Por Aurélio Vidal
As eleições estão se aproximando e, com elas, volta também uma pergunta que o povo precisa ter coragem de fazer a si mesmo: até quando vamos continuar votando nos mesmos políticos e esperar resultados diferentes?
O voto é uma das ferramentas mais poderosas que um cidadão possui. Ele não é apenas um gesto de participação democrática — é uma decisão capaz de mudar rumos, corrigir caminhos e, quando necessário, cortar o mal pela raiz.
Em 2018, quando Jair Bolsonaro chegou à Presidência da República, milhões de brasileiros demonstraram nas urnas que desejavam mudança. Foi um grito de insatisfação contra velhas práticas da política nacional. Mas ali também ocorreu um erro estratégico importante: enquanto o país escolhia um novo presidente, grande parte do eleitorado manteve no Congresso muitos dos mesmos deputados e senadores de sempre.
E é justamente no Congresso que boa parte das mudanças nasce — ou morre.
Não adianta renovar apenas o topo se as estruturas continuam dominadas pelos mesmos grupos, pelas mesmas alianças e pelos mesmos interesses que há décadas orbitam o poder.
Quem vive no interior sabe bem o peso dessas decisões. Políticas públicas mal estruturadas, burocracias abusivas e escândalos que se repetem envolvendo grandes grupos econômicos e instituições. Episódios que marcaram o país, como os escândalos envolvendo conglomerados empresariais e fraudes financeiras, mostram como erros e abusos no alto da estrutura acabam sempre respingando no bolso de quem trabalha, produz e paga impostos.
Por isso, a mudança verdadeira não nasce apenas de discursos inflamados ou de promessas de campanha. Ela nasce de decisões conscientes nas urnas.
E é aí que entra a responsabilidade do eleitor.
É hora de o povo refletir com seriedade:
Renovar de verdade deputados e senadores.
Não transformar a política em profissão vitalícia.
Defender limites de mandato — dois no máximo — para que o poder não se transforme em propriedade privada.
Há décadas carrego uma convicção pessoal: sempre que possível, prefiro apostar em candidatos novos, gente que ainda não teve mandato e que chega à política sem os vícios da velha engrenagem. Nem sempre é o caminho mais fácil, mas muitas vezes é o único que abre espaço real para mudanças.
A próxima eleição não pode ser apenas mais um ritual democrático.
Ela precisa ser um recado claro das urnas.
Chega de promessas recicladas.
Chega de sobrenomes eternos ocupando as mesmas cadeiras.
Se a reforma política não vem de dentro do sistema, ela pode — e deve — começar nas mãos do povo. E isso acontece no momento mais importante da democracia: quando cada eleitor decide, sozinho diante da urna, quem merece representá-lo.
Porque votar não é apenas escolher um candidato.
É decidir o futuro.




