“NOSSA CULPA, NOSSA MÁXIMA CULPA”!

Por Aurélio Vidal

O Norte de Minas sempre foi injustamente rotulado: pobre, seco, esquecido, improdutivo… Mas a verdade — que muitos insistem em esconder — é que essa narrativa serviu e ainda serve como artifício conveniente para os interesses escusos de grupos políticos que se aproveitam da nossa terra e da boa-fé do nosso povo.

Essa gente perversa, de paletó e gravata, vinda do setor público e do privado, age como verdadeiros algozes do sertão. Criam dependência com migalhas para manter o povo no cabresto. Alimentam um ciclo perverso de assistencialismo barato para continuar saqueando nossas riquezas — agora com disfarces modernos, mas com as mesmas práticas coloniais de sempre.

“Dão-se migalhas… e levam-se o ouro.”

Essa lógica não é nova. Já vinha nos tempos dos desbravadores portugueses e dos bandeirantes, que trocavam espelhos e quinquilharias por ouro, madeira e pedras preciosas. E o que mudou? Nada! Agora, em pleno século XXI, com internet no bolso e acesso à informação em tempo real, ainda há quem se deixe enganar por discursos vazios, promessas eleitoreiras e favores comprados.

É revoltante ver que, mesmo com solo fértil, água subterrânea em abundância e um povo trabalhador e resiliente, seguimos sendo tratados como “coitadinhos” do sertão. Essa gente ainda finge que aqui é um lugar miserável, quando na verdade somos um território riquíssimo — em biodiversidade, cultura e potencial produtivo.

O que nos falta não é capacidade. Falta vergonha na cara dos nossos representantes. Falta coragem para bater na mesa e exigir políticas públicas sérias, investimentos estruturantes, respeito à nossa história e valorização da nossa gente.

Por aqui, enquanto os parlamentares de Minas e Brasília fingem que não veem, “os gringos” chegam, exploram, mandam e desmandam — e os benefícios, como sempre, não ficam por aqui. O que fica é a poeira, a miséria disfarçada e o povo cada vez mais dependente.

A verdade é clara e cortante:
O Norte de Minas nunca foi pobre!
Foi explorado, saqueado, desprezado, sim.
Mas nunca pobre. Sofrido, sim. Abandonado, também.
Mas de onde brota cachaça, polvilho, frutas, minérios, energia e gente valente… não pode vir esse discurso hipócrita de pobreza.

Somos vítimas de uma omissão histórica. Barragens abandonadas, estradas esburacadas, hospitais precarizados e promessas não cumpridas.
Mas também somos culpados.
E essa é a nossa máxima culpa.

O que falta mesmo é o comprometimento e a responsabilidade por parte daqueles que se dizem nossos representantes, na promoção de políticas públicas sérias e de resultados.

Porque aceitamos calados. Porque vendemos o voto por favores. Porque damos ouvidos a falsos líderes que vivem do poder de manipular e controlar. Porque não estudamos o sistema. Porque não nos preparamos para votar com consciência, com autonomia, com firmeza.

Está na hora de dizer basta.
Chega de sermos figurantes da nossa própria história.
O momento é agora — e exige reflexão, coragem e reação.
Não somos invisíveis. Não somos miseráveis.
Somos o Norte de Minas, e merecemos respeito.

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