LULA ABRE AS PORTAS PARA A BANANA EQUATORIANA E FECHA OS OLHOS PARA O PRODUTOR BRASILEIRO

Diante dessa decisão, não posso me calar. O homem do campo do Norte de Minas, que acorda antes do sol, que enfrenta o calor escaldante e a dureza da terra, não merece ser tratado como peça descartável em um tabuleiro de alianças internacionais.

Por Aurélio Vidal – Jornalista

Escrevo este artigo tomado por uma indignação que não cabe no peito. Como jornalista e como homem profundamente ligado às raízes do Norte de Minas, tenho dedicado minha vida a exaltar o valor da nossa gente e a força da nossa cadeia produtiva. Somos um povo que fez da terra árida um campo fértil, que ergueu com suor e coragem polos de fruticultura reconhecidos em todo o Brasil – como os projetos irrigados de Pirapora e Jaíba, verdadeiras jóias do sertão mineiro.

E é justamente por isso que me revolta a notícia que chega de Brasília. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro com o presidente do Equador, Daniel Noboa, anunciou a volta da banana equatoriana ao Brasil. Primeiro, a desidratada; depois, até o fim de 2025, também a fruta in natura. A justificativa? Ampliar as parcerias regionais e fortalecer o comércio sul-americano.


Mas a que custo? E em nome de quem?
Não é segredo que a fruticultura brasileira já enfrenta uma batalha desigual: altos custos de produção, infraestrutura precária, falta de apoio logístico e a eterna desvalorização do produto no mercado interno.

Mas a que custo? E em nome de quem?

Não é segredo que a fruticultura brasileira já enfrenta uma batalha desigual: altos custos de produção, infraestrutura precária, falta de apoio logístico e a eterna desvalorização do produto no mercado interno. Agora, somem-se a isso as toneladas de banana equatoriana entrando livremente em nosso território, competindo de forma desleal com o suor do nosso povo.

E o problema não é apenas econômico. Há riscos fitossanitários graves, como a entrada do vírus BBrMV e outras doenças que já devastaram plantações no Equador, a exemplo da Sigatoca-negra. Não é de hoje que produtores brasileiros lutam na Justiça para evitar que essas ameaças cruzem nossas fronteiras. O bloqueio de 1997, reforçado em 2018, não foi obra de capricho: foi um ato de defesa da nossa soberania agrícola. Agora, tudo isso é jogado por terra, em nome de acordos políticos e interesses externos.

Agora, somem-se a isso as toneladas de banana equatoriana entrando livremente em nosso território, competindo de forma desleal com o suor do nosso povo.

Diante dessa decisão, não posso me calar. O homem do campo do Norte de Minas, que acorda antes do sol, que enfrenta o calor escaldante e a dureza da terra, não merece ser tratado como peça descartável em um tabuleiro de alianças internacionais. Nossa produção é mais que estatística: é vida, é renda, é dignidade para milhares de famílias.

Deixo aqui minha solidariedade às instituições sérias e combativas, como a Abanorte – Associação Central dos Fruticultores do Norte de Minas, ASLIM – Associação de Produtores de Limão e outras frutas da Região do Jaíba e tantas outras que promovem e defendem a fruticultura regional. Precisamos unir forças, ampliar o diálogo, fortalecer nossas representações e mostrar ao Brasil que não aceitaremos passivamente ver nosso suor desvalorizado.

O sertão mineiro não se curva. É terra de resistência, de gente que luta e transforma. E eu, Aurélio Vidal, estarei sempre atento e vigilante, denunciando cada passo que comprometa o futuro da nossa produção e da nossa gente.

Não é de hoje que produtores brasileiros lutam na Justiça para evitar que essas ameaças cruzem nossas fronteiras. O bloqueio de 1997, reforçado em 2018, não foi obra de capricho: foi um ato de defesa da nossa soberania agrícola.

Porque o campo não pode parar. E o Brasil precisa, antes de tudo, valorizar o que nasce de sua própria terra.

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