Por Aurélio Vidal – jornalista e pesquisador
Ao longo de décadas percorrendo o sertão das Minas Gerais — primeiro como mascate, depois como jornalista — aprendi a distinguir visitas protocolares de presença efetiva. E é preciso reconhecer: Romeu Zema é, até aqui, o governador mineiro que mais visitou o Norte de Minas. Sua presença constante na região criou uma relação política e institucional que vai além dos palanques.
Nesta semana, em Montes Claros, acompanhei um encontro que reuniu lideranças políticas e representantes do agronegócio do Norte do estado. A reunião, organizada pela Associação dos Sindicatos dos Produtores Rurais do Norte de Minas (Aspronorte), colocou frente a frente produtores, dirigentes de instituições financeiras, representantes do setor público e o próprio governador.

Ali, o clima era de diálogo direto — característica que tenho observado com frequência nas agendas realizadas no interior. Entre os presentes, destaco nomes de peso para a economia regional: Dário Colares, presidente do Sicoob Credinor, instituição que tem papel estratégico no crédito rural; Reginaldo Ferreira, diretor do BDMG e conterrâneo de Salinas; Flávio Oliveira, presidente da Sociedade Rural; e a produtora Hilda Losch, que hoje desenvolve a vitivinicultura na zona rural de Claro dos Poções, mostrando que o sertão também pode produzir vinhos de qualidade e agregar valor à terra.
A presença do presidente da AMAMS, Ronaldo Mota Dias, no encontro com o governador Romeu Zema e os produtores rurais reforçou o protagonismo municipalista e a importância da união institucional na defesa dos interesses do Norte de Minas.

O que se discutiu ali foi mais do que política partidária. Falou-se de regularização fundiária, crédito, segurança jurídica, desburocratização e desenvolvimento regional. A Ouvidoria-Geral do Estado, que já vinha realizando atendimentos presenciais em cidades como Fruta de Leite e São João da Ponte, reforçou a proposta de aproximar o Estado do produtor rural. Agricultores puderam registrar demandas, sugestões e questionamentos, além de receber orientação sobre canais permanentes de atendimento e ferramentas para simplificação de processos administrativos.

A produtora Hilda Losch, presenteou o governador Romeu Zema, com uma garrafa de vinho norte mineiro
Tenho convicção de que o produtor do Norte de Minas não quer privilégios. Ele quer clareza nas regras, acesso a financiamento, titulação da terra e menos entraves. Quando o Estado se desloca até onde o produtor está, algo muda na lógica histórica da distância entre governo e interior.
Um anúncio que altera o cenário político
Foi nesse mesmo encontro que Romeu Zema confirmou que deixará o governo em 22 de março, antecipando em alguns dias o prazo legal de desincompatibilização para disputar a Presidência da República. A decisão reposiciona o tabuleiro político mineiro.
Zema reiterou apoio ao atual vice-governador, Mateus Simões, que assumirá o comando do Executivo e deverá disputar a reeleição. No evento, o prefeito de Montes Claros, Guilherme Guimarães, fez um gesto público que foi interpretado como sinal de alinhamento ao projeto nacional do governador.
Independentemente das preferências partidárias, o fato é que Minas passa a viver uma transição planejada. E o Norte de Minas, historicamente esquecido em outros tempos, hoje participa ativamente dessas articulações.
Saúde pública: avanço estrutural
Paralelamente à agenda política e rural, acompanhei a vistoria das obras da Unidade Básica de Saúde do bairro Bela Paisagem, na região do Grande Santos Reis, em Montes Claros. A estrutura já supera 85% de execução e deverá atender aproximadamente 8 mil pessoas.
A nova UBS contará com duas equipes de Saúde da Família, consultórios médicos e odontológicos, sala de vacinação e farmácia. O investimento soma cerca de R$ 1 milhão por parte do Estado, com contrapartida municipal próxima de R$ 939 mil. Desde 2019, Montes Claros já recebeu mais de R$ 93 milhões voltados à Atenção Primária, além de recursos expressivos via programas como o Valora Minas e o Opera Mais.
Mas, para além das cifras, o que me chama atenção é o impacto direto na base da sociedade. Atenção primária forte significa prevenção, acompanhamento contínuo e menos sobrecarga hospitalar.
O Norte de Minas sempre exigiu mais ação do que discurso. Ao testemunhar produtores rurais debatendo crédito e regularização, lideranças financeiras discutindo desenvolvimento e obras concretas avançando na área da saúde, reforço uma percepção pessoal: desenvolvimento regional acontece quando há presença, diálogo e continuidade administrativa.
O sertão mineiro é resiliente. E quando o poder público pisa no chão quente da realidade local — ouvindo, investindo e assumindo compromissos — abre-se espaço para um novo ciclo de maturidade institucional.
Entre o campo e a cidade, o que vi foi movimento. E movimento, na política e na economia, é sinal de transformação.




