Eu estava lá.
Na noite desta sexta-feira, 2 de outubro, acompanhei de perto a mobilização que levou Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira à Avenida Sanitária, em Montes Claros.
Mas, como jornalista, não fui apenas para registrar a chegada de políticos. Fui para observar o comportamento das pessoas, a dimensão da mobilização e aquilo que uma manifestação popular pode revelar quando vista sem filtros.
E houve um momento que me chamou particularmente a atenção.
Quando levantei meu drone e passei a enxergar a avenida de cima, confesso que fiquei admirado.
A Avenida Sanitária é enorme, com duas pistas. Um espaço assim pode produzir uma ilusão interessante: mesmo com muita gente reunida, a imagem aérea poderia revelar grandes áreas vazias.
Eu esperava exatamente essa possibilidade.
Mas não foi o que aconteceu.
O que apareceu diante das minhas lentes foi um mar de gente.
De cima, a dimensão da mobilização era ainda mais impressionante. A multidão ocupava a avenida e se espalhava por uma extensão considerável, produzindo uma imagem que, para quem estava no chão, talvez fosse difícil dimensionar.
E eu fiz questão de observar outro detalhe.
Não percebi naquele ato o mesmo formato de mobilizações organizadas com grandes caravanas vindas de diferentes municípios. Eu também estive em uma mobilização recente de Lula em Minas Gerais e observei os mesmos aspectos.
Fui testemunha dos dois momentos.
Não estou dizendo que uma manifestação determina o resultado de uma eleição. Não determina.
Manifestação é manifestação. Eleição é urna.
Mas quem trabalha há décadas com jornalismo de rua sabe que existe uma diferença entre simplesmente olhar uma fotografia e estar presente no local, caminhar entre as pessoas e acompanhar a movimentação de perto.
Foi isso que fiz.
E o que vi em Montes Claros foi uma mobilização que me chamou a atenção pela quantidade de pessoas e pela maneira como aquela avenida foi tomada.
A imprensa também registrou a presença expressiva de apoiadores e a declaração de Flávio Bolsonaro de que considera possível uma vitória no primeiro turno. Essa é a avaliação feita pelo próprio candidato.
Eu, particularmente, saí dali com uma impressão muito forte sobre o ambiente político que encontrei no Norte de Minas.
Mas não vou transformar impressão em pesquisa.
A resposta definitiva pertence às urnas.




