólica da identidade mirabelense. São, de forma incontestável, responsáveis por uma das maiores referências locais: a famosa carne de sol de Mirabela. Mas o nome que carregam também guarda mistério e mistura — fruto de sobrenomes que se entrelaçaram ao destino do lugar.

No fim das contas, a saga dos Marra Sacos é também a saga de Mirabela: feita de migração, trabalho duro, criatividade, tradição e histórias que o tempo insiste em não apagar.

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