STF ENTERRA A CPMI DO INSS — E A VERDADE TAMBÉM?

Quando o Supremo Tribunal Federal decide enterrar uma investigação, não se enterra apenas um procedimento legislativo — sepulta-se, junto, a expectativa de transparência, de justiça e, sobretudo, de respeito ao cidadão que sustenta essa engrenagem pesada chamada Estado.

Por Aurélio Vidal

Quando o Supremo Tribunal Federal decide enterrar uma investigação, não se enterra apenas um procedimento legislativo — sepulta-se, junto, a expectativa de transparência, de justiça e, sobretudo, de respeito ao cidadão que sustenta essa engrenagem pesada chamada Estado.

Quando o Supremo Tribunal Federal decide enterrar uma investigação, não se enterra apenas um procedimento legislativo — sepulta-se, junto, a expectativa de transparência, de justiça e, sobretudo, de respeito ao cidadão que sustenta essa engrenagem pesada chamada Estado.

A pergunta que ecoa, quase como um deboche institucional, é simples: como pode um órgão que se apresenta como guardião da Constituição agir de forma a impedir o esclarecimento de possíveis irregularidades? Não seria exatamente o contrário o esperado?

Mas talvez a ingenuidade esteja do lado de cá.

O Brasil, ao que tudo indica, consolidou-se como uma espécie de laboratório onde a lógica é invertida: investigar incomoda, esclarecer atrapalha e responsabilizar… bem, isso já é quase um luxo republicano. Enquanto isso, o cidadão comum segue pagando a conta — religiosamente, diga-se — por meio de impostos que não atrasam, não prescrevem e não perdoam.

E aqui cabe lembrar a célebre frase de Margaret Thatcher: “Não existe dinheiro público; existe apenas o dinheiro dos pagadores de impostos.” No Brasil, essa máxima parece ter sido reinterpretada: o dinheiro é do povo, mas o controle… esse não é.

Assistimos hoje a um cenário onde poucos se levantam para questionar, cobrar e enfrentar. São vozes isoladas, muitas vezes desacreditadas ou convenientemente ignoradas. Do outro lado, uma massa silenciosa — não necessariamente por falta de consciência, mas talvez por cansaço, descrença ou acomodação — aceita tudo de forma resignada. Engole seco. Segue a vida.

E assim, entre escândalos recorrentes, rombos sucessivos e uma sensação permanente de impunidade, o país vai sendo conduzido por uma elite política que, não raro, parece mais preocupada em se proteger do que em servir.

Há quem diga que vivemos sob um Estado de Direito. Mas que tipo de direito é esse que se curva diante da conveniência? Que tipo de justiça é essa que escolhe quando agir e, principalmente, quando não agir?

A Constituição brasileira afirma, com toda a solenidade: o poder emana do povo. No papel, é uma frase forte. Na prática, soa cada vez mais como uma ironia.

Porque o povo — ou ao menos grande parte dele — foi sendo domesticado por um sistema que distribui migalhas enquanto concentra poder. Um sistema que alimenta dependências, neutraliza reações e transforma indignação em apatia.

Enquanto isso, nos bastidores, os “abutres” seguem sobrevoando — atentos, organizados e sempre prontos para mais um banquete financiado pelo contribuinte.

A grande questão não é mais o que está acontecendo. Isso já está escancarado.

A pergunta que resta é: até quando?

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