Por Aurélio Vidal
Eu nunca fiz jornalismo para agradar. Sempre fiz para incomodar — especialmente quando a coisa pública é tratada com descaso, conveniência ou covardia. Ao longo dos anos, denunciei abusos, a farra com recursos públicos e o comportamento oportunista de quem deveria, por obrigação, representar o povo com dignidade.
E é justamente por isso que hoje faço um alerta direto: o que mais preocupa neste momento não é apenas a crise política nacional, nem os escândalos recorrentes que sangram os cofres públicos. O que assusta é o silêncio. A omissão. A ausência de posicionamento claro de muitos prefeitos e vereadores, especialmente aqui no sertão do Norte de Minas.
O Brasil atravessa mais uma encruzilhada. E não se trata apenas de direita ou esquerda — trata-se de responsabilidade, coerência e coragem política. Não dá mais para aceitar gestores que governam com base em cálculo eleitoral, medindo cada palavra com medo de perder votos.
Prefeitos não foram eleitos para se esconder. Foram eleitos para liderar.
O que se vê, no entanto, é uma postura preocupante: gestores que evitam se posicionar, que se equilibram em cima do muro e que, na prática, se tornam coniventes com um sistema que já demonstrou, inúmeras vezes, sua capacidade de produzir rombos, escândalos e distorções.
Em 2022, isso ficou escancarado. Aqui no Norte de Minas, pouquíssimos prefeitos tiveram coragem de assumir uma posição clara. A ampla maioria preferiu o silêncio conveniente. Fingiram neutralidade, quando, na verdade, estavam apenas protegendo interesses próprios. Foi, sim, um comportamento covarde — e, mais do que isso, irresponsável.
A política exige coragem. E coragem não se negocia.
Não existe neutralidade quando o que está em jogo é o futuro do país. Quem se omite, escolhe — ainda que não tenha a coragem de admitir.
Estamos nos aproximando de mais um momento decisivo. Outubro não será apenas mais uma eleição. Será um teste de caráter para muitos agentes públicos. E, dessa vez, não haverá espaço para discursos vazios ou posturas ambíguas.
O povo está mais atento.
A sociedade já começa a entender que silêncio, na política, muitas vezes é estratégia — e quase sempre é conveniência. E conveniência, quando se trata de gestão pública, costuma andar de mãos dadas com a falta de compromisso.
É preciso dizer com todas as letras: os prefeitos precisam parar de ter medo de perder votos. Quem governa com medo, governa mal. Quem se esconde, trai a confiança de quem acreditou.

O Norte de Minas precisa de líderes — não de figurantes.
Chegou a hora de sair de cima do muro. De assumir posições. De demonstrar personalidade. De ter lado — não por ideologia cega, mas por convicção, responsabilidade e respeito com o dinheiro público e com a população.
Eu sigo fazendo o meu papel: denunciando, cobrando e provocando.
Porque o silêncio, esse sim, nunca foi uma opção.




