ARI MIRANDA, UMA VIDA PÚBLICA

Nascido em 4 de julho de 1932, seu Ari trouxe a Polícia Militar para o município, garantindo mais tranquilidade para toda a população de Indaiabira.
  • Aurleio Vidal
  • Um personagem culto, letrado, amigo dos amigos e homem público por excelência, assim podemos definir Areolando Miranda, mais conhecido como Ari Miranda, cidadão de Indaiabira, também ungido nas urnas com mandato de vereador pelas cidades de Rio Pardo de Minas e Janaúba.

Em visita a sua casa no ano de 2015, logo após uma sessão da Câmara Municipal de Indaiabira, onde era vereador aos 82 anos de idade, que foi possível constatar, assim que entramos na residência, aspectos que fazem desse homem uma pessoa extremamente vigorosa e cheia de esperanças. Brinquedos de criança espalhados pela ampla copa, enquanto do outro lado ficava uma cozinha tipo americana, também ampla, como convém a todas as casas desse sertão norte-mineiro. É nelas que são realizadas as conversas ao pé do ouvido e tomado um café forte e coado na hora.

Convidados a conhecer sua biblioteca, confesso que fui surpreendido com esse personagem tão instigante. De cara constatamos na cabeceira de sua cama dois livros que, segundo ele, são sempre revistos em momentos de relaxamento ou quando circunstâncias políticas o exigem. São a trilogia do premiado jornalista Laurentino Gomes – 1808, 1822 e 1889 -, e “Churchil vai à guerra”, de Brian Lavery.

Em meio a fotografias, começou a narrar fatos de sua vida, os filhos do primeiro casamento e o orgulho que tem do pai ―um empresário de secos e molhados que tinha o segundo grau completo, para uma época em que essa qualificação educacional equivaleria hoje a um doutorado em qualquer área. Por isso mesmo, herdou dele o amor à educação. Não foi à toa que investiu na construção de pontes para facilitar a chegada dos alunos a algumas escolas no município, além de construir a Escola Municipal Antônio Miranda em apenas 90 dias.

Nascido em 4 de julho de 1932, seu Ari trouxe a Polícia Militar para o município, garantindo mais tranquilidade para toda a população. Mas um dos seus maiores sonhos ainda não foi realizado, que é o de mandar instalar na serra que circunda a cidade natal uma estátua de Jesus Cristo, tal qual Getúlio Vargas fez no Rio de Janeiro quando ocupou a presidência da República. Embora católico convicto, não é de frequentar igrejas, mas se considera um homem temente a Deus, e procura seguir, com todo o rigor, os passos de um bom católico.

Nascido em 4 de julho de 1932, seu Ari trouxe a Polícia Militar para o município, garantindo mais tranquilidade para toda a população de Indaiabira.

Torcedor do Atlético Mineiro, 1,73m de altura, magro e sorriso largo, é pai de Drwigth Eisenhaver, Rita de Cássia, Aureolando Miranda Júnior, Antônio Thiago e Eliana Miranda, além dos gêmeos do terceiro casamento, Pietro e Vitória, ambos ainda muito novos.

É isso mesmo! Arizinho, como é tratado na intimidade, voltou a gerar filhos depois dos 70 anos de idade, e mantém com as crianças o mais profundo amor que um pai poderia nutrir. A esposa, tímida, preferiu deixar as luzes para o marido, e, por isso mesmo, ficou meio alheia ao que se passava entre a reportagem e o senhor Ari Miranda.

Seu gênio empresarial ficou marcado quando, aos 22 anos de idade, adquiriu um caminhão e passou a trabalhar. Essa precoce investida no mundo dos negócios garantiu a ele experiência suficiente para que, entre 1997 e 2000, quando prefeito de Indaiabira, cumprisse um mandato dos mais promissores em uma prefeitura de Minas Gerais.

Foi nessa época que construiu a Barragem Riacho da Areia e também ergueu a ponte sobre o rio Pardo, na localidade Fazenda Grande, facilitando o acesso de crianças à escola do lugar. Também contratou um grupo de professores de Montes Claros, entre eles Dona Conceição, proprietária do antigo colégio CB-MOC, de Montes Claros, que ficaram encarregados de implantar em Indaiabira o segundo grau.

Filho do senhor Antônio Miranda e de dona Maria Silva Miranda, seu Ari apresenta um pouco de sua memória convertida em fotografias e honrarias que não poderiam ser entregues a outra pessoa que não fosse dotada de um espírito ilustre e verdadeiramente vocacionada para a vida pública. Estão lá, por isso mesmo, fotos com o ex-governador Francelino Pereira, o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, o ex-prefeito de Montes Claros, Luiz Tadeu Leite, além do deputado estadual Carlos Mosconi.

De todos os políticos com os quais conviveu, nenhum ficou tão marcado na sua memória como o ex-governador de Minas, Eduardo Azeredo. “Um injustiçado!”, diz seu Ari, que falou da profícua parceria firmada com o tucano para conseguir a emancipação de Indaiabira.

Relembra que para completar a quantidade de quatrocentas casas exigidas para concluir o processo, e faltando oitenta, mandou construir as que faltavam e, assim, conseguiu aprovar a independência e a nova vida da sua cidade. Já em relação às honrarias, chamam a atenção a homenagem da Ordem dos Advogados do Brasil pelos inestimáveis serviços prestados ao município, o diploma “Ordem do Mérito Legislativo, 1996” e o “Troféu Vitória Alada”, concedida pelo maior colunista social norte-mineiro, Theodomiro Paulino. No arquivo pessoal, Ari também conquistou inúmeras medalhas e agraciamentos, que marcaram a vida digna e repleta de feitos que teve e ainda tem.

Pelo seu espírito empreendedor, sua vocação natural para a educação e sua firme disposição para servir à causa pública, na época desta reportagem, ainda se ouvia, aqui e ali, pessoas comentando sobre a possibilidade de ele concorrer, novamente, à prefeitura municipal de sua Indaiabira, candidatura essa que julgaria quase impossível, sobretudo porque possuía naquele ano de 2015, outras responsabilidades.

*Jornalista e empreendedor social

Veja Mais

Artigos Relacionados:

Centro de Grão Mogol, com a igreja e a praça da cidade.

Grão Mogol: a cidade das pedras e das águas encanta com sua história e belezas naturais

Localizada na parte mais alta da Serra Geral, no Norte de Minas Gerais, Grão Mogol é um destino que transborda belezas naturais, biodiversidade e uma rica herança ligada aos diamantes e ao período colonial dos séculos XVI e XIX. A história pulsante dessa cidade pode ser encontrada nas ruas e vielas, cuja pavimentação foi erguida com a mão de obra dos escravizados. Nas trilhas e

Escrevo estas linhas do Norte de Minas, longe dos salões refrigerados de Brasília, onde decisões são tomadas em silêncio e os estragos só chegam depois — sempre para os mesmos. Aqui no Sertão, onde a sobrevivência exige lucidez e coragem, acompanhar o colapso do Banco Master não é apenas um exercício jornalístico: é um dever moral.

BANCO MASTER: QUANDO O PODER FECHA O CERCO E O BRASIL PAGA A CONTA

Por Aurélio Vidal Escrevo estas linhas do Norte de Minas, longe dos salões refrigerados de Brasília, onde decisões são tomadas em silêncio e os estragos só chegam depois — sempre para os mesmos. Aqui no Sertão, onde a sobrevivência exige lucidez e coragem, acompanhar o colapso do Banco Master não é apenas um exercício jornalístico: é um dever moral. O que veio à tona com

Escrevo este texto a partir das minhas andanças pelo Brasil profundo — das capitais às pequenas cidades do Norte de Minas — e do compromisso jornalístico de confrontar prioridades públicas com a realidade que encontrei. Em tempos normais, o Carnaval é expressão cultural legítima. Em tempos excepcionais, porém, ele precisa ser reavaliado. E o Brasil vive um desses momentos.

CARNAVAL: A URGÊNCIA DE FREAR A FESTA QUANDO O PAÍS SANGRA

Por Aurélio Vidal Escrevo este texto a partir das minhas andanças pelo Brasil profundo — das capitais às pequenas cidades do Norte de Minas — e do compromisso jornalístico de confrontar prioridades públicas com a realidade que encontrei. Em tempos normais, o Carnaval é expressão cultural legítima. Em tempos excepcionais, porém, ele precisa ser reavaliado. E o Brasil vive um desses momentos. O quadro atual

Marcelo Aro passa a ser observado como um nome jovem, estratégico e com carisma político, capaz de dialogar com diferentes campos e reorganizar o desenho da disputa estadual.

SUCESSÃO EM MINAS: MARCELO ARO ALTERA O EIXO DA DISPUTA E REPOSICIONA O PROJETO DE ZEMA

Artigo de Opinião – Aurélio Vidal Tenho rodado bastante pelas bandas do Norte de Minas nos últimos meses. Conversado com prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias, produtores rurais, comerciantes e gente simples do povo. E confesso: há algo diferente no ar. Não é discurso ensaiado, nem entusiasmo fabricado de gabinete. É percepção concreta, sentida no chão da estrada — agora, diga-se de passagem, bem melhor do que

Voltar a Paracatu é como abrir um velho baú de memórias e encontrar, entre poeira e afeto, as marcas vivas da história do Brasil profundo. Conheci essa cidade em 1982, ainda adolescente, quando vim para o casamento de Florisval Ferreira — natural de Montes Claros, mais que se tornou um personagem importante da vida paracatuense — filho do meu saudoso patrão José Vicentino Ferreira.

PARACATU: ONDE O OURO DO PASSADO AINDA ILUMINA O CAMINHO DO PRESENTE

Por Aurélio Vidal – jornalista e pesquisador Voltar a Paracatu é como abrir um velho baú de memórias e encontrar, entre poeira e afeto, as marcas vivas da história do Brasil profundo. Conheci essa cidade em 1982, ainda adolescente, quando vim para o casamento de Florisval Ferreira — natural de Montes Claros, mais que se tornou um personagem importante da vida paracatuense — filho do

Centro de Grão Mogol, com a igreja e a praça da cidade.

Grão Mogol: a cidade das pedras e das águas encanta com sua história e belezas naturais

Localizada na parte mais alta da Serra Geral, no Norte de Minas Gerais, Grão Mogol é um destino que transborda belezas naturais, biodiversidade e uma rica herança ligada aos diamantes e ao período colonial dos séculos XVI e XIX. A história pulsante dessa cidade pode ser encontrada nas ruas e vielas, cuja pavimentação foi erguida com a mão de obra dos escravizados. Nas trilhas e

Escrevo estas linhas do Norte de Minas, longe dos salões refrigerados de Brasília, onde decisões são tomadas em silêncio e os estragos só chegam depois — sempre para os mesmos. Aqui no Sertão, onde a sobrevivência exige lucidez e coragem, acompanhar o colapso do Banco Master não é apenas um exercício jornalístico: é um dever moral.

BANCO MASTER: QUANDO O PODER FECHA O CERCO E O BRASIL PAGA A CONTA

Por Aurélio Vidal Escrevo estas linhas do Norte de Minas, longe dos salões refrigerados de Brasília, onde decisões são tomadas em silêncio e os estragos só chegam depois — sempre para os mesmos. Aqui no Sertão, onde a sobrevivência exige lucidez e coragem, acompanhar o colapso do Banco Master não é apenas um exercício jornalístico: é um dever moral. O que veio à tona com

Escrevo este texto a partir das minhas andanças pelo Brasil profundo — das capitais às pequenas cidades do Norte de Minas — e do compromisso jornalístico de confrontar prioridades públicas com a realidade que encontrei. Em tempos normais, o Carnaval é expressão cultural legítima. Em tempos excepcionais, porém, ele precisa ser reavaliado. E o Brasil vive um desses momentos.

CARNAVAL: A URGÊNCIA DE FREAR A FESTA QUANDO O PAÍS SANGRA

Por Aurélio Vidal Escrevo este texto a partir das minhas andanças pelo Brasil profundo — das capitais às pequenas cidades do Norte de Minas — e do compromisso jornalístico de confrontar prioridades públicas com a realidade que encontrei. Em tempos normais, o Carnaval é expressão cultural legítima. Em tempos excepcionais, porém, ele precisa ser reavaliado. E o Brasil vive um desses momentos. O quadro atual

Marcelo Aro passa a ser observado como um nome jovem, estratégico e com carisma político, capaz de dialogar com diferentes campos e reorganizar o desenho da disputa estadual.

SUCESSÃO EM MINAS: MARCELO ARO ALTERA O EIXO DA DISPUTA E REPOSICIONA O PROJETO DE ZEMA

Artigo de Opinião – Aurélio Vidal Tenho rodado bastante pelas bandas do Norte de Minas nos últimos meses. Conversado com prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias, produtores rurais, comerciantes e gente simples do povo. E confesso: há algo diferente no ar. Não é discurso ensaiado, nem entusiasmo fabricado de gabinete. É percepção concreta, sentida no chão da estrada — agora, diga-se de passagem, bem melhor do que

Voltar a Paracatu é como abrir um velho baú de memórias e encontrar, entre poeira e afeto, as marcas vivas da história do Brasil profundo. Conheci essa cidade em 1982, ainda adolescente, quando vim para o casamento de Florisval Ferreira — natural de Montes Claros, mais que se tornou um personagem importante da vida paracatuense — filho do meu saudoso patrão José Vicentino Ferreira.

PARACATU: ONDE O OURO DO PASSADO AINDA ILUMINA O CAMINHO DO PRESENTE

Por Aurélio Vidal – jornalista e pesquisador Voltar a Paracatu é como abrir um velho baú de memórias e encontrar, entre poeira e afeto, as marcas vivas da história do Brasil profundo. Conheci essa cidade em 1982, ainda adolescente, quando vim para o casamento de Florisval Ferreira — natural de Montes Claros, mais que se tornou um personagem importante da vida paracatuense — filho do

Quer ver mais conteúdos?

Assine Nossa Newsletter

E fique por dentro do contexto de Minas e de tudo que acontece no Brasil e no mundo.

Pod Sertão Pautando o melhor do Sertão Mineiro

Olá, visitante