BR-251: A RODOVIA DA TRAGÉDIA ANUNCIADA — QUANTAS VIDAS AINDA SERÃO COBRADAS ANTES DA DUPLICAÇÃO?

Por volta das 22h30, um ônibus de turismo que saiu de Arapiraca, em Alagoas, com destino a Itapema, em Santa Catarina, tombou no km 474 da rodovia, em plena zona rural de Francisco Sá. O veículo ficou às margens da pista, no sentido de tráfego, e o cenário que se formou foi de dor, urgência e luto. Cinco pessoas perderam a vida — entre elas, um bebê. Outras dezenas ficaram feridas, algumas em estado grave, com fraturas múltiplas e escoriações, sendo encaminhadas para unidades de saúde de Francisco Sá e Montes Claros.

Por Aurélio Vidal

Escrevo estas linhas não apenas como jornalista e pesquisador, mas como alguém que há anos acompanha, registra e denuncia a realidade cruel da BR-251 — especialmente no trecho da serra de Francisco Sá. O que aconteceu na noite desta quarta-feira, 21 de janeiro, não foi um acaso, tampouco uma fatalidade isolada. Foi mais um capítulo de uma tragédia anunciada.

Por volta das 22h30, um ônibus de turismo que saiu de Arapiraca, em Alagoas, com destino a Itapema, em Santa Catarina, tombou no km 474 da rodovia, em plena zona rural de Francisco Sá. O veículo ficou às margens da pista, no sentido de tráfego, e o cenário que se formou foi de dor, urgência e luto. Cinco pessoas perderam a vida — entre elas, um bebê. Outras dezenas ficaram feridas, algumas em estado grave, com fraturas múltiplas e escoriações, sendo encaminhadas para unidades de saúde de Francisco Sá e Montes Claros.

A operação de resgate exigiu uma força-tarefa. Corpo de Bombeiros, SAMU, Polícia Rodoviária Federal e Perícia da Polícia Civil atuaram de forma integrada. A rodovia ficou completamente interditada por cerca de seis horas para o atendimento às vítimas, os trabalhos periciais e o destombamento do ônibus, que ainda mantinha corpos presos sob sua estrutura. Tudo dentro do protocolo. Tudo correto. Tudo, mais uma vez, depois que o pior já havia acontecido.

Mas o ponto que precisa ser dito — e repetido, até que alguém escute — é que essa história se repete há décadas. A serra de Francisco Sá é conhecida nacionalmente pelo alto índice de acidentes graves e fatais. Tombamentos de ônibus, colisões frontais, caminhões sem freio, ultrapassagens forçadas, pistas estreitas, traçado antigo e perigoso. Já vimos famílias inteiras destruídas, trabalhadores mortos a caminho do serviço, estudantes que nunca chegaram ao destino, motoristas experientes vencidos por uma rodovia que não perdoa erros — e, muitas vezes, nem mesmo a prudência.

A duplicação da BR-251, especialmente no trecho da serra de Francisco Sá, não é luxo, não é obra eleitoreira, não é capricho regional. É urgência. É medida de segurança pública. É respeito à vida.

A BR-251 não é uma estrada qualquer. Ela é um dos principais corredores logísticos do Norte de Minas, ligando regiões produtoras, estados, economias e pessoas. Ainda assim, permanece como uma via de pista simples, sobrecarregada, mal adaptada ao volume e ao tipo de tráfego que recebe. O discurso é antigo, as promessas também. O que falta é ação concreta.

Quantas cruzes ainda precisarão ser fincadas às margens do asfalto? Quantas manchetes com números frios, escondendo histórias humanas irreparáveis? Quantas crianças, como a que morreu neste último acidente, precisarão pagar o preço da negligência estrutural?

A BR-251 segue sendo um corredor de dor no Norte de Minas. Não são apenas ônibus e caminhões: veículos do transporte de saúde — ambulâncias e carros de pacientes em tratamento — estão, com frequência alarmante, entre os envolvidos em acidentes graves e fatais nessa rodovia.

Em uma região formada por cerca de 86 municípios, Montes Claros cumpre o papel de cidade polo, concentrando a maior parte da infraestrutura hospitalar e recebendo diariamente pacientes de toda a macrorregião. E é justamente pela BR-251 que passa esse fluxo contínuo de vidas em busca de atendimento.

Não por acaso, em Montes Claros, a BR-251 configura-se como o segundo maior entroncamento rodoviário do país, conectando diversas rodovias estratégicas e ligando o Sul ao Nordeste. Ainda assim, essa via essencial segue marcada por trechos perigosos, como a serra de Francisco Sá, onde os acidentes se repetem com brutalidade.

Enquanto o tráfego cresce e a responsabilidade da rodovia aumenta, a estrutura permanece a mesma. O resultado é previsível: mais sirenes, mais interdições, mais luto. Duplicação da BR-251 já. Aqui não se fala de obra, mas de salvar vidas.

A duplicação da BR-251, especialmente no trecho da serra de Francisco Sá, não é luxo, não é obra eleitoreira, não é capricho regional. É urgência. É medida de segurança pública. É respeito à vida.

Enquanto autoridades empurram decisões, a rodovia continua cobrando seu pedágio mais caro: vidas humanas. E cada novo acidente apenas reforça aquilo que muitos de nós já sabemos e denunciamos há anos — a BR-251 não mata sozinha. Ela mata pela omissão. Duplicação já.

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