Por Aurélio Vidal
Escrevo este alerta com a inquietação de quem observa o tabuleiro global mudar diante dos nossos olhos — e quase ninguém parece disposto a encarar o tamanho da virada. A China avança em silêncio estratégico, mas com números que falam alto. Em 2025, o país já declara ter colocado em operação mais de 10 mil robôs humanoides, apropriando-se de mais da metade do mercado mundial nesse segmento emergente. O faturamento, estimado em US$ 1,14 bilhão, é apenas a face visível de algo muito maior.
O Futuro Automatizado Tem Dono — E Ele Fala Mandarim
Quando ampliamos o foco, o cenário se torna ainda mais preocupante. Somente em um ano, a China instalou quase 300 mil robôs industriais, elevando sua frota ativa para mais de 2 milhões de unidades. É um contingente que supera, sozinho, o restante do planeta somado. Não se trata de um salto pontual, mas de uma trajetória contínua de domínio tecnológico e produtivo.
Há projeções internacionais que falam em 2 milhões de robôs humanoides no mundo em apenas uma década, podendo chegar a 300 milhões até 2050. É importante dizer: não existe um plano oficial chinês com esse número cravado. Mas reduzir o alerta a uma questão semântica seria ingenuidade. A China não trabalha com metas espetaculosas para discursos; trabalha com estratégia, escala e constância.
O que vejo é uma política clara de automação agressiva da manufatura, sustentada por subsídios robustos, investimentos pesados em pesquisa e desenvolvimento e uma integração quase perfeita entre Estado, indústria e universidades. Enquanto outros países ainda debatem impactos sociais e éticos da automação, Pequim executa.

E aqui reside o ponto que mais me preocupa: quem controla a tecnologia de base controla cadeias produtivas, empregos, dados, padrões industriais — e, no limite, soberania. O domínio chinês sobre robótica e inteligência aplicada à produção não é apenas um avanço econômico; é um reposicionamento geopolítico.
O mundo parece hipnotizado por narrativas de curto prazo, enquanto a China constrói, peça por peça, um futuro automatizado sob sua liderança. Não se trata de demonizar um país, mas de reconhecer um fato: quem chega primeiro e em escala dita as regras. Ignorar isso hoje pode custar muito caro amanhã.
Este não é um texto de pânico, mas de vigilância. A história mostra que impérios não caem apenas por guerras — muitos sucumbem por atraso tecnológico. E, neste momento, o relógio não está parado. Ele corre. E corre rápido.




