CARNAVAL: A URGÊNCIA DE FREAR A FESTA QUANDO O PAÍS SANGRA

Escrevo este texto a partir das minhas andanças pelo Brasil profundo — das capitais às pequenas cidades do Norte de Minas — e do compromisso jornalístico de confrontar prioridades públicas com a realidade que encontrei. Em tempos normais, o Carnaval é expressão cultural legítima. Em tempos excepcionais, porém, ele precisa ser reavaliado. E o Brasil vive um desses momentos.

Por Aurélio Vidal

Escrevo este texto a partir das minhas andanças pelo Brasil profundo — das capitais às pequenas cidades do Norte de Minas — e do compromisso jornalístico de confrontar prioridades públicas com a realidade que encontrei. Em tempos normais, o Carnaval é expressão cultural legítima. Em tempos excepcionais, porém, ele precisa ser reavaliado. E o Brasil vive um desses momentos.

O quadro atual é grave: economia fragilizada, serviços essenciais à beira do colapso, denúncias recorrentes de corrupção, escalada da violência — especialmente no Rio de Janeiro — e riscos sanitários que não podem ser tratados como nota de rodapé. Diante desse cenário, sustento que o Carnaval deveria ser interrompido por alguns anos. Não por moralismo, mas por responsabilidade fiscal, social e sanitária.

A festa, como vem sendo conduzida, transformou-se numa farra com dinheiro público. Estados e municípios assumem despesas vultosas enquanto hospitais carecem de insumos, escolas funcionam com estruturas precárias e a segurança pública opera no limite. Há ainda o simbolismo equivocado de homenagens e enredos que celebram figuras associadas à corrupção, num país que ainda paga a conta de escândalos bilionários. Em vez de catarse coletiva, o recado institucional é de tolerância com o desvio.

Defender a interrupção temporária do Carnaval não significa negar a cultura brasileira, mas resgatá-la do uso político e do desperdício. Significa priorizar vida, dignidade e serviços públicos básicos. Significa reconhecer que festa pública exige contexto favorável — e hoje ele não existe.

Nas minhas passagens por cidades do Norte de Minas, o contraste salta aos olhos. Pequenas prefeituras, com arrecadação restrita, comprometem parcelas significativas do orçamento com cachês altíssimos de bandas e estruturas de eventos. Enquanto isso, faltam médicos nas unidades básicas, o transporte escolar é irregular, a iluminação pública é deficiente e a guarda municipal inexiste ou opera sem condições mínimas. O discurso oficial fala em “movimentar a economia”, mas os números raramente fecham quando se consideram os custos totais e os passivos deixados.

Escrevo este texto a partir das minhas andanças pelo Brasil profundo — das capitais às pequenas cidades do Norte de Minas — e do compromisso jornalístico de confrontar prioridades públicas com a realidade que encontrei. Em tempos normais, o Carnaval é expressão cultural legítima. Em tempos excepcionais, porém, ele precisa ser reavaliado. E o Brasil vive um desses momentos.

Há ainda o risco à saúde coletiva. Grandes aglomerações, em um país que convive com surtos recorrentes de doenças transmissíveis, ampliam a pressão sobre um sistema de saúde já sobrecarregado. Prevenção não é alarmismo; é gestão. Ignorar esse fator é repetir erros recentes.

Defender a interrupção temporária do Carnaval não significa negar a cultura brasileira, mas resgatá-la do uso político e do desperdício. Significa priorizar vida, dignidade e serviços públicos básicos. Significa reconhecer que festa pública exige contexto favorável — e hoje ele não existe.

Como jornalista, não posso fechar os olhos ao que vi nas minhas andanças. Esta é uma pauta nacional com reflexos regionais evidentes. O país precisa, antes de tudo, reorganizar a casa. Celebrar pode esperar. Cuidar das pessoas, não.

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