Há lugares onde a gente vai para participar de um evento. E há lugares onde a gente chega e sente que está entrando em uma história. Foi assim ontem, na Fazenda Katyra, lá pelas bandas da comunidade de Canto do Engenho, em Montes Claros, onde aconteceu a primeira edição do Katyra Modão e Churrasco — uma iniciativa que, já em sua estreia, mostrou que tradição, cultura, música e hospitalidade ainda têm lugar garantido no coração do nosso sertão.

Confesso: fiquei encantado com o que vi ali.
O Katyra Modão chegou em grande estilo, mas sem perder aquilo que talvez seja o seu maior diferencial: a simplicidade elegante do ambiente rural, o cheiro gostoso de roça, o verde, as flores espalhadas pelo jardim e aquele cenário rústico que parece conversar com a alma sertaneja. A fazenda, que já é palco da tradicional Cavalgada do Katyra, tem um charme muito particular. Cada cantinho parece ter sido pensado para acolher, mas sem deixar de ser aquilo que é: uma fazenda, com sua beleza natural e sua identidade.

E, no meio daquela paisagem, a música fez o restante.
Ainda no meio da tarde, um artista de Fruta de Leite abriu os trabalhos, trazendo para o jardim os primeiros acordes da viola e preparando o terreno para uma noite de muito sertanejo raiz. Era o André Viola, seguido pela dupla de irmãos Kayo Marques e Nataly, filhos do nosso querido amigo João Marques, e, na sequência, Luiz Henrique e Daniel. Para fechar a noite, Rael Alves manteve a energia lá em cima.

Foi uma verdadeira viagem pelas raízes da nossa música.
Enquanto a viola chorava suas primeiras modas, a gastronomia também fazia sua parte. Durante a tarde, uma farta mesa de café recebia os convidados, enquanto, ao lado, a costela e outras carnes lentamente ganhavam sabor sobre a churrasqueira. Vieram ainda a deliciosa farofa com vinagrete, pernil assado e diversos caldos, tudo com a assinatura da Juliana Buffet, garantindo que ninguém tivesse apenas os ouvidos alimentados naquela noite.
E, claro, o bar montado estrategicamente ao lado do palco era outro capítulo à parte: cerveja gelada, drinks, boas conversas e muita energia positiva completavam a receita.

Mas talvez o ingrediente mais especial daquela noite tenha sido mesmo o público.
Gente bonita, famílias, amigos e pessoas especiais, reunidas em um ambiente que parecia ter sido feito sob medida para elas. Era curioso observar aquilo: embora fosse um evento aberto, com bilheteria e também reservas de mesas, dava a impressão de que cada pessoa ali havia sido cuidadosamente escolhida para fazer parte daquele momento.

E talvez tenha sido exatamente isso.
Porque eventos assim não se constroem apenas com palco, som, artistas e estrutura. Eles se constroem com pessoas.
Família Katyra também é cultura sertaneja

Os anfitriões, como sempre, deram um verdadeiro show de simpatia, educação e hospitalidade. Receberam os convidados com aquele jeito simples e carismático que transforma uma propriedade rural em extensão da própria casa. E isso faz toda diferença.
O evento contou ainda com o apoio de marcas importantes, como Ipê, Café Letícia, Amstel, Nova Cintra e Arruda Alimentos, empresas que entenderam a importância de apoiar uma iniciativa que vai além do entretenimento: valoriza a cultura, movimenta a economia e ajuda a manter vivas as tradições do nosso povo.
E é justamente aí que, na minha visão, está a grandeza do Katyra Modão.
A Família Katyra, que carrega o sobrenome Moura, não está apenas promovendo festas. Está, de alguma maneira, ajudando a preservar uma identidade. A cavalgada, a viola, a moda de viola, a comida preparada com carinho, a fazenda aberta aos amigos, o encontro entre gerações e essa capacidade de transformar o espaço rural em lugar de convivência são manifestações legítimas da nossa cultura sertaneja.

Num mundo cada vez mais acelerado, onde tanta coisa parece perder suas raízes, iniciativas como essa nos lembram de onde viemos.
Porque preservar o sertão não é apenas guardar suas paisagens. É preservar seus sons, seus sabores, suas histórias, seus costumes e, principalmente, a maneira simples e generosa com que o sertanejo recebe quem chega.

Ontem, na Fazenda Katyra, a viola cantou, a churrasqueira trabalhou, a cerveja gelou e os amigos se encontraram.
E, entre uma moda e outra, ficou uma certeza:
a Família Katyra não fez apenas um evento. Fez cultura. Fez memória. E, mais uma vez, ajudou a escrever uma bonita página da história do nosso sertão.
Por Aurélio Vidal — Jornalista
Do sertão, onde as melhores histórias ainda começam com um encontro, uma boa conversa e uma viola afinada.



