SERRA NOVA: ENTRE A PRESERVAÇÃO E A JUSTIÇA FUNDIÁRIA

O Parque Estadual de Serra Nova e Talhado, localizado na cadeia do Espinhaço, é um patrimônio ambiental inquestionável. Com seus campos rupestres e predominância do Cerrado — sem os resquícios de Mata Atlântica que, equivocadamente, alguns insistem em mencionar — a unidade de conservação abrange municípios como Rio Pardo de Minas, Serranópolis de Minas, Porteirinha, Riacho dos Machados e Mato Verde. Preservar é necessário. Mas fazer justiça é indispensável.

Por Aurélio Vidal

Eu conheço aquela terra não pelos relatórios técnicos frios ou pelas linhas impessoais do Diário Oficial. Conheço pelo cheiro do café no fogão a lenha, pela conversa franca na varanda e pelo olhar apreensivo de quem acorda todos os dias sem saber se continuará dono do chão que herdou do pai — e este, do avô.

O Parque Estadual de Serra Nova e Talhado, localizado na cadeia do Espinhaço, é um patrimônio ambiental inquestionável. Com seus campos rupestres e predominância do Cerrado — sem os resquícios de Mata Atlântica que, equivocadamente, alguns insistem em mencionar — a unidade de conservação abrange municípios como Rio Pardo de Minas, Serranópolis de Minas, Porteirinha, Riacho dos Machados e Mato Verde.

Preservar é necessário.
Mas fazer justiça é indispensável.

Em abril de 2022, o Governo de Minas, sob a liderança do governador Romeu Zema, firmou com o Ministério Público do Estado de Minas Gerais um Termo de Ajustamento de Conduta prevendo a regularização fundiária de aproximadamente 13 mil hectares, com investimentos estimados em R$ 37 milhões, além da elaboração do plano de manejo e estruturação do parque.

O Parque Estadual de Serra Nova e Talhado, localizado na cadeia do Espinhaço, é um patrimônio ambiental inquestionável. Com seus campos rupestres e predominância do Cerrado — sem os resquícios de Mata Atlântica que, equivocadamente, alguns insistem em mencionar — a unidade de conservação abrange municípios como Rio Pardo de Minas, Serranópolis de Minas, Porteirinha, Riacho dos Machados e Mato Verde.

Preservar é necessário.
Mas fazer justiça é indispensável.

Foi um passo importante para enfrentar um passivo histórico: durante anos, criaram-se unidades de conservação sem a devida indenização ou titularização das terras. Uma dívida jurídica — e moral — com o povo do sertão.

O TAC estabeleceu prazo de 48 meses para a conclusão da regularização. Houve avanços. Em outubro de 2025, estive presente na cidade de Rio Pardo de Minas acompanhando a entrega de milhares de títulos, em cerimônia que contou com a presença do vice-governador Mateus Simões. Foi um momento histórico.

Eu acompanhei cada etapa.

Também enfrentei, com firmeza, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), denunciando aquilo que muitos moradores da região das Nascentes Geraizeiras relatavam como perseguições, autuações desproporcionais e multas pesadas contra famílias humildes. Foram reuniões, manifestações, audiências públicas. A mobilização ultrapassou as serras e ganhou eco no Senado Federal, por meio do então presidente da CPI das ONGs, o senador Plínio Valério.

Eu acompanhei cada etapa.
Também enfrentei, com firmeza, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), denunciando aquilo que muitos moradores da região das Nascentes Geraizeiras relatavam como perseguições, autuações desproporcionais e multas pesadas contra famílias humildes. Foram reuniões, manifestações, audiências públicas. A mobilização ultrapassou as serras e ganhou eco no Senado Federal, por meio do então presidente da CPI das ONGs, o senador Plínio Valério.

Nunca foi uma luta contra o meio ambiente.
Sempre foi uma luta por segurança jurídica.

O TAC estabeleceu prazo de 48 meses para a conclusão da regularização. Houve avanços. Em outubro de 2025, estive presente na cidade de Rio Pardo de Minas acompanhando a entrega de milhares de títulos, em cerimônia que contou com a presença do vice-governador Mateus Simões. Foi um momento histórico.

Mas fevereiro de 2026 nos encontra ainda com pendências.

Diversas famílias da comunidade rural de Serra Nova continuam aguardando o título definitivo de suas terras. Eu me sentei à mesa com Seu Gumercindo e Dona Creuza. Ouvi os apelos do amigo Antônio Cardoso. Conversei com Seu Delfino Moreira, Dona Janaína, José Luiz, José Ramalho e tantos outros. São histórias de décadas de trabalho, de gerações formadas sob o medo silencioso de perder aquilo que sempre lhes pertenceu de fato.

Neste final de semana de carnaval, estarei novamente com eles, na comunidade de Serra Nova. Teremos uma reunião para alinhar uma nova cobrança institucional junto ao governador Romeu Zema — o único, até aqui, que de fato demonstrou sensibilidade concreta com o nosso povo sertanejo e tem dado atenção real ao Norte de Minas.

Foi um passo importante para enfrentar um passivo histórico: durante anos, criaram-se unidades de conservação sem a devida indenização ou titularização das terras. Uma dívida jurídica — e moral — com o povo do sertão.

Zema tem promovido obras estruturantes, fortalecido políticas públicas e avançado no resgate da dignidade e da autonomia deste território historicamente esquecido. Mas é preciso concluir o processo iniciado. A titularização não pode ficar pela metade.

Zema tem promovido obras estruturantes, fortalecido políticas públicas e avançado no resgate da dignidade e da autonomia deste território historicamente esquecido. Mas é preciso concluir o processo iniciado. A titularização não pode ficar pela metade.

Regularização fundiária não é detalhe burocrático.
É segurança.
É paz social.
É desenvolvimento sustentável de verdade.

Sem ela, não há plano de manejo que funcione plenamente, não há turismo consolidado, não há justiça completa.

Sou testemunha de que o processo precisa ser retomado com urgência e finalizado com responsabilidade. As terras devem ser definitivamente entregues a quem tem direito histórico e legal — famílias que nunca foram invasoras, mas guardiãs silenciosas daquela paisagem.

Preservar a natureza é dever.
Mas preservar a dignidade humana é obrigação maior.

E o sertanejo do Alto Rio Pardo merece respeito — não amanhã, mas agora.

Veja Mais

Artigos Relacionados:

Centro de Grão Mogol, com a igreja e a praça da cidade.

Grão Mogol: a cidade das pedras e das águas encanta com sua história e belezas naturais

Localizada na parte mais alta da Serra Geral, no Norte de Minas Gerais, Grão Mogol é um destino que transborda belezas naturais, biodiversidade e uma rica herança ligada aos diamantes e ao período colonial dos séculos XVI e XIX. A história pulsante dessa cidade pode ser encontrada nas ruas e vielas, cuja pavimentação foi erguida com a mão de obra dos escravizados. Nas trilhas e

FLÁVIO BOLSONARO E MONTES CLAROS VISTA DE CIMA: O QUE EU VI NA NOITE DE ONTEM

Eu estava lá. Na noite desta sexta-feira, 2 de outubro, acompanhei de perto a mobilização que levou Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira à Avenida Sanitária, em Montes Claros. Mas, como jornalista, não fui apenas para registrar a chegada de políticos. Fui para observar o comportamento das pessoas, a dimensão da mobilização e aquilo que uma manifestação popular pode revelar quando vista sem filtros. E houve

Quem vive o sertão mineiro sabe que motocicleta não é apenas um meio de transporte. É companheira de estrada, ferramenta de trabalho, veículo para vencer distâncias e, para muitos, também uma paixão. Foi com esse olhar que acompanhei, no finalzinho da tarde de ontem, em Montes Claros, a apresentação oficial da AZ170 BRAVO, novo modelo da Avelloz, representada na região pela Altemar Motos.

ALTEMAR MOTOS – AVELLOZ ACELERA NO SERTÃO COM O LANÇAMENTO DA NOVA AZ170 BRAVO

Por Aurélio Vidal – Jornalista e Pesquisador Quem conhece o sertão sabe que estrada por aqui não é apenas caminho. É história, trabalho, aventura e, muitas vezes, liberdade. E quem vive sobre duas rodas conhece ainda melhor essa relação. A motocicleta atravessa poeira, vence distâncias, encara subidas, corta estradas de chão e também desliza pelo asfalto das cidades. Para uns, é ferramenta de trabalho. Para

Nova Aurora, distrito de Rio Pardo de Minas, voltou a ser ponto de encontro do sertão neste último fim de semana, durante a 13ª Festa Municipal do Eucalipto, realizada nos dias 12 e 13. Organizada pela Prefeitura de Rio Pardo de Minas, em parceria com o Sindicato dos Produtores Rurais e a comunidade local, a festa reuniu música, gastronomia, esporte, produtores, trabalhadores e famílias em dois dias de confraternização.

NOVA AURORA: QUANDO O SERTÃO CELEBRA A FORÇA DO SEU POVO

Há lugares que a gente visita. E há lugares que, de alguma maneira, acabam visitando a nossa alma. Nova Aurora, distrito de Rio Pardo de Minas, é um desses lugares para mim. Desde que conheci essa terra, criei uma ligação especial com sua gente, sua paisagem e, principalmente, com as histórias que encontro por ali. Neste último fim de semana, nos dias 12 e 13,

Entre o medo do passado e os abusos do presente: por que eu não renego Ustra

Por Aurélio Vidal – Jornalista e Pesquisador Ontem, 15 de setembro, ao acompanhar mais um capítulo de enorme tensão envolvendo o Supremo Tribunal Federal, confesso que voltei meu pensamento para uma página muito mais antiga da história brasileira. E quanto mais observo o Brasil de hoje, mais percebo que existem acontecimentos do passado que precisam ser revisitados sem medo, sem patrulhamento ideológico e, principalmente, sem

Centro de Grão Mogol, com a igreja e a praça da cidade.

Grão Mogol: a cidade das pedras e das águas encanta com sua história e belezas naturais

Localizada na parte mais alta da Serra Geral, no Norte de Minas Gerais, Grão Mogol é um destino que transborda belezas naturais, biodiversidade e uma rica herança ligada aos diamantes e ao período colonial dos séculos XVI e XIX. A história pulsante dessa cidade pode ser encontrada nas ruas e vielas, cuja pavimentação foi erguida com a mão de obra dos escravizados. Nas trilhas e

FLÁVIO BOLSONARO E MONTES CLAROS VISTA DE CIMA: O QUE EU VI NA NOITE DE ONTEM

Eu estava lá. Na noite desta sexta-feira, 2 de outubro, acompanhei de perto a mobilização que levou Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira à Avenida Sanitária, em Montes Claros. Mas, como jornalista, não fui apenas para registrar a chegada de políticos. Fui para observar o comportamento das pessoas, a dimensão da mobilização e aquilo que uma manifestação popular pode revelar quando vista sem filtros. E houve

Quem vive o sertão mineiro sabe que motocicleta não é apenas um meio de transporte. É companheira de estrada, ferramenta de trabalho, veículo para vencer distâncias e, para muitos, também uma paixão. Foi com esse olhar que acompanhei, no finalzinho da tarde de ontem, em Montes Claros, a apresentação oficial da AZ170 BRAVO, novo modelo da Avelloz, representada na região pela Altemar Motos.

ALTEMAR MOTOS – AVELLOZ ACELERA NO SERTÃO COM O LANÇAMENTO DA NOVA AZ170 BRAVO

Por Aurélio Vidal – Jornalista e Pesquisador Quem conhece o sertão sabe que estrada por aqui não é apenas caminho. É história, trabalho, aventura e, muitas vezes, liberdade. E quem vive sobre duas rodas conhece ainda melhor essa relação. A motocicleta atravessa poeira, vence distâncias, encara subidas, corta estradas de chão e também desliza pelo asfalto das cidades. Para uns, é ferramenta de trabalho. Para

Nova Aurora, distrito de Rio Pardo de Minas, voltou a ser ponto de encontro do sertão neste último fim de semana, durante a 13ª Festa Municipal do Eucalipto, realizada nos dias 12 e 13. Organizada pela Prefeitura de Rio Pardo de Minas, em parceria com o Sindicato dos Produtores Rurais e a comunidade local, a festa reuniu música, gastronomia, esporte, produtores, trabalhadores e famílias em dois dias de confraternização.

NOVA AURORA: QUANDO O SERTÃO CELEBRA A FORÇA DO SEU POVO

Há lugares que a gente visita. E há lugares que, de alguma maneira, acabam visitando a nossa alma. Nova Aurora, distrito de Rio Pardo de Minas, é um desses lugares para mim. Desde que conheci essa terra, criei uma ligação especial com sua gente, sua paisagem e, principalmente, com as histórias que encontro por ali. Neste último fim de semana, nos dias 12 e 13,

Entre o medo do passado e os abusos do presente: por que eu não renego Ustra

Por Aurélio Vidal – Jornalista e Pesquisador Ontem, 15 de setembro, ao acompanhar mais um capítulo de enorme tensão envolvendo o Supremo Tribunal Federal, confesso que voltei meu pensamento para uma página muito mais antiga da história brasileira. E quanto mais observo o Brasil de hoje, mais percebo que existem acontecimentos do passado que precisam ser revisitados sem medo, sem patrulhamento ideológico e, principalmente, sem

Quer ver mais conteúdos?

Assine Nossa Newsletter

E fique por dentro do contexto de Minas e de tudo que acontece no Brasil e no mundo.

Pod Sertão Pautando o melhor do Sertão Mineiro

Olá, visitante