O SERTÃO ESTÁ SOB ATAQUE: A VERDADE QUE TENTAM ESCONDER SOBRE A EXPANSÃO DO PROJETO JAÍBA

Mais uma vez o povo sertanejo do Norte de Minas está sendo colocado contra a parede por decisões friamente arquitetadas dentro de gabinetes em Brasília, longe da realidade de quem vive da terra, produz alimento e sustenta sua família sob o sol escaldante do semiárido mineiro. O que o Governo Federal tenta vender como “modernização”, “desenvolvimento sustentável” e “avanço econômico” nas Etapas III e IV do Projeto Jaíba é, na prática, mais um capítulo do processo sistemático de enfraquecimento da autonomia do nosso povo.

Por Aurélio Vidal

Mais uma vez o povo sertanejo do Norte de Minas está sendo colocado contra a parede por decisões friamente arquitetadas dentro de gabinetes em Brasília, longe da realidade de quem vive da terra, produz alimento e sustenta sua família sob o sol escaldante do semiárido mineiro.

O que o Governo Federal tenta vender como “modernização”, “desenvolvimento sustentável” e “avanço econômico” nas Etapas III e IV do Projeto Jaíba é, na prática, mais um capítulo do processo sistemático de enfraquecimento da autonomia do nosso povo.

E digo isso com absoluta responsabilidade e conhecimento de causa.

Tenho acompanhado há anos as movimentações políticas e institucionais que vêm sendo impostas ao Norte de Minas, ao Vale do Jequitinhonha e ao Vale do Mucuri. O discurso é sempre bonito. Falam em sustentabilidade, inclusão, preservação e desenvolvimento. Mas, quando descemos ao chão da realidade, encontramos perseguições, insegurança fundiária, medo e abandono.

Tenho acompanhado há anos as movimentações políticas e institucionais que vêm sendo impostas ao Norte de Minas, ao Vale do Jequitinhonha e ao Vale do Mucuri. O discurso é sempre bonito. Falam em sustentabilidade, inclusão, preservação e desenvolvimento. Mas, quando descemos ao chão da realidade, encontramos perseguições, insegurança fundiária, medo e abandono.

Mais uma vez o povo sertanejo do Norte de Minas está sendo colocado contra a parede por decisões friamente arquitetadas dentro de gabinetes em Brasília, longe da realidade de quem vive da terra, produz alimento e sustenta sua família sob o sol escaldante do semiárido mineiro.

O que o Governo Federal tenta vender como “modernização”, “desenvolvimento sustentável” e “avanço econômico” nas Etapas III e IV do Projeto Jaíba é, na prática, mais um capítulo do processo sistemático de enfraquecimento da autonomia do nosso povo.

Agora, o alvo da vez é o Projeto Jaíba.

Segundo dados divulgados pelo próprio Governo Federal, a proposta prevê ampliar em cerca de 30 mil hectares as áreas do projeto, sendo aproximadamente 19 mil hectares irrigáveis, com previsão de investimentos bilionários ao longo das próximas décadas.

Na propaganda oficial, tudo parece perfeito.

Mas o governo omite uma pergunta básica e revoltante: como falar em expansão se nem mesmo as etapas anteriores foram concluídas de forma digna e eficiente?

O Projeto Jaíba nasceu ainda na década de 1950 como símbolo de esperança para o sertão mineiro. Décadas depois, milhares de produtores continuam convivendo com problemas estruturais gravíssimos, canais sem manutenção adequada, insegurança jurídica, dificuldades de regularização, ausência de assistência técnica e abandono operacional.

As Etapas I e II nunca atingiram plenamente aquilo que foi prometido ao povo.

Mesmo assim, querem agora avançar sobre novas áreas, empurrando um modelo de concessão por meio de CDRU — Concessão de Direito Real de Uso — dentro do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), abrindo caminho para que grandes grupos econômicos assumam o controle da infraestrutura irrigada da região.

E quem está ouvindo o pequeno produtor?

Quem está ouvindo o sertanejo que há 30, 40 ou até 50 anos vive naquela terra?

A resposta é simples: praticamente ninguém.

A chamada “audiência pública” promovida recentemente pela Codevasf foi tratada oficialmente como um espaço democrático de escuta popular. Mas inúmeros moradores relataram exatamente o contrário: uma pauta praticamente pronta, conduzida de cima para baixo, sem transparência e sem disposição verdadeira para ouvir quem será diretamente impactado pelas decisões.

O sentimento entre os produtores é claro: atropelo.

Mais uma vez, tentam empurrar decisões estruturais sem respeitar a história das famílias que construíram aquela região com suor, sacrifício e resistência.

E isso não acontece por acaso.

Existe hoje uma política silenciosa de neutralização da autonomia produtiva do sertão brasileiro. Sob a bandeira da chamada “agenda ambiental”, multiplicam-se reservas, restrições territoriais, fiscalizações seletivas, multas e perseguições administrativas que acabam sempre recaindo sobre o pequeno produtor.

O modus operandi é conhecido.

Primeiro vêm as pressões institucionais. Depois surgem os projetos de reorganização territorial. Em seguida aparecem os grandes interesses econômicos e os investidores externos ocupando espaços historicamente pertencentes ao povo simples da região.

Foi assim em áreas do Alto Rio Pardo. Agora a história parece se repetir dentro do Jaíba.

Enquanto isso, boa parte da classe política regional permanece em silêncio absoluto.

Infelizmente, o Norte de Minas continua órfão de representação firme no Congresso Nacional. Muitos dos que foram eleitos preferem investir no velho modelo do “pão e circo”: festas milionárias, marketing pessoal e distribuição de paliativos financiados por emendas parlamentares, enquanto os problemas estruturais seguem sendo empurrados para debaixo do tapete.

Falta coragem.

Falta compromisso.

Falta disposição para enfrentar os interesses que hoje avançam sobre o território sertanejo.

E pior: grande parte da mídia nacional ajuda a construir uma narrativa artificial de progresso, escondendo a realidade dura enfrentada pelas famílias produtoras.

Vendendo para o Brasil a ideia de que o governo está “levando desenvolvimento” ao sertão.

Mas quem pisa na terra sabe que a realidade é outra.

O que existe hoje no Jaíba é medo, indignação e insegurança.

Por isso, faço aqui um apelo público ao senador Plínio Valério, parlamentar que tem se destacado nacionalmente na defesa da soberania territorial e das populações do interior do Brasil.

É preciso romper o silêncio.

É preciso levar essa denúncia à tribuna do Senado Federal.

O Brasil precisa saber o que verdadeiramente está acontecendo no Norte de Minas.

E faço também um pedido direto ao senador Plínio Valério para que articule, junto à presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, a senadora Damares Alves, uma agenda oficial para que possamos apresentar pessoalmente denúncias, documentos e relatos das famílias atingidas por esse processo.

Porque essa situação já deixou de ser apenas uma discussão administrativa ou econômica.

Estamos falando de dignidade humana.

Estamos falando do direito das famílias permanecerem em suas terras.

Estamos falando de trabalhadores humildes que construíram sua história no sertão e que agora vivem sob ameaça de perder espaço para interesses políticos e econômicos muito maiores que eles.

O povo da Jaíba não quer privilégio.

Quer respeito.

Quer transparência.

Quer voz.

E, acima de tudo, quer continuar existindo dentro da própria terra.

Veja Mais

Artigos Relacionados:

Centro de Grão Mogol, com a igreja e a praça da cidade.

Grão Mogol: a cidade das pedras e das águas encanta com sua história e belezas naturais

Localizada na parte mais alta da Serra Geral, no Norte de Minas Gerais, Grão Mogol é um destino que transborda belezas naturais, biodiversidade e uma rica herança ligada aos diamantes e ao período colonial dos séculos XVI e XIX. A história pulsante dessa cidade pode ser encontrada nas ruas e vielas, cuja pavimentação foi erguida com a mão de obra dos escravizados. Nas trilhas e

Desde ontem, quarta-feira, até a tarde desta quinta-feira, minhas andanças me levaram mais uma vez pelas terras do Alto Rio Pardo . Desta vez, estive acompanhado do meu amigo, o jovem Gabriel Ribeiro , que, atendendo ao nosso convite, veio conhecer de perto a região de Nova Aurora .

O SERTÃO QUE PLANTA O PRÓPRIO FUTURO

Por: Aurélio Vidal Desde ontem, quarta-feira, até a tarde desta quinta-feira, minhas andanças me levaram mais uma vez pelas terras do Alto Rio Pardo . Desta vez, estive acompanhado do meu amigo, o jovem Gabriel Ribeiro , que, atendendo ao nosso convite, veio conhecer de perto a região de Nova Aurora . Gabriel aproveitou a viagem para colher informações, ouvir histórias e registrar depoimentos que

O Katyra Modão chegou em grande estilo, mas sem perder aquilo que talvez seja o seu maior diferencial: a simplicidade elegante do ambiente rural, o cheiro gostoso de roça, o verde, as flores espalhadas pelo jardim e aquele cenário rústico que parece conversar com a alma sertaneja. A fazenda, que já é palco da tradicional Cavalgada do Katyra, tem um charme muito particular. Cada cantinho parece ter sido pensado para acolher, mas sem deixar de ser aquilo que é: uma fazenda, com sua beleza natural e sua identidade.

KATYRA MODÃO E CHURRASCO — ONDE A VIOLA CANTA, A BRASA ACENDE E O SERTÃO SE ENCONTRA

Há lugares onde a gente vai para participar de um evento. E há lugares onde a gente chega e sente que está entrando em uma história. Foi assim ontem, na Fazenda Katyra, lá pelas bandas da comunidade de Canto do Engenho, em Montes Claros, onde aconteceu a primeira edição do Katyra Modão e Churrasco — uma iniciativa que, já em sua estreia, mostrou que tradição,

Como jornalista, quero compartilhar uma conquista que considero muito importante para todos aqueles que vivem, produzem e trabalham nas regiões afetadas pela atuação do ICMBio.

NOSSA LUTA COMEÇOU EM MINAS, MAS O DEBATE AGORA É NACIONAL

Por Aurélio Vidal Como jornalista, quero compartilhar uma conquista que considero muito importante para todos aqueles que vivem, produzem e trabalham nas regiões afetadas pela atuação do ICMBio. Foram meses de mobilização, diálogo, denúncias e, acima de tudo, muito empenho para mostrar os problemas enfrentados por produtores rurais, famílias e municípios diante de autuações e restrições ambientais que, em muitos casos, precisam ser analisadas com

Nesta segunda-feira, 31 de agosto, eu, juntamente com produtores rurais e lideranças do Alto Rio Pardo, estaremos partindo em uma caravana rumo a Brasília, levando na bagagem não apenas documentos e reivindicações, mas, sobretudo, a esperança de centenas de famílias que há anos convivem com um conflito que tem provocado sofrimento, insegurança e prejuízos.

🚍 RUMO A BRASÍLIA: O SERTÃO MINEIRO VAI EM BUSCA DE JUSTIÇA

Por: Aurélio VidalJornalista e defensor das causas do Sertão e do povo sertanejo Nesta segunda-feira, 31 de agosto, eu, juntamente com produtores rurais e lideranças do Alto Rio Pardo, estaremos partindo em uma caravana rumo a Brasília, levando na bagagem não apenas documentos e reivindicações, mas, sobretudo, a esperança de centenas de famílias que há anos convivem com um conflito que tem provocado sofrimento, insegurança

Centro de Grão Mogol, com a igreja e a praça da cidade.

Grão Mogol: a cidade das pedras e das águas encanta com sua história e belezas naturais

Localizada na parte mais alta da Serra Geral, no Norte de Minas Gerais, Grão Mogol é um destino que transborda belezas naturais, biodiversidade e uma rica herança ligada aos diamantes e ao período colonial dos séculos XVI e XIX. A história pulsante dessa cidade pode ser encontrada nas ruas e vielas, cuja pavimentação foi erguida com a mão de obra dos escravizados. Nas trilhas e

Desde ontem, quarta-feira, até a tarde desta quinta-feira, minhas andanças me levaram mais uma vez pelas terras do Alto Rio Pardo . Desta vez, estive acompanhado do meu amigo, o jovem Gabriel Ribeiro , que, atendendo ao nosso convite, veio conhecer de perto a região de Nova Aurora .

O SERTÃO QUE PLANTA O PRÓPRIO FUTURO

Por: Aurélio Vidal Desde ontem, quarta-feira, até a tarde desta quinta-feira, minhas andanças me levaram mais uma vez pelas terras do Alto Rio Pardo . Desta vez, estive acompanhado do meu amigo, o jovem Gabriel Ribeiro , que, atendendo ao nosso convite, veio conhecer de perto a região de Nova Aurora . Gabriel aproveitou a viagem para colher informações, ouvir histórias e registrar depoimentos que

O Katyra Modão chegou em grande estilo, mas sem perder aquilo que talvez seja o seu maior diferencial: a simplicidade elegante do ambiente rural, o cheiro gostoso de roça, o verde, as flores espalhadas pelo jardim e aquele cenário rústico que parece conversar com a alma sertaneja. A fazenda, que já é palco da tradicional Cavalgada do Katyra, tem um charme muito particular. Cada cantinho parece ter sido pensado para acolher, mas sem deixar de ser aquilo que é: uma fazenda, com sua beleza natural e sua identidade.

KATYRA MODÃO E CHURRASCO — ONDE A VIOLA CANTA, A BRASA ACENDE E O SERTÃO SE ENCONTRA

Há lugares onde a gente vai para participar de um evento. E há lugares onde a gente chega e sente que está entrando em uma história. Foi assim ontem, na Fazenda Katyra, lá pelas bandas da comunidade de Canto do Engenho, em Montes Claros, onde aconteceu a primeira edição do Katyra Modão e Churrasco — uma iniciativa que, já em sua estreia, mostrou que tradição,

Como jornalista, quero compartilhar uma conquista que considero muito importante para todos aqueles que vivem, produzem e trabalham nas regiões afetadas pela atuação do ICMBio.

NOSSA LUTA COMEÇOU EM MINAS, MAS O DEBATE AGORA É NACIONAL

Por Aurélio Vidal Como jornalista, quero compartilhar uma conquista que considero muito importante para todos aqueles que vivem, produzem e trabalham nas regiões afetadas pela atuação do ICMBio. Foram meses de mobilização, diálogo, denúncias e, acima de tudo, muito empenho para mostrar os problemas enfrentados por produtores rurais, famílias e municípios diante de autuações e restrições ambientais que, em muitos casos, precisam ser analisadas com

Nesta segunda-feira, 31 de agosto, eu, juntamente com produtores rurais e lideranças do Alto Rio Pardo, estaremos partindo em uma caravana rumo a Brasília, levando na bagagem não apenas documentos e reivindicações, mas, sobretudo, a esperança de centenas de famílias que há anos convivem com um conflito que tem provocado sofrimento, insegurança e prejuízos.

🚍 RUMO A BRASÍLIA: O SERTÃO MINEIRO VAI EM BUSCA DE JUSTIÇA

Por: Aurélio VidalJornalista e defensor das causas do Sertão e do povo sertanejo Nesta segunda-feira, 31 de agosto, eu, juntamente com produtores rurais e lideranças do Alto Rio Pardo, estaremos partindo em uma caravana rumo a Brasília, levando na bagagem não apenas documentos e reivindicações, mas, sobretudo, a esperança de centenas de famílias que há anos convivem com um conflito que tem provocado sofrimento, insegurança

Quer ver mais conteúdos?

Assine Nossa Newsletter

E fique por dentro do contexto de Minas e de tudo que acontece no Brasil e no mundo.

Pod Sertão Pautando o melhor do Sertão Mineiro

Olá, visitante