Por Aurélio Vidal
Tem gente que a gente não conhece só pelo que faz…
mas pelo que carrega.
E eu posso dizer, com a autoridade de quem viu de perto o tempo passar, que conheço Fábio Dias Sizilio desde menino. Cresci acompanhando não só a trajetória dele, mas também de toda a família: os irmãos Fabrício, Maurício (já saudoso) e a caçula Bianca. Fábio, inclusive, é o mais novo entre os homens — aquele que, muitas vezes, observa mais… mas guarda tudo.
Nascido em Montes Claros, aos 44 anos, ele traz no nome e no olhar o peso bonito de uma herança que não se mede em números — apesar de viver deles. Filho de dona Geralda Dias Sizilio e do inesquecível Mário Sizilio, Fábio cresceu dentro de uma família que ajudou a escrever, com trabalho e dignidade, parte importante da história comercial do nosso querido Major Prates.
E quem viveu os anos 70 e 80 sabe…
O Major Prates já foi um bairro amplamente discriminado, visto com desconfiança por muitos. Mas foi justamente ali, com o esforço de famílias como a dos Sizilio, que tudo começou a mudar. O tempo passou — e o que antes era margem, virou potência. Hoje, o bairro se consolidou como o maior centro comercial independente de Montes Claros. E isso não aconteceu por acaso.
Teve suor. Teve luta. Teve gente que acreditou antes de todo mundo.
Mas foi em 24 de janeiro de 2014 que a vida resolveu testar Fábio de verdade.
A perda do pai não foi só a despedida de um homem…
foi o momento em que o filho precisou se tornar continuidade.
E ele não fugiu.
Assumiu a contabilidade da família — hoje Contabilidade Sizilio — e, com firmeza e respeito, deu sequência ao projeto construído pelo velho Mário. Não apenas manteve… aprimorou. Não apenas herdou… honrou.
Mas Fábio não é feito só de planilhas e balanços.
Existe nele uma outra pulsação.
Uma batida que não cabe no escritório.
É aí que entra a Suwaco de Cobra — projeto que revela um Fábio diferente, mas ao mesmo tempo o mesmo. No palco, ele troca números por acordes, rotina por nostalgia, e leva o público direto para uma viagem sonora pelos anos 80. E não é qualquer viagem… é daquelas que fazem a gente lembrar quem era — e, por alguns minutos, voltar a ser.
E talvez seja isso que mais me chama atenção nele:
essa capacidade de equilibrar mundos.
De um lado, a responsabilidade de um contador sério.
Do outro, a liberdade de um artista que sente.
No meio disso tudo, existe ainda o pai.
Fábio é pai do jovem Zion, de 18 anos, estudante de Geografia na Universidade Estadual de Montes Claros. E aqui, mais uma vez, a vida se revela em ciclos bonitos: o filho que honrou o pai… agora forma o próprio filho para o mundo.

E eu, que já vi tanta história pelo sertão, digo sem medo:
há algo de raro nisso tudo.
Fábio é desses homens que não fazem barulho… mas deixam marca.
Que não pedem reconhecimento… mas merecem.
Que não esquecem de onde vieram… e por isso sabem exatamente para onde vão.
Entre números e acordes, ele segue.
Firmando raízes… e espalhando alegria.
E no fim das contas, talvez essa seja a maior contabilidade da vida:
somar afetos, multiplicar histórias…
e nunca deixar que o essencial entre no vermelho.




