Por Aurélio Vidal
Não foi por falta de alerta. Não foi por omissão. Eu venho, há tempos, levantando a voz, chamando atenção, tentando provocar reação. Mas o que vi, na prática, foi um conjunto de lideranças locais mais preocupadas em fazer discurso bonito para plateia do que em enfrentar, de fato, o problema.
A recente manifestação do engenheiro Higor apenas reforça aquilo que eu já vinha denunciando. Segundo ele, não há dúvidas de que essa RDS recém-criada abre espaço para questionamentos jurídicos sérios — principalmente pela ausência de estudos técnicos consistentes que comprovem, com clareza, os impactos econômicos, sociais e territoriais dessa medida. E eu pergunto: onde estavam os nossos representantes quando isso estava sendo construído?
Higor também aponta algo ainda mais grave: a forma como essa iniciativa foi conduzida levanta indícios de arbitrariedade, ignorando princípios básicos como razoabilidade e proporcionalidade na administração pública. Ora, isso não é novidade para quem vem acompanhando de perto. Eu já vinha cobrando, inclusive publicamente, que deputados e senadores que se dizem representantes da nossa região se mobilizassem, acionassem suas bancadas e criassem mecanismos legais para barrar esse avanço.
Mas o que fizeram? Subiram em palco, bateram no peito em audiência pública e venderam a ilusão de que estava tudo resolvido.
A audiência realizada pela Assembleia em Rio Pardo de Minas, provocada por nós, foi tratada por muitos como um ato político, não como um momento de construção de soluções. Faltou firmeza, sobrou oportunismo. E o resultado está aí: uma decisão que pode engessar o desenvolvimento do município, restringir atividades produtivas e comprometer o futuro de centenas de famílias.
E não é de hoje.
Eu também denunciei, lá atrás, a forma como foi criada a RDS Nascentes Geraizeiras, ainda em 2014. Um processo que, na minha avaliação, já nascia com vícios — sem diálogo amplo com a população, sem transparência real e distante do verdadeiro conceito de desenvolvimento sustentável, que exige equilíbrio entre preservação ambiental, crescimento econômico e justiça social.

O que vemos, na prática, é outra coisa: decisões tomadas de cima para baixo, sem ouvir quem vive, produz e sustenta o território.
E a população precisa abrir os olhos.
É fundamental observar com atenção esses movimentos que, sob o discurso de proteção ambiental, acabam impondo restrições severas ao uso da terra e travando o desenvolvimento local. Não se trata de ser contra a preservação — pelo contrário —, mas de exigir que ela seja feita com responsabilidade, transparência e participação popular.
Estamos em um ano eleitoral. E esse é o momento de reflexão.
Não dá mais para repetir os mesmos erros. Não dá mais para apostar nos mesmos nomes, nos mesmos discursos, nas mesmas promessas vazias. Se queremos resultados diferentes, precisamos ter coragem de mudar. A rotatividade no poder não é um capricho — é uma necessidade.
Político que já teve várias oportunidades e não resolveu, dificilmente resolverá agora.
O futuro da nossa região depende de decisões firmes no presente. E isso passa, inevitavelmente, pela escolha consciente de quem vai nos representar.
Eu fiz minha parte: alertei, denunciei, cobrei.
Agora, cabe à sociedade decidir se continuará assistindo passivamente ou se finalmente vai reagir.




