CÂMARA MUNICIPAL DE MONTES CLAROS E A FARRA COM O DINHEIRO PÚBLICO

Farra com o dinheiro público

(*) Aurélio Vidal

Montes Claros tem avançado nos últimos anos no que diz respeito à infraestrutura urbana. Ruas sendo pavimentadas, avenidas que há anos estavam com as obras abandonadas e foram retomadas, concluídas e entregues para a população pelo atual prefeito Humberto Souto. Mas, infelizmente, no legislativo municipal não se percebe esse mesmo comprometimento e seriedade na busca de resultados para a população. Eu tenho denunciado sempre, e já faz um bom tempo que venho tentando chamar a atenção da sociedade para que se atenha aos “trabalhos” dessa casa legislativa.

Ando pelos quatro cantos da nossa região, e por isso mesmo tenho percebido que os abusos e mazelas não são exclusividade do município de Montes Claros. Em várias cidades, as câmaras municipais seguem na mesma pegada: abusos, mazelas e falta de respeito com a coisa pública. Na maioria das vezes legal, mas extremamente IMORAL!  Um dos exemplos é a cidade de Taiobeiras, no Norte de Minas, apesar da ótima gestão do executivo municipal. Farra com diárias e faltas nas reuniões ordinárias no plenário são apenas um exemplo. Por lá, existem vereadores que faltaram à praticamente 50% das reuniões durante um determinado ano!

Mas voltando a Montes Claros, a Câmara Municipal teve o orçamento aprovado para este ano de 2023, em quase 3 dezenas de milhões de reais – (R$ 27.660.000,00). Cada vereador recebe em torno de 20 mil reais de salário, mais outra bagatela de cerca de 20 mil reais de verba de gabinete para contratação de assessores, além de direito a carro locado para cada um dos 23 gabinetes, mais verba para combustível, diárias para viagens, mais um grande aparato de modernos equipamentos e recursos humanos (pessoal), efetivos e contratados, lotados na assessoria de comunicação e na TV Câmara. Tudo isso, com direito a DUAS FÉRIAS ao longo do ano!

Bem diferente da realidade do trabalhador brasileiro!

Mas, infelizmente, aquela casa legislativa não tem produzido resultados satisfatórios a favor do município e da sociedade, em benefício das pessoas que pagam essa conta alta, extremamente absurda e injusta.

Ao longo dos anos, o que mais testemunhamos naquele suntuoso “Salão do Colunismo Social Norte Mineiro”, são as chamadas homenagens, títulos de cidadão benemérito, cidadão honorário, Placa Alferes José Lopes, nomes (priorizados) de ruas e avenidas, além das audiências públicas que em sua grande maioria não dão em nada! Vale ressaltar, também, que os vereadores não cumprem com a suas devidas funções: LEGISLAR E FISCALIZAR!

O regimento daquela casa prevê duas reuniões ordinárias semanais, o que não acontece há anos. Como ninguém questiona, e a mídia normalmente se faz de cega, surda e muda, “o bonde” segue conforme a conveniência dos “nobres” edis daquela “residência”. Portanto, o custo/benefício é impossível de ser contabilizado, posto que o CUSTO é infinitamente maior do que o BENEFÍCIO!

Caso aquela casa legislativa fosse uma empresa privada, já tinha quebrado há muito tempo, posto que o respeito com a coisa pública, que deveria ser cumprido, não é regra, mas sim exceção.

(*) Jornalista

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