ENTRE DECRETOS E AMARRAS: COMO BRASÍLIA SEGUE ENGESSANDO O NORTE DE MINAS

No último domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou novos decretos criando e ampliando reservas ambientais. Entre elas, está a chamada Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Córregos dos Vales do Norte de Minas, abrangendo áreas de Riacho dos Machados e Serranópolis de Minas, com mais de 40 mil hectares.

Por Aurélio Vidal

Mais uma vez, eu me vejo obrigado a registrar — com indignação e senso de responsabilidade — aquilo que muita gente insiste em ignorar: decisões tomadas em gabinetes distantes continuam determinando, sem diálogo real, o destino de quem vive e produz no Norte de Minas.

No último domingo (22/03), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou novos decretos criando e ampliando reservas ambientais. Entre elas, está a chamada Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Córregos dos Vales do Norte de Minas, abrangendo áreas de Riacho dos Machados e Serranópolis de Minas, com mais de 40 mil hectares.

No papel, tudo parece bonito. Fala-se em proteger o Cerrado, preservar nascentes, garantir o modo de vida de comunidades geraizeiras e enfrentar pressões da mineração e da monocultura de eucalipto. A narrativa é cuidadosamente construída para soar como salvação ambiental.

Mas eu pergunto: a que custo — e para quem?

Na prática, o que vejo, mais uma vez, é o Norte de Minas sendo transformado em território de restrições, onde produzir, investir e gerar emprego se torna cada vez mais difícil. Enquanto isso, regiões mais ricas seguem avançando, industrializando e crescendo. Aqui, ficamos com o discurso — e com as limitações.

A nova RDS se conecta ao Parque Estadual Serra Nova e ao Parque Estadual de Grão Mogol, formando um verdadeiro cinturão de áreas protegidas. E, curiosamente, sempre nas regiões onde ainda há potencial econômico a ser explorado. Coincidência? Eu já não acredito mais em coincidências quando o assunto é política pública no Brasil.

No último domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou novos decretos criando e ampliando reservas ambientais. Entre elas, está a chamada Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Córregos dos Vales do Norte de Minas, abrangendo áreas de Riacho dos Machados e Serranópolis de Minas, com mais de 40 mil hectares.

O governo federal, com o respaldo da ministra Marina Silva, insiste em vender a ideia de que essas medidas são essenciais para o futuro sustentável. No entanto, o que não se discute com transparência é o impacto direto sobre quem vive aqui: pequenos produtores, trabalhadores rurais e toda uma cadeia econômica que depende da liberdade para produzir.

E é aí que mora o perigo.

Sob o rótulo de “preservação”, o que se desenha, na minha visão, é um processo silencioso de controle territorial. A presença crescente de interesses externos, muitas vezes ligados a organizações internacionais e que envolve bilhões, levanta questionamentos legítimos que simplesmente não são debatidos com a sociedade local.

Eu venho alertando há anos: o Norte de Minas corre o risco de ser condenado a um modelo onde a riqueza natural existe, mas o povo permanece pobre. Onde a terra é protegida — mas o cidadão é esquecido.

Infelizmente, grande parte da população ainda não acompanha de perto essas decisões. E é justamente nesse silêncio que políticas como essa avançam, moldando o futuro da região sem o devido contraditório.

Seguimos assistindo, quase inertes, a um processo que pode aprofundar ainda mais a desigualdade regional. E eu, como jornalista e pesquisador, não posso me calar diante disso.


Mais uma vez, eu me vejo obrigado a registrar — com indignação e senso de responsabilidade — aquilo que muita gente insiste em ignorar: decisões tomadas em gabinetes distantes continuam determinando, sem diálogo real, o destino de quem vive e produz no Norte de Minas.

Eu venho alertando, desde o início, que essa batalha está longe de terminar. E não é por acaso.

Teve deputado que subiu no palanque, bateu no peito e, de forma oportunista e profundamente irresponsável, saiu anunciando aos quatro cantos que o problema estava resolvido — como se, por decreto verbal, a realidade pudesse ser apagada. Disse que a região do Alto Rio Pardo estava livre do avanço do ICMBio. Não estava. E não está.

O que vimos foi um claro exemplo de uso político de uma luta legítima. Um agente público que, ao invés de agir com responsabilidade e compromisso com a verdade, preferiu transformar a angústia de um povo em palco para autopromoção. Apropriou-se de um movimento popular sério para arrancar aplausos fáceis, enquanto a ameaça, na prática, continuava avançando nos bastidores.

Esse tipo de postura não apenas engana — ela desmobiliza, cria uma falsa sensação de segurança e enfraquece a capacidade de reação da própria população.

A realidade exige vigilância, não discurso vazio. Exige coragem, não encenação. E, acima de tudo, exige respeito com quem está na linha de frente dessa luta.

O Norte de Minas não precisa de mais amarras. Precisa de equilíbrio, responsabilidade e, acima de tudo, respeito com quem vive aqui.

Confira a matéria do governo federal:

https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/noticias/ultimas-noticias/pantanal-e-cerrado-do-norte-de-minas-ganham-maior-protecao-com-criacao-e-ampliacao-de-unidades-de-conservacao-federais

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