A DIREITA PRECISA APRENDER A CAMINHAR JUNTAS — OU CONTINUARÁ PERDENDO SOZINHA

E é justamente daqui que faço uma constatação incômoda, porém necessária: a Direita brasileira, especialmente em regiões como a nossa, sofre menos pela força do adversário e mais pela própria incapacidade de se organizar, dialogar e agir com maturidade política.

*Aurélio Vidal

Escrevo como jornalista, observador atento da cena política e, acima de tudo, como alguém que acompanha de perto a realidade do Norte de Minas. E é justamente daqui que faço uma constatação incômoda, porém necessária: a Direita brasileira, especialmente em regiões como a nossa, sofre menos pela força do adversário e mais pela própria incapacidade de se organizar, dialogar e agir com maturidade política.

Enquanto isso, a Esquerda — sobretudo o PT — dá uma aula de pragmatismo. Não se vê petistas se atacando publicamente com a frequência quase doentia que se observa entre pessoas que se dizem de direita. Divergências existem, claro, mas são tratadas internamente. Em público, prevalece a estratégia, a disciplina e o foco no projeto de poder. Rede social, para eles, é ferramenta. Para nós, muitas vezes, virou campo de batalha fratricida.

No Norte de Minas, o cenário é ainda mais preocupante. O que se vê são disputas pequenas, vaidades infladas e conflitos artificiais entre companheiros de caminhada. Picuinhas, ataques pessoais, insinuações rasteiras e disputas por protagonismo tomam o lugar do debate sério. E isso, convenhamos, é tudo o que a Esquerda mais deseja: uma Direita dividida, barulhenta, desorganizada e ocupada em se autodestruir.

Estamos em um ano decisivo, de eleição presidencial. O foco deveria ser um só: frear o avanço da Esquerda, expor seus erros, denunciar escândalos e apresentar alternativas reais ao país. Mas o que vemos? Gente que se diz “patriota” mais preocupada em bater em políticos municipais, criar polêmicas locais artificiais e caçar likes nas redes sociais do que enfrentar o verdadeiro problema nacional.

Alguns já deixaram claro — ainda que não assumam publicamente — que o objetivo não é causa alguma, muito menos desenvolvimento econômico regional ou compromisso social. O que impera é a conveniência, a autopromoção e o projeto pessoal para 2028. Não há visão de país, não há senso coletivo, não há responsabilidade histórica.

Enquanto isso, escândalos gravíssimos vão sendo empurrados para debaixo do tapete: casos envolvendo o INSS, Banco Máster e tantos outros. A Esquerda cria cortinas de fumaça com maestria, e nós ajudamos, distraídos, brigando entre nós mesmos. Já não bastassem as narrativas do sistema, parece que parte da chamada Direita faz questão de colaborar com o esquecimento.

Fica então a pergunta, dura, porém honesta: será que o déficit cognitivo está mesmo apenas nos petistas alienados, ou parte do povo que se diz “patriota” também se deixou levar pela imaturidade política, pela vaidade e pela incapacidade de enxergar o tabuleiro maior?

Está mais do que na hora de usar inteligência, estratégia e senso de prioridade. Divergências existem e sempre existirão, mas elas não podem se transformar em sabotagem interna. Os adversários estão do outro lado, não dentro do próprio grupo.

No Norte de Minas, o cenário é ainda mais preocupante. O que se vê são disputas pequenas, vaidades infladas e conflitos artificiais entre companheiros de caminhada. Picuinhas, ataques pessoais, insinuações rasteiras e disputas por protagonismo tomam o lugar do debate sério. E isso, convenhamos, é tudo o que a Esquerda mais deseja: uma Direita dividida, barulhenta, desorganizada e ocupada em se autodestruir.

Ou acordamos para a realidade e entendemos a gravidade do momento histórico, ou continuaremos perdendo antes mesmo da batalha começar. Quem não está disposto a somar, organizar e fortalecer o grupo deveria, ao menos, ter a honestidade de sair do caminho. Assim causará menos danos à tropa que segue na linha de frente desse combate difícil, desigual e, sim, cruel.

A luta é grande demais para ser desperdiçada com vaidades pequenas.

Estive ouvindo uma entrevista na CNN em que Rodrigo Garcia aponta, com clareza, essa grave falha recorrente da Direita: a desunião, a falta de estratégia coletiva e o desperdício de energia em conflitos internos que só fortalecem o adversário.

Espero ser compreendido e não mal-interpretado. Esta reflexão não nasce de vaidade ou ataque pessoal, mas de uma preocupação genuína com o bem da coletividade, com o interesse comum e com o futuro que estamos construindo — ou deixando de construir.

Veja Mais

Artigos Relacionados:

Centro de Grão Mogol, com a igreja e a praça da cidade.

Grão Mogol: a cidade das pedras e das águas encanta com sua história e belezas naturais

Localizada na parte mais alta da Serra Geral, no Norte de Minas Gerais, Grão Mogol é um destino que transborda belezas naturais, biodiversidade e uma rica herança ligada aos diamantes e ao período colonial dos séculos XVI e XIX. A história pulsante dessa cidade pode ser encontrada nas ruas e vielas, cuja pavimentação foi erguida com a mão de obra dos escravizados. Nas trilhas e

Escrevo estas linhas do Norte de Minas, longe dos salões refrigerados de Brasília, onde decisões são tomadas em silêncio e os estragos só chegam depois — sempre para os mesmos. Aqui no Sertão, onde a sobrevivência exige lucidez e coragem, acompanhar o colapso do Banco Master não é apenas um exercício jornalístico: é um dever moral.

BANCO MASTER: QUANDO O PODER FECHA O CERCO E O BRASIL PAGA A CONTA

Por Aurélio Vidal Escrevo estas linhas do Norte de Minas, longe dos salões refrigerados de Brasília, onde decisões são tomadas em silêncio e os estragos só chegam depois — sempre para os mesmos. Aqui no Sertão, onde a sobrevivência exige lucidez e coragem, acompanhar o colapso do Banco Master não é apenas um exercício jornalístico: é um dever moral. O que veio à tona com

Escrevo este texto a partir das minhas andanças pelo Brasil profundo — das capitais às pequenas cidades do Norte de Minas — e do compromisso jornalístico de confrontar prioridades públicas com a realidade que encontrei. Em tempos normais, o Carnaval é expressão cultural legítima. Em tempos excepcionais, porém, ele precisa ser reavaliado. E o Brasil vive um desses momentos.

CARNAVAL: A URGÊNCIA DE FREAR A FESTA QUANDO O PAÍS SANGRA

Por Aurélio Vidal Escrevo este texto a partir das minhas andanças pelo Brasil profundo — das capitais às pequenas cidades do Norte de Minas — e do compromisso jornalístico de confrontar prioridades públicas com a realidade que encontrei. Em tempos normais, o Carnaval é expressão cultural legítima. Em tempos excepcionais, porém, ele precisa ser reavaliado. E o Brasil vive um desses momentos. O quadro atual

Marcelo Aro passa a ser observado como um nome jovem, estratégico e com carisma político, capaz de dialogar com diferentes campos e reorganizar o desenho da disputa estadual.

SUCESSÃO EM MINAS: MARCELO ARO ALTERA O EIXO DA DISPUTA E REPOSICIONA O PROJETO DE ZEMA

Artigo de Opinião – Aurélio Vidal Tenho rodado bastante pelas bandas do Norte de Minas nos últimos meses. Conversado com prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias, produtores rurais, comerciantes e gente simples do povo. E confesso: há algo diferente no ar. Não é discurso ensaiado, nem entusiasmo fabricado de gabinete. É percepção concreta, sentida no chão da estrada — agora, diga-se de passagem, bem melhor do que

Voltar a Paracatu é como abrir um velho baú de memórias e encontrar, entre poeira e afeto, as marcas vivas da história do Brasil profundo. Conheci essa cidade em 1982, ainda adolescente, quando vim para o casamento de Florisval Ferreira — natural de Montes Claros, mais que se tornou um personagem importante da vida paracatuense — filho do meu saudoso patrão José Vicentino Ferreira.

PARACATU: ONDE O OURO DO PASSADO AINDA ILUMINA O CAMINHO DO PRESENTE

Por Aurélio Vidal – jornalista e pesquisador Voltar a Paracatu é como abrir um velho baú de memórias e encontrar, entre poeira e afeto, as marcas vivas da história do Brasil profundo. Conheci essa cidade em 1982, ainda adolescente, quando vim para o casamento de Florisval Ferreira — natural de Montes Claros, mais que se tornou um personagem importante da vida paracatuense — filho do

Centro de Grão Mogol, com a igreja e a praça da cidade.

Grão Mogol: a cidade das pedras e das águas encanta com sua história e belezas naturais

Localizada na parte mais alta da Serra Geral, no Norte de Minas Gerais, Grão Mogol é um destino que transborda belezas naturais, biodiversidade e uma rica herança ligada aos diamantes e ao período colonial dos séculos XVI e XIX. A história pulsante dessa cidade pode ser encontrada nas ruas e vielas, cuja pavimentação foi erguida com a mão de obra dos escravizados. Nas trilhas e

Escrevo estas linhas do Norte de Minas, longe dos salões refrigerados de Brasília, onde decisões são tomadas em silêncio e os estragos só chegam depois — sempre para os mesmos. Aqui no Sertão, onde a sobrevivência exige lucidez e coragem, acompanhar o colapso do Banco Master não é apenas um exercício jornalístico: é um dever moral.

BANCO MASTER: QUANDO O PODER FECHA O CERCO E O BRASIL PAGA A CONTA

Por Aurélio Vidal Escrevo estas linhas do Norte de Minas, longe dos salões refrigerados de Brasília, onde decisões são tomadas em silêncio e os estragos só chegam depois — sempre para os mesmos. Aqui no Sertão, onde a sobrevivência exige lucidez e coragem, acompanhar o colapso do Banco Master não é apenas um exercício jornalístico: é um dever moral. O que veio à tona com

Escrevo este texto a partir das minhas andanças pelo Brasil profundo — das capitais às pequenas cidades do Norte de Minas — e do compromisso jornalístico de confrontar prioridades públicas com a realidade que encontrei. Em tempos normais, o Carnaval é expressão cultural legítima. Em tempos excepcionais, porém, ele precisa ser reavaliado. E o Brasil vive um desses momentos.

CARNAVAL: A URGÊNCIA DE FREAR A FESTA QUANDO O PAÍS SANGRA

Por Aurélio Vidal Escrevo este texto a partir das minhas andanças pelo Brasil profundo — das capitais às pequenas cidades do Norte de Minas — e do compromisso jornalístico de confrontar prioridades públicas com a realidade que encontrei. Em tempos normais, o Carnaval é expressão cultural legítima. Em tempos excepcionais, porém, ele precisa ser reavaliado. E o Brasil vive um desses momentos. O quadro atual

Marcelo Aro passa a ser observado como um nome jovem, estratégico e com carisma político, capaz de dialogar com diferentes campos e reorganizar o desenho da disputa estadual.

SUCESSÃO EM MINAS: MARCELO ARO ALTERA O EIXO DA DISPUTA E REPOSICIONA O PROJETO DE ZEMA

Artigo de Opinião – Aurélio Vidal Tenho rodado bastante pelas bandas do Norte de Minas nos últimos meses. Conversado com prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias, produtores rurais, comerciantes e gente simples do povo. E confesso: há algo diferente no ar. Não é discurso ensaiado, nem entusiasmo fabricado de gabinete. É percepção concreta, sentida no chão da estrada — agora, diga-se de passagem, bem melhor do que

Voltar a Paracatu é como abrir um velho baú de memórias e encontrar, entre poeira e afeto, as marcas vivas da história do Brasil profundo. Conheci essa cidade em 1982, ainda adolescente, quando vim para o casamento de Florisval Ferreira — natural de Montes Claros, mais que se tornou um personagem importante da vida paracatuense — filho do meu saudoso patrão José Vicentino Ferreira.

PARACATU: ONDE O OURO DO PASSADO AINDA ILUMINA O CAMINHO DO PRESENTE

Por Aurélio Vidal – jornalista e pesquisador Voltar a Paracatu é como abrir um velho baú de memórias e encontrar, entre poeira e afeto, as marcas vivas da história do Brasil profundo. Conheci essa cidade em 1982, ainda adolescente, quando vim para o casamento de Florisval Ferreira — natural de Montes Claros, mais que se tornou um personagem importante da vida paracatuense — filho do

Quer ver mais conteúdos?

Assine Nossa Newsletter

E fique por dentro do contexto de Minas e de tudo que acontece no Brasil e no mundo.

Pod Sertão Pautando o melhor do Sertão Mineiro

Olá, visitante