No último sábado, durante a cobertura jornalística do show do cantor Zezé Di Camargo na Expô Taiobeiras, vivi uma situação lamentável enquanto realizava meu trabalho como profissional de imprensa — atividade que exerço há cerca de 25 anos e que acompanho nas festividades de Taiobeiras há quase duas décadas.

Durante a cobertura aérea do evento, um integrante da produção do show acabou derrubando meu drone. De forma tranquila e respeitosa, me dirigi até os bastidores do palco apenas para recolher o equipamento, que infelizmente estava danificado. Em nenhum momento houve discussão, agressividade ou qualquer tipo de conflito da minha parte, fato presenciado por várias testemunhas.
No entanto, ao recuperar o aparelho, percebi que o cartão de memória havia sido retirado. Foi então que passei a questionar e solicitar a devolução do cartão, já que nele estavam armazenados dois dias completos de trabalho, incluindo toda a cobertura do show do cantor Wesley Safadão, realizado na noite anterior.
Gostaria de deixar claro que eu estava no pleno exercício da minha função, atuo de forma totalmente regularizada. Meu drone é homologado e licenciado pela ANAC, equipado com tecnologia de inteligência artificial, sensores anti-colisão e monitoramento via satélite. Antes do voo, todos os procedimentos técnicos necessários foram devidamente realizados durante a cobertura da Expô Taiobeiras, cobertura que realizo naquela cidade há quase 20 anos com responsabilidade, ética e respeito.
Tratava-se de um evento aberto ao público, realizado com recursos públicos, onde a imprensa possui papel fundamental na divulgação, transparência e registro histórico. A cobertura jornalística, inclusive com o uso de equipamentos devidamente regularizados, faz parte do exercício legítimo da profissão e da liberdade de imprensa garantida pela Constituição.
Na ocasião, o chefe da produção informou que buscaria resolver a situação e pediu que eu aguardasse enquanto conversaria com os demais integrantes da equipe. Entretanto, o tempo passou, toda a estrutura do show foi desmontada, o artista deixou o local acompanhado da equipe, e eu permaneci sem respostas e sem o cartão de memória, item de extrema importância profissional.
Diante disso, publiquei uma nota em meu portal, o Contexto Minas, relatando o ocorrido de forma serena e transparente, apenas com o objetivo de buscar uma solução e o devido ressarcimento pelos prejuízos sofridos.
Posteriormente, mantive contato com a produção do artista e, na quarta-feira, recebi retorno por meio de Manuel Camargo, irmão de Zezé, oportunidade em que alinhamos uma conversa cordial para avaliação e resolução do caso.
Entretanto, a repercussão nacional da nota acabou gerando uma série de ataques e críticas direcionadas ao artista Zezé Di Camargo, situação que sinceramente tem me deixado desconfortável e triste.
Faço questão de destacar que, em tudo o que presenciei, Zezé foi extremamente educado, humilde, atencioso e carismático com os fãs e com toda a equipe presente. Inclusive, estive com ele no camarim horas antes da apresentação e pude testemunhar sua cordialidade. O artista realizou um show memorável, com mais de duas horas de duração, proporcionando uma apresentação histórica para a Expô Taiobeiras e para todo o nosso sertão.

Jamais tive a intenção de causar desgaste à imagem do cantor. Minha intenção sempre foi apenas fazer com que a situação chegasse ao conhecimento dele, acreditando que haveria disposição para resolver o problema de maneira justa e respeitosa.
Reitero que desejo apenas a devolução do meu cartão de memória e o ressarcimento pelos danos sofridos. Tenho convicção de que tudo será solucionado da melhor forma possível e espero, sinceramente, que Zezé Di Camargo volte muitas outras vezes ao nosso sertão, onde sempre foi recebido com carinho e admiração.
Aurélio Vidal
Jornalista e diretor do portal Contexto Minas




