UM HOSPITAL QUE SAI DO PAPEL — E OUTROS QUE AINDA FALTAM

UM HOSPITAL QUE SAI DO PAPEL — E OUTROS QUE AINDA FALTAM

Por Aurélio Vidal

Tenho acompanhado com atenção o início das obras do Hospital Regional de Conselheiro Lafaiete, anunciado recentemente pelo Governo de Minas. O projeto prevê uma estrutura moderna, com cerca de cem leitos, incluindo UTIs, centro cirúrgico e pronto-atendimento, ocupando uma área de mais de 8,5 mil metros quadrados. Com investimento de R$ 33 milhões, o hospital deve beneficiar mais de 800 mil mineiros de 51 cidades, oferecendo serviços de média e alta complexidade e reduzindo o deslocamento de pacientes em busca de atendimento.

É uma conquista importante, fruto do trabalho sério e determinado do governador Romeu Zema, que tem se esforçado para reorganizar uma máquina pública que recebeu quebrada e endividada. Apesar de todas as dificuldades, o governo vem se superando a cada ação, entregando resultados concretos e resgatando a credibilidade do Estado.

Mas, como jornalista e homem do Norte de Minas, não posso deixar de olhar para o outro lado da realidade. A nossa região, composta por mais de 80 municípios, continua carente de grandes investimentos estruturantes na área da saúde. Montes Claros, principal polo do Norte, recebe diariamente pacientes vindos de toda parte — do Vale do Jequitinhonha e até do sul da Bahia.


As estradas que cortam essa imensa região — como a BR-251, tristemente conhecida como Rodovia da Morte, e a LMG-122 — têm registrado inúmeros acidentes fatais com pessoas que viajam em busca de atendimento médico que deveria estar mais próximo de suas casas.

Temos mais de um milhão de eleitores no Norte de Minas, mas elegemos apenas dois deputados federais e nenhum senador.

Essa situação não é apenas reflexo da falta de representatividade política, mas também da falta de consciência popular. Falta comprometimento do nosso próprio povo, que muitas vezes não entende o poder do voto.
A cada eleição, vemos cidadãos depositando seu voto sem reflexão, movidos apenas por promessas imediatistas — uma cesta básica, um botijão de gás, um favor pessoal. E depois, pagamos todos o preço alto dessas más escolhas: estradas sem manutenção, hospitais que nunca saem do papel e uma região inteira esquecida nos grandes planejamentos do Estado.

Temos mais de um milhão de eleitores no Norte de Minas, mas elegemos apenas dois deputados federais e nenhum senador. Falta voz, falta força e, principalmente, falta consciência coletiva. Enquanto isso, o Sul e o Centro de Minas seguem recebendo investimentos em hospitais, universidades e infraestrutura.

Tenho acompanhado com atenção o início das obras do Hospital Regional de Conselheiro Lafaiete, anunciado recentemente pelo Governo de Minas. O projeto prevê uma estrutura moderna, com cerca de cem leitos, incluindo UTIs, centro cirúrgico e pronto-atendimento, ocupando uma área de mais de 8,5 mil metros quadrados. Recentemente eu registrei esse flagrante, de uma ambulância da prefeitura de São Gonçalo do Abaeté, aqui em Montes Claros.

Não se trata de rivalidade regional, mas de justiça e equilíbrio. O que se celebra hoje em Conselheiro Lafaiete deveria ser o ponto de partida para repensar o futuro do Norte de Minas — uma terra produtiva, trabalhadora e leal, mas que há muito tempo não vê a cor de um grande projeto de saúde pública.

O hospital regional de Lafaiete é motivo de alegria para Minas, sim. Mas também deve servir de espelho e de alerta.
Porque o povo do Norte mineiro também merece ver o seu hospital sair do papel — e, mais que isso, precisa aprender a votar com consciência, pensando no coletivo, não apenas na barriga. Só assim deixaremos de depender da boa vontade dos poucos e passaremos a exigir o que é de direito de todos.

O descaso com o Norte de Minas não é apenas consequência da falta de representatividade política, mas também reflexo de um modelo federal de gestão que estimula a dependência e o assistencialismo.
Enquanto o governo estadual se desdobra para manter o básico funcionando, a União continua ignorando as demandas estruturais da nossa região.
Infelizmente, boa parte da população ainda é levada por políticas imediatistas e assistenciais que não libertam — apenas mantêm o povo refém da necessidade. O voto, que deveria ser instrumento de mudança, acaba sendo trocado por migalhas.

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