CORONEL JOAQUIM COSTA: OS HOMENS QUE ABASTECERAM UMA CIDADE E ENTRARAM PARA A HISTÓRIA

Existem ruas que são apenas ruas. E existem ruas que guardam a alma de uma cidade. Para mim, a Coronel Joaquim Costa sempre foi uma dessas raras artérias da memória, um lugar onde Montes Claros pulsou durante décadas movida pelo trabalho, pela confiança e pela palavra empenhada de homens que construíram muito mais que negócios: construíram relações humanas e ajudaram a escrever parte da história econômica do Norte de Minas.

Por Aurélio Vidal

Existem ruas que são apenas ruas. E existem ruas que guardam a alma de uma cidade.

Para mim, a Coronel Joaquim Costa sempre foi uma dessas raras artérias da memória, um lugar onde Montes Claros pulsou durante décadas movida pelo trabalho, pela confiança e pela palavra empenhada de homens que construíram muito mais que negócios: construíram relações humanas e ajudaram a escrever parte da história econômica do Norte de Minas.

Houve um tempo em que praticamente todo o abastecimento da cidade passava por ali. A antiga rua Coronel Joaquim Costa e suas imediações concentravam armazéns, cerealistas, torrefações de café, casas comerciais e distribuidores que abasteciam tanto as famílias montes-clarenses quanto inúmeros comerciantes da região.

Antes da chegada dos grandes supermercados e das redes varejistas, era naquele pedaço da cidade que o povo encontrava de tudo: arroz, feijão, milho, café, açúcar, óleo, cereais e tantos outros produtos essenciais ao dia a dia.

Os bairros ainda não possuíam supermercados. Existiam algumas pequenas vendas espalhadas pela cidade, oferecendo poucos itens e, quase sempre, por preços mais elevados. Por isso, quem precisava fazer a compra do mês seguia para a Coronel Joaquim Costa.

Ali, o comércio tinha nome, sobrenome e rosto.

Eram comerciantes que conheciam seus clientes pelo nome. Sabiam onde moravam, conheciam suas famílias e, muitas vezes, vendiam fiado confiando apenas na honestidade da palavra.

Quando caminho pelas lembranças daquele tempo, vejo desfilar uma verdadeira galeria de homens que ajudaram a alimentar Montes Claros e que merecem ser lembrados pelas novas gerações.

Lembro-me de Severino Torquato de Araújo, referência do tradicional Armazém Maranhão, onde trabalhei por um curto período.

Do saudoso José Félix, do atacadista Armazém Leão.

De Juliano, à frente da atacadista Cerealista Planalto.

De Aníbal Morais, da Líder.

Do senhor Nenenzinho, que comandava o Armazém Bonfim.

De Gentil Soares, da inesquecível Cerealista Soares, um dos nomes mais respeitados daquele período.

Recordo também de Osmar e Dudu Cunha, do Comercial Ouro Verde; de Dalmo Rios, do Armazém Rios; de Zim Guanambi, do Armazém Guanambi; e de José Coelho Neto, dos Cereais Coelho.

Existem ruas que são apenas ruas. E existem ruas que guardam a alma de uma cidade.
Para mim, a Coronel Joaquim Costa sempre foi uma dessas raras artérias da memória, um lugar onde Montes Claros pulsou durante décadas movida pelo trabalho, pela confiança e pela palavra empenhada de homens que construíram muito mais que negócios: construíram relações humanas e ajudaram a escrever parte da história econômica do Norte de Minas.

Naquele universo comercial também se destacavam João de Durval e Fernando Santos, do Comercial Jaçanã; Aécio e Aderlande Costa Pereira, do Joia Supermercado; além do senhor Chico Coutinho, da Cerealista União.

Não posso deixar de mencionar Rui D’Angelis, do Comercial Salquer; Abel e Joaquim Português, do Armazém Lisboa, onde também trabalhei; João Galo, dos Cereais Galo; Carlúcio, do Café Indiano; Joaquim, do Café Cometa; e Geraldo Borges, do tradicional Café Diplomata. Também trabalhei no Varejão do amigo Flávio Roberto Magalhães, o saudoso Ró Magalhães.

Existem ruas que são apenas ruas. E existem ruas que guardam a alma de uma cidade.
Para mim, a Coronel Joaquim Costa sempre foi uma dessas raras artérias da memória, um lugar onde Montes Claros pulsou durante décadas movida pelo trabalho, pela confiança e pela palavra empenhada de homens que construíram muito mais que negócios: construíram relações humanas e ajudaram a escrever parte da história econômica do Norte de Minas.

Outro nome importante foi Manoel Caribé, pai do conhecido Caribezinho, que também deixou sua marca no setor de armazéns da cidade.

Na área industrial e comercial, destacaram-se ainda os irmãos Edgar, Diógenes e Renato Pereira, responsáveis pelo Sabão Ipê e pelo Óleo Boazinha, produtos que fizeram parte da rotina de milhares de famílias norte-mineiras.

Da mesma forma, Omar Antunes, através da Irsamasa, colocou no mercado o conhecido Óleo Mariflor, ainda em lata, fortalecendo a indústria regional e ajudando a consolidar a produção local.

Ivan Rabelo também foi um gigante do comércio de cereais e dos armazéns. Ao seu lado surgem outros nomes importantes, como João Melo e José Maria Melo, sendo que um deles chegou a ser sócio do próprio Ivan.

Na memória comercial da cidade também permanece a Casa Gênesio Tolentino, conduzida por Sebastião Landes Tolentino, e os Cereais Progresso, de Zeca Progresso.

E se existe um nome que se tornou praticamente uma instituição popular naquele universo comercial, esse nome é Zé Amaro, personagem que dispensa apresentações entre aqueles que viveram aquela época.

Entre tantas lembranças, faço questão de registrar também o pequeno armazém do senhor Joaquim Braga, pai do jornalista Paulo Braga, localizado na esquina da Coronel Joaquim Costa com a Rua Tiradentes. Um estabelecimento simples, mas que igualmente fazia parte daquele grande mosaico humano que transformou a rua no principal centro comercial da cidade.

Minhas recordações daquela região também se confundem com minha própria trajetória de vida. Foi ali que, aos nove anos de idade, comecei a engraxar sapatos. Minha caixa de engraxate ficava guardada na antiga Couro e Calçados Norte de Minas. Mais tarde, trabalhei no tradicional Cereais Vicentino, do senhor José Vicentino Ferreira, onde tive a felicidade de assinar minha primeira carteira profissional aos 13 anos de idade.

Minhas recordações daquela região também se confundem com minha própria trajetória de vida. Foi ali que, aos nove anos de idade, comecei a engraxar sapatos. Minha caixa de engraxate ficava guardada na antiga Couro e Calçados Norte de Minas. Mais tarde, trabalhei no tradicional Cereais Vicentino, do senhor José Vicentino Ferreira, onde tive a felicidade de assinar minha primeira carteira profissional aos 13 anos de idade.

Hoje, quando olho para a Coronel Joaquim Costa, vejo muito mais que uma rua. Vejo uma verdadeira universidade da vida. Um lugar onde aprendi sobre trabalho, dignidade, amizade e respeito.

O progresso transformou a cidade. Os supermercados e sacolões chegaram. Os hábitos mudaram. Muitos daqueles armazéns fecharam suas portas. Outros foram incorporados pelo tempo e pelas novas dinâmicas do comércio.

Mas nenhuma modernidade será capaz de apagar a importância daqueles homens que abasteceram Montes Claros durante décadas.

Eles ajudaram a movimentar a economia, fortaleceram famílias, geraram empregos e deixaram um legado que permanece vivo na memória daqueles que conheceram aquela época.

A cidade cresceu. O comércio se modernizou. As ruas mudaram de aparência. Mas a história continua guardando seus verdadeiros construtores.

E enquanto existir alguém disposto a contar essas histórias, os homens da Coronel Joaquim Costa jamais serão esquecidos.

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