ÁGUAS DE CHUVA, A MELHOR DAS DORES DE CABEÇA

default

(*) Aurélio Vidal

Ontem, 22/02, estive percorrendo a zona rural de Montes Claros, Juramento e Francisco Sá. Na oportunidade, fui buscar informações sobre o volume de água da barragem de Juramento e como estariam ocorrendo algumas enchentes e alagamentos por estas bandas. Busquei observar também o que estaria sendo feito para conter os transtornos e garantir a segurança da população sertaneja.

Durante as andanças deste dia, estive na comunidade de Santana do Mundo, onde está localizada a barragem de Juramento, passei pela comunidade de Canaci na zona rural de Capitão Enéas e tentei margear o rio verde grande no município de Montes Claros. Mas devido ao tempo fechado prometendo ainda mais chuva, e as condições da estrada, confesso que não foi nada fácil, tanto que não consegui finalizar a tarefa. Confesso, entretanto, que é muito agradável de ver um momento tão lindo e abençoado, quando as barraginhas e os rios estão transbordando pontes, estradas rurais e até rodovias de grande fluxo, e a barragem de Juramento prestes a “sangrar”. Isso é sinal de um ano de boa colheita e muita fartura!

A água das chuvas tem proporcionado muita alegria na população sertaneja que conhece bem as dificuldades enfrentadas no meio rural, agravadas pelos longos períodos de estiagem.

Ainda assim, e diante dos diversos transtornos e prejuízos causados pelo grande volume das águas de chuvas que tem caído nos últimos dias em toda a região, pode-se dizer que a culpa é exatamente pela falta de políticas públicas responsáveis.

Uma boa atuação dos poderes públicos de forma integrada, e mais efetiva, poderia evitar tais transtornos, evitando convivermos com tamanho descaso.

Temos que agradecer a Deus por este bem tão precioso que chega em um momento tão oportuno.

O velho e sistemático hábito dos “poderes” de promover apenas paliativos e não se preocupar de fato em viabilizar as necessárias e importantes obras estruturantes como barragens e drenagens, por não viabilizarem políticas públicas mais eficazes no sentido de garantir resultados seguros e reais para o nosso povo, aquelas que de fato resolvam e não apenas amenizem os problemas e impactos diversos, é o maior culpado pelos grandes estragos causados pelas fortes chuvas.

As enchentes, alagamentos tem gerado dores de cabeça, prejuízos e tristeza para algumas famílias, sendo apenas a consequência deste grave problema. A causa de tudo o que se tem testemunhado por aqui é exatamente a falta de comprometimento e de respeito com a coisa pública por parte dos nosso políticos.

Apesar do gigantesco volume de dinheiro que sai dos cofres públicos, os políticos passam todo o mandato buscando apenas garantir a manutenção e ampliação de suas bases de apoio. Eles esquecem das obrigações com a sociedade, pensando apenas no próprio “umbigo” e sempre agindo conforme a conveniência de seus interesses.

Mas ainda assim é gratificante testemunhar essa chuva caindo de maneira tão abundante e generosa, aliviando nossos problemas e gerando boas expectativas para os produtores rurais do nosso sertão, seja ele grande, médio e, principalmente, os pequenos.

As águas de chuva, além de garantirem a manutenção e reabastecimento do lençol freático, de fundamental importância para a vida humana e também silvestre, é muito leve e tem pH alcalino, contendo microorganismos que têm a capacidade de produzir vitamina B12 como um subproduto metabólico de sua atividade.

Se as águas, entretanto, trazem saúde para o campo, nas cidades o perigo é ela alimentar as doenças provenientes da expansão das moléstias tropicais, como a dengue, por exemplo.

Portanto, vamos procurar fazer a nossa parte, cuidando das nossas propriedades, não deixando água parada nos quintais, descartando o lixo de forma regular, principalmente em vias públicas, ajudando a preservar os canais de escoamento, a desobstrução de bueiros e, principalmente, agradecer a Deus por esta benção que literalmente cai do céu.

No mais, é orar para que o Todo Poderoso tenha misericórdia de todo o nosso povo e que o Altíssimo abençoe gestores públicos mais responsáveis e com comprometimento, buscando honrar os seus compromissos e cumprir com as suas reais obrigações de forma justa, coerente e responsável.

(*) Empreendedor social e jornalista

default
Veja Mais

Artigos Relacionados:

Centro de Grão Mogol, com a igreja e a praça da cidade.

Grão Mogol: a cidade das pedras e das águas encanta com sua história e belezas naturais

Localizada na parte mais alta da Serra Geral, no Norte de Minas Gerais, Grão Mogol é um destino que transborda belezas naturais, biodiversidade e uma rica herança ligada aos diamantes e ao período colonial dos séculos XVI e XIX. A história pulsante dessa cidade pode ser encontrada nas ruas e vielas, cuja pavimentação foi erguida com a mão de obra dos escravizados. Nas trilhas e

Escrevo estas linhas do Norte de Minas, longe dos salões refrigerados de Brasília, onde decisões são tomadas em silêncio e os estragos só chegam depois — sempre para os mesmos. Aqui no Sertão, onde a sobrevivência exige lucidez e coragem, acompanhar o colapso do Banco Master não é apenas um exercício jornalístico: é um dever moral.

BANCO MASTER: QUANDO O PODER FECHA O CERCO E O BRASIL PAGA A CONTA

Por Aurélio Vidal Escrevo estas linhas do Norte de Minas, longe dos salões refrigerados de Brasília, onde decisões são tomadas em silêncio e os estragos só chegam depois — sempre para os mesmos. Aqui no Sertão, onde a sobrevivência exige lucidez e coragem, acompanhar o colapso do Banco Master não é apenas um exercício jornalístico: é um dever moral. O que veio à tona com

Escrevo este texto a partir das minhas andanças pelo Brasil profundo — das capitais às pequenas cidades do Norte de Minas — e do compromisso jornalístico de confrontar prioridades públicas com a realidade que encontrei. Em tempos normais, o Carnaval é expressão cultural legítima. Em tempos excepcionais, porém, ele precisa ser reavaliado. E o Brasil vive um desses momentos.

CARNAVAL: A URGÊNCIA DE FREAR A FESTA QUANDO O PAÍS SANGRA

Por Aurélio Vidal Escrevo este texto a partir das minhas andanças pelo Brasil profundo — das capitais às pequenas cidades do Norte de Minas — e do compromisso jornalístico de confrontar prioridades públicas com a realidade que encontrei. Em tempos normais, o Carnaval é expressão cultural legítima. Em tempos excepcionais, porém, ele precisa ser reavaliado. E o Brasil vive um desses momentos. O quadro atual

Marcelo Aro passa a ser observado como um nome jovem, estratégico e com carisma político, capaz de dialogar com diferentes campos e reorganizar o desenho da disputa estadual.

SUCESSÃO EM MINAS: MARCELO ARO ALTERA O EIXO DA DISPUTA E REPOSICIONA O PROJETO DE ZEMA

Artigo de Opinião – Aurélio Vidal Tenho rodado bastante pelas bandas do Norte de Minas nos últimos meses. Conversado com prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias, produtores rurais, comerciantes e gente simples do povo. E confesso: há algo diferente no ar. Não é discurso ensaiado, nem entusiasmo fabricado de gabinete. É percepção concreta, sentida no chão da estrada — agora, diga-se de passagem, bem melhor do que

Voltar a Paracatu é como abrir um velho baú de memórias e encontrar, entre poeira e afeto, as marcas vivas da história do Brasil profundo. Conheci essa cidade em 1982, ainda adolescente, quando vim para o casamento de Florisval Ferreira — natural de Montes Claros, mais que se tornou um personagem importante da vida paracatuense — filho do meu saudoso patrão José Vicentino Ferreira.

PARACATU: ONDE O OURO DO PASSADO AINDA ILUMINA O CAMINHO DO PRESENTE

Por Aurélio Vidal – jornalista e pesquisador Voltar a Paracatu é como abrir um velho baú de memórias e encontrar, entre poeira e afeto, as marcas vivas da história do Brasil profundo. Conheci essa cidade em 1982, ainda adolescente, quando vim para o casamento de Florisval Ferreira — natural de Montes Claros, mais que se tornou um personagem importante da vida paracatuense — filho do

Centro de Grão Mogol, com a igreja e a praça da cidade.

Grão Mogol: a cidade das pedras e das águas encanta com sua história e belezas naturais

Localizada na parte mais alta da Serra Geral, no Norte de Minas Gerais, Grão Mogol é um destino que transborda belezas naturais, biodiversidade e uma rica herança ligada aos diamantes e ao período colonial dos séculos XVI e XIX. A história pulsante dessa cidade pode ser encontrada nas ruas e vielas, cuja pavimentação foi erguida com a mão de obra dos escravizados. Nas trilhas e

Escrevo estas linhas do Norte de Minas, longe dos salões refrigerados de Brasília, onde decisões são tomadas em silêncio e os estragos só chegam depois — sempre para os mesmos. Aqui no Sertão, onde a sobrevivência exige lucidez e coragem, acompanhar o colapso do Banco Master não é apenas um exercício jornalístico: é um dever moral.

BANCO MASTER: QUANDO O PODER FECHA O CERCO E O BRASIL PAGA A CONTA

Por Aurélio Vidal Escrevo estas linhas do Norte de Minas, longe dos salões refrigerados de Brasília, onde decisões são tomadas em silêncio e os estragos só chegam depois — sempre para os mesmos. Aqui no Sertão, onde a sobrevivência exige lucidez e coragem, acompanhar o colapso do Banco Master não é apenas um exercício jornalístico: é um dever moral. O que veio à tona com

Escrevo este texto a partir das minhas andanças pelo Brasil profundo — das capitais às pequenas cidades do Norte de Minas — e do compromisso jornalístico de confrontar prioridades públicas com a realidade que encontrei. Em tempos normais, o Carnaval é expressão cultural legítima. Em tempos excepcionais, porém, ele precisa ser reavaliado. E o Brasil vive um desses momentos.

CARNAVAL: A URGÊNCIA DE FREAR A FESTA QUANDO O PAÍS SANGRA

Por Aurélio Vidal Escrevo este texto a partir das minhas andanças pelo Brasil profundo — das capitais às pequenas cidades do Norte de Minas — e do compromisso jornalístico de confrontar prioridades públicas com a realidade que encontrei. Em tempos normais, o Carnaval é expressão cultural legítima. Em tempos excepcionais, porém, ele precisa ser reavaliado. E o Brasil vive um desses momentos. O quadro atual

Marcelo Aro passa a ser observado como um nome jovem, estratégico e com carisma político, capaz de dialogar com diferentes campos e reorganizar o desenho da disputa estadual.

SUCESSÃO EM MINAS: MARCELO ARO ALTERA O EIXO DA DISPUTA E REPOSICIONA O PROJETO DE ZEMA

Artigo de Opinião – Aurélio Vidal Tenho rodado bastante pelas bandas do Norte de Minas nos últimos meses. Conversado com prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias, produtores rurais, comerciantes e gente simples do povo. E confesso: há algo diferente no ar. Não é discurso ensaiado, nem entusiasmo fabricado de gabinete. É percepção concreta, sentida no chão da estrada — agora, diga-se de passagem, bem melhor do que

Voltar a Paracatu é como abrir um velho baú de memórias e encontrar, entre poeira e afeto, as marcas vivas da história do Brasil profundo. Conheci essa cidade em 1982, ainda adolescente, quando vim para o casamento de Florisval Ferreira — natural de Montes Claros, mais que se tornou um personagem importante da vida paracatuense — filho do meu saudoso patrão José Vicentino Ferreira.

PARACATU: ONDE O OURO DO PASSADO AINDA ILUMINA O CAMINHO DO PRESENTE

Por Aurélio Vidal – jornalista e pesquisador Voltar a Paracatu é como abrir um velho baú de memórias e encontrar, entre poeira e afeto, as marcas vivas da história do Brasil profundo. Conheci essa cidade em 1982, ainda adolescente, quando vim para o casamento de Florisval Ferreira — natural de Montes Claros, mais que se tornou um personagem importante da vida paracatuense — filho do

Quer ver mais conteúdos?

Assine Nossa Newsletter

E fique por dentro do contexto de Minas e de tudo que acontece no Brasil e no mundo.

Pod Sertão Pautando o melhor do Sertão Mineiro

Olá, visitante