Por Aurélio Vidal
Algumas vezes estive em São Paulo, a maior metrópole da América Latina. E sempre que volto, descubro uma cidade nova dentro da mesma cidade. Caminhar por São Paulo é mais do que passear por ruas movimentadas: é sentir os cheiros, os sons, as cores e a energia de um lugar que nunca dorme.
Um dos pontos que sempre me atrai é o bairro da Liberdade. Gosto de passar pela Praça da Liberdade, mergulhar no clima que mistura culturas japonesa e chinesa, e me deixar levar pelo exotismo das lojinhas, pelas lanternas vermelhas e pelo aroma dos pratos típicos que invadem o ar. Ali, já experimentei sabores únicos, vi apresentações culturais e até me arrisquei a soltar a voz em karaokês escondidos entre as ruas. Nos finais de semana, a famosa Feirinha da Liberdade transforma o bairro em um verdadeiro mosaico cultural – um encontro de tradições, cores e sabores que sempre me fascina.
Outro ponto que gosto de visitar é a Praça da República. Caminhar por ali é revisitar a história da cidade. Aos domingos, a feirinha toma conta do espaço, com artistas pintando ao vivo, artesãos expondo bijuterias, roupas, quadros e uma diversidade que é a cara de São Paulo. Já me peguei parado por longos minutos apenas observando os traços surgindo diante dos olhos, como se a cidade se desenhasse em cada tela. E, claro, não dá para resistir às tentações gastronômicas: churrasquinhos, doces caseiros e até empanadas chilenas que lembram o quanto São Paulo é um pedaço do mundo inteiro.
A Praça da Sé sempre me deixa reflexivo. É impossível não notar os contrastes: de um lado, a imponência da Catedral da Sé, com sua arquitetura neogótica que emociona; de outro, a dura realidade de pessoas em situação de rua e dependentes químicos que ocupam o espaço. Caminhar ali é um exercício de humanidade – um lembrete sobre os desafios sociais que a metrópole enfrenta. Também é ali que está o Marco Zero, ponto que simboliza o coração da cidade e me faz sentir no centro do Brasil.
Já no Pátio do Colégio, onde tudo começou em 25 de janeiro de 1554, a sensação é de mergulhar no passado. Ao olhar as paredes de taipa e os casarões que cercam a praça, consigo imaginar os jesuítas catequizando os povos indígenas, dando início à história da cidade que hoje pulsa como gigante.
São Paulo, no entanto, vai muito além das praças. Em minhas andanças, já vivi experiências inesquecíveis no Parque da Independência, caminhando pelos jardins ao lado do Museu do Ipiranga, onde a história do Brasil ecoa em cada detalhe. Já encarei a multidão do Mercadão Municipal, provando o famoso sanduíche de mortadela e o pastel de bacalhau, tradições que parecem obrigatórias para qualquer visitante.
E como deixar de fora a energia da 25 de Março? Entre barracas, lojas e um movimento quase hipnótico, aprendi que São Paulo é também a capital do comércio popular, onde o improviso e a negociação fazem parte da cultura.
Nos transportes, andar de metrô é uma viagem à parte. Não apenas pela praticidade, mas porque cada estação é um pequeno retrato da diversidade humana que compõe a cidade. No mesmo vagão, dividem espaço executivos, estudantes, artistas e trabalhadores – todos atravessando a metrópole sob o mesmo ritmo.
Já vivi também a emoção de um jogo na Arena do Palmeiras, onde a torcida pulsa como coração coletivo, e me aventurei nas noites paulistanas: bares da Vila Madalena, casas noturnas da Augusta, shows que transformam a madrugada em espetáculo. São Paulo nunca descansa, e talvez seja essa inquietação que tanto me fascina.
Em cada rolê, eu percebo que São Paulo é múltipla, desafiadora e, acima de tudo, humana. É uma cidade que não se explica apenas: precisa ser vivida. E eu, como viajante curioso, sempre volto disposto a descobrir a São Paulo que ainda não conheço.