Por Aurélio Vidal
Como jornalista, procuro sempre acompanhar de perto tudo aquilo que está relacionado ao desenvolvimento da nossa região. Nesta semana, de forma remota, busquei acompanhar, em Goiânia (GO), o 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito — Concred 2026 — e saio dessa experiência com uma percepção muito clara: a participação do Sicoob Credinor em um evento dessa dimensão fortalece ainda mais a instituição e demonstra que o cooperativismo financeiro tem um papel estratégico no desenvolvimento do interior brasileiro — e, aqui no nosso sertão de Minas Gerais, não tem sido diferente.
Realizado entre os dias 26 e 28 de agosto, no Centro de Convenções da PUC Goiás, o evento é considerado o maior encontro de cooperativismo financeiro do mundo. Foram cerca de 2,5 mil participantes, entre dirigentes, gestores e especialistas, além de mais de 60 palestras e painéis.
O tema central — “Cooperativismo Financeiro: no campo e na cidade, juntos na construção de um futuro sustentável” — não poderia ser mais oportuno.
Foi justamente olhando para essa conexão entre campo e cidade que observei a importante participação do Sicoob Credinor, representado no congresso pelo presidente Dario Colares e pelos diretores Ailton José Vieira, Alexandre Vianna e Érique Morais.
Para mim, como jornalista que acompanha há décadas a realidade do Norte de Minas, essa presença tem um significado que vai além de uma participação institucional. É uma oportunidade de observar como uma experiência construída no interior pode dialogar com um debate nacional sobre os caminhos e o futuro do sistema financeiro
cooperativo.
O crédito como instrumento de desenvolvimento
Quem conhece o interior sabe que crédito não é apenas uma operação financeira.
Para o pequeno produtor, pode significar a possibilidade de plantar. Para o comerciante, ampliar o negócio. Para o empreendedor, contratar, investir e gerar renda. Para uma empresa, modernizar sua estrutura. E, para muitas famílias, representa a oportunidade de transformar um projeto em realidade.
É por isso que considero importante acompanhar de perto a evolução do cooperativismo financeiro.
A Credinor tem sua trajetória construída no Norte de Minas, iniciada com o objetivo de atender aos interesses do produtor rural. Ao longo dos anos, porém, ampliou sua atuação e passou a acompanhar as transformações econômicas e sociais da região.
O desafio atual, entretanto, é maior.
Não basta apenas disponibilizar crédito. É preciso compreender as novas necessidades de quem vive no campo e nas cidades, incorporar tecnologia, melhorar serviços e, ao mesmo tempo, preservar aquilo que considero uma das grandes forças do cooperativismo: a proximidade com as pessoas.
Um setor que ganhou força
Os números apresentados no Concred ajudam a dimensionar o tamanho que o cooperativismo financeiro alcançou no Brasil.
São mais de 22,6 milhões de cooperados, reunidos em 748 cooperativas de crédito, com mais de 9,6 mil pontos de atendimento espalhados pelo país.
O sistema já movimenta mais de R$ 856 bilhões em ativos e responde por mais de 121 mil empregos diretos.
São números expressivos.
Mas, particularmente, acredito que o principal indicador não esteja apenas nos bilhões movimentados. Está na capacidade de fazer o dinheiro circular mais próximo de quem produz, empreende e movimenta a economia local.
E isso é especialmente importante para regiões como o Norte de Minas.
Tecnologia, sim. Distanciamento, não.
Outro aspecto que me chamou a atenção durante o congresso foi a discussão sobre inovação e transformação digital.
O sistema financeiro está mudando rapidamente. Novas tecnologias, inteligência artificial, plataformas digitais e diferentes modelos de atendimento já fazem parte da realidade do setor.
A questão, na minha avaliação, é saber modernizar sem perder a essência.
Tecnologia deve aproximar, não afastar.
Uma cooperativa pode ter os melhores sistemas digitais disponíveis, mas continuará precisando conhecer a realidade do produtor rural, do comerciante, do empresário e da família que estão do outro lado da operação.
A Feira de Negócios do Concred mostrou justamente essa busca por soluções capazes de tornar o cooperativismo mais eficiente e preparado para o futuro.
O interior também constrói o futuro
O Concred 2026 reforçou algo que venho defendendo há muito tempo: o desenvolvimento do Brasil não pode ser pensado apenas a partir dos grandes centros.
O interior produz, empreende, gera empregos, movimenta a economia e cria oportunidades.
No Norte de Minas, temos produtores rurais, agricultores familiares, comerciantes, pequenas empresas e empreendedores que precisam de instituições capazes de compreender suas particularidades.
É nesse ambiente que vejo o cooperativismo financeiro ganhando ainda mais relevância.
Quando passo por pequenos municípios como Mirabela, São João do Paraíso, Buenópolis e tantos outros onde tive a oportunidade de encontrar uma agência do Credinor, confesso que fico imensamente feliz. Sei que, nesses lugares, os empreendedores e o nosso povo sertanejo têm um parceiro importante para buscar crédito, movimentar seus negócios e ajudar a fortalecer a economia local.
A presença de uma instituição financeira cooperativa nesses municípios representa, para mim, muito mais do que uma agência. É a presença de uma estrutura que conhece melhor a realidade regional e que pode contribuir para que recursos permaneçam circulando dentro da própria comunidade.
A visão de quem participou do congresso
Por telefone, conversei com o nosso amigo Ailton Vieira, que me relatou alguns dos pontos que mais chamaram sua atenção durante o congresso. Segundo ele, entre os principais temas estiveram o cenário geopolítico, as transformações do mundo globalizado e as tendências provocadas pelas novas tecnologias.
Ailton também destacou a importância da presença de uma cooperativa de crédito nos municípios e em todo o território onde atua, ressaltando que sua lógica é diferente daquela praticada pelas instituições financeiras convencionais.
“O que mais me chamou a atenção foi a discussão sobre o cenário geopolítico, o mundo globalizado e as tendências das novas tecnologias. Também foi muito debatida a importância de uma cooperativa de crédito para os municípios e para todo o território onde está presente. Nossa atuação é diferente da dos bancos convencionais. O sistema cooperativo permite melhores condições na prática operacional e nos produtos oferecidos, justamente porque os associados não são apenas clientes: eles são donos do negócio. Isso fortalece as parcerias e contribui diretamente para o desenvolvimento econômico da região”, explicou Ailton.
Também por telefone, conversei com o presidente do Sicoob Credinor, Dario Colares, no momento em que ele se encontrava no Aeroporto de Goiânia, embarcando de volta para Montes Claros. Mesmo em meio à correria da viagem, ele nos atendeu prontamente e falou sobre a experiência de participar do 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito — Concred 2026.
Segundo Dario Colares, o congresso, realizado a cada dois anos, representa uma importante oportunidade de integração entre as mais diversas lideranças e sistemas do cooperativismo de crédito brasileiro.
“Naturalmente, a participação da Credinor é muito importante, porque temos a oportunidade de nos conectar e trocar experiências com as mais diversas lideranças do cooperativismo brasileiro. É um congresso que reúne vários sistemas, não apenas o Sicoob. Estão presentes representantes do Sicredi, Cresol e de outras instituições, o que proporciona uma abordagem muito ampla sobre os desafios e o futuro do cooperativismo.”
O presidente destacou ainda a diversidade dos temas debatidos durante o evento, envolvendo questões técnicas e estratégicas para o setor.
“Foram abordados temas como risco de crédito, agronegócio, relações humanas, tecnologia e, principalmente, o próprio cooperativismo. Tivemos palestras técnicas muito interessantes, mas algo fundamental é que, no cooperativismo, o foco sempre são as pessoas. Trabalhamos com essa visão de inclusão, participação e valorização das pessoas.”
Dario também ressaltou a importância de acompanhar a evolução tecnológica e as transformações do mercado, sem perder os princípios que diferenciam o modelo cooperativista.
“São assuntos que nos interessam diretamente e que evoluem a todo momento. Passamos por um processo de desenvolvimento cada vez mais ligado à tecnologia, e precisamos acompanhar essas mudanças para continuarmos inseridos e competitivos no mercado. Mas tudo isso deve acontecer preservando a essência do cooperativismo e a valorização das pessoas.”
Para o presidente, a participação no Concred representa um ganho significativo para a instituição e para seus dirigentes. A delegação do Sicoob Credinor contou com a presença dos diretores Ailton José Vieira, Alexandre Vianna e Érique Morais, além do próprio presidente.
“Foi, de fato, um congresso muito importante e representativo para nós. A promoção realizada pela Confebras reúne experiências, conhecimentos e lideranças de todo o país. O ganho que levamos dessa participação é extraordinário, principalmente pela oportunidade de aprendizado, integração e troca de experiências”, relatou Dario Colares.
O futuro também passa pelo interior
A participação no Concred 2026 reforçou em mim uma percepção que considero importante: o cooperativismo brasileiro está diante de uma grande oportunidade — crescer sem perder suas raízes, inovar sem abandonar as pessoas e transformar resultados financeiros em desenvolvimento real nos territórios onde está presente.
E, quando falamos de desenvolvimento regional, continuo acreditando que o campo e as cidades precisam caminhar juntos.
O futuro do interior brasileiro também será construído pela capacidade de unir crédito, produção, tecnologia, empreendedorismo e cooperação.
É dessa união, da força de quem produz, empreende e coopera, que podemos construir um futuro mais sustentável — inclusive para o nosso querido e ainda tão pouco reconhecido Norte de Minas.
E, como jornalista e sertanejo, continuarei acompanhando e mostrando essas iniciativas que ajudam a revelar um outro Brasil: o Brasil que nasce, trabalha, produz e constrói oportunidades longe dos grandes centros.
Aurélio Vidal
Jornalista, pesquisador e comunicador do Sertão




