BR-251: A ESTRADA QUE COBROU VIDAS, AGORA COBRA DIGNIDADE — E EU VI ESSA LUTA DE PERTO

Eu não escrevo sobre a BR-251 como quem observa de longe. Escrevo como quem percorreu suas curvas perigosas, denunciou seus descasos e insistiu, por anos, em dar voz a uma dor coletiva que sempre ecoou no Norte de Minas.

Por Aurélio Vidal

Eu não escrevo sobre a BR-251 como quem observa de longe. Escrevo como quem percorreu suas curvas perigosas, denunciou seus descasos e insistiu, por anos, em dar voz a uma dor coletiva que sempre ecoou no Norte de Minas.

O projeto é robusto: são 734,9 quilômetros de concessão, atravessando 24 municípios e impactando mais de 1,17 milhão de pessoas. O investimento previsto chega a R$ 13,16 bilhões ao longo de 30 anos.

Foram matérias em jornais, reportagens em revistas, vídeos gravados à beira da rodovia — muitas vezes com o barulho dos caminhões ao fundo e o peso das estatísticas na consciência. A BR-251 nunca foi apenas uma estrada. Sempre foi um símbolo: do abandono, da resistência e da urgência.

Foram muitas as tragédias, casos e mais casos de desespero de famílias que tiveram que sofrer as consequências da dramática situação da rodovia.

Foram muitas as tragédias, casos e mais casos de desespero de famílias que tiveram que sofrer as consequências da dramática situação da rodovia.

Nesta terça-feira, 31 de março, testemunhei um daqueles capítulos que parecem reescrever a história. Na B3, em São Paulo, foi realizado o leilão de concessão da rodovia. E ali, diante de autoridades e representantes da região, a Ecovias saiu vencedora, com uma proposta que apresentou 19% de desconto sobre a tarifa base.

Para muitos, pode parecer apenas um número. Para mim — e para quem sempre lutou por essa causa — é o início de uma virada.

Acompanhei, ainda que à distância física, mas com presença histórica, a mobilização da AMAMS, CIMAMS, CODANORTE e outras instituições representativas que esteve representada por prefeitos e lideranças que também carregam essa bandeira. Não é de hoje que a entidade pressiona, articula e cobra soluções para uma rodovia que corta vidas, cidades e esperanças.

Nesta terça-feira, 31 de março, testemunhei um daqueles capítulos que parecem reescrever a história. Na B3, em São Paulo, foi realizado o leilão de concessão da rodovia. E ali, diante de autoridades e representantes da região, a Ecovias saiu vencedora, com uma proposta que apresentou 19% de desconto sobre a tarifa base.

O projeto é robusto: são 734,9 quilômetros de concessão, atravessando 24 municípios e impactando mais de 1,17 milhão de pessoas. O investimento previsto chega a R$ 13,16 bilhões ao longo de 30 anos. Mas mais do que números, o que se anuncia são transformações concretas: duplicação de trechos críticos, implantação de faixas adicionais, construção do contorno de Teófilo Otoni, além de melhorias em sinalização, iluminação e atendimento emergencial.

Eu já estive nesses trechos. Já ouvi relatos de quem perdeu familiares. Já registrei acidentes que poderiam ter sido evitados. Por isso, quando se fala em duplicação de 186 quilômetros, não se trata apenas de obra — trata-se de preservar vidas.

Eu já estive nesses trechos. Já ouvi relatos de quem perdeu familiares. Já registrei acidentes que poderiam ter sido evitados. Por isso, quando se fala em duplicação de 186 quilômetros, não se trata apenas de obra — trata-se de preservar vidas.

A escolha da Ecovias traz um componente de expectativa positiva. A empresa já atua em rodovias importantes, como a BR-135, e carrega um histórico que, ao menos no papel, inspira confiança. Mas quem, como eu, aprendeu a desconfiar de promessas, sabe: o verdadeiro teste começa agora.

A assinatura do contrato está prevista para junho. Depois disso, vêm os primeiros passos — recuperação do pavimento, melhorias iniciais — e só então a cobrança de pedágio. Um detalhe importante, porque evidencia que, ao menos formalmente, há uma exigência de entrega antes da cobrança.

Mas eu sigo atento.

Porque essa não é uma história que termina com um leilão. É uma história que começa, de fato, quando as máquinas chegarem, quando os prazos forem cumpridos — ou não — e quando a população sentir, na prática, a diferença entre o que foi prometido e o que será entregue.

Se hoje escrevo com um leve traço de esperança, é porque nunca deixei de escrever com indignação.

A BR-251 não pode mais esperar. E eu também não vou parar de cobrar.

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