NO CORAÇÃO DO QUILOMBO BREJINHO

Neste domingo, 16 de agosto, estive na Comunidade Quilombola do Brejinho, na zona rural de Coração de Jesus, e vivi mais uma daquelas experiências que reafirmam o sentido das minhas andanças pelo Sertão.

Por: Aurélio Vidal

Neste domingo, 16 de agosto, estive na Comunidade Quilombola do Brejinho, na zona rural de Coração de Jesus, e vivi mais uma daquelas experiências que reafirmam o sentido das minhas andanças pelo Sertão.

E é justamente por isso que acredito que qualquer iniciativa voltada para essas comunidades precisa começar pelo respeito, pelo diálogo e pelo conhecimento da realidade de quem vive ali.

Fui recebido com muito carinho por Leidiane, jovem senhora e presidente da Associação Quilombo Brejinho, e por toda a comunidade. Ao lado do meu amigo Diu Brother e da minha esposa, Luciene, participei de uma reunião marcada por conversa, troca de conhecimentos e confraternização, inclusive em homenagem ao mês dos pais.

Neste domingo, 16 de agosto, estive na Comunidade Quilombola do Brejinho, na zona rural de Coração de Jesus, e vivi mais uma daquelas experiências que reafirmam o sentido das minhas andanças pelo Sertão.

Mas, para mim, mais importante do que falar era ouvir.

E foi isso que fiz.

Ouvi seu Rosarinho, de 62 anos, que se prepara para voltar a plantar arroz. Pode parecer um gesto simples, mas, para quem conhece a realidade do homem do campo, sabe que existe muito mais por trás dessa decisão. Existe memória, identidade, trabalho e, sobretudo, esperança.

Neste domingo, 16 de agosto, estive na Comunidade Quilombola do Brejinho, na zona rural de Coração de Jesus, e vivi mais uma daquelas experiências que reafirmam o sentido das minhas andanças pelo Sertão.

Ouvi também seu Francisco Carlos, que lamenta não poder mais exercer uma atividade tradicional que fazia parte da sua vida. E ouvi Dona Dilma, cuja demonstração de gratidão pela nossa presença foi uma das manifestações que mais me tocaram naquele encontro.

São histórias aparentemente simples, mas que revelam a verdadeira dimensão do que significa viver em uma comunidade tradicional.

O Brejinho mostrou, mais uma vez, que um quilombo não é apenas um território definido no mapa ou uma denominação reconhecida pela legislação.


Precisa de oportunidade. Precisa de dignidade. Precisa de respeito. Precisa de informação. E precisa ter espaço para ser protagonista da própria história.

É gente. São famílias. São histórias. É cultura. É memória. É trabalho. É resistência.

E é justamente por isso que acredito que qualquer iniciativa voltada para essas comunidades precisa começar pelo respeito, pelo diálogo e pelo conhecimento da realidade de quem vive ali.

Não fui ao Brejinho para levar respostas prontas.

Fui para conversar, ouvir e compartilhar conhecimento sobre organização comunitária, projetos e caminhos que possam contribuir para o fortalecimento das comunidades tradicionais, sempre respeitando a legislação e, principalmente, a autonomia das próprias comunidades.

Neste domingo, 16 de agosto, estive na Comunidade Quilombola do Brejinho, na zona rural de Coração de Jesus, e vivi mais uma daquelas experiências que reafirmam o sentido das minhas andanças pelo Sertão.

Tenho defendido, ao longo das minhas andanças, que o sertanejo não precisa de tutela.

Precisa de oportunidade. Precisa de dignidade. Precisa de respeito. Precisa de informação. E precisa ter espaço para ser protagonista da própria história.

De forma voluntária, independente e sem finalidade lucrativa, procuro colocar a experiência que acumulei ao longo de tantos anos de jornalismo e de andanças a serviço de algo que considero maior: informação, conhecimento, mobilização popular e construção de propostas voltadas para o bem comum.

Muitas vezes, comunidades distantes dos grandes centros acabam ficando longe também da informação, das oportunidades e do conhecimento sobre os próprios direitos.

É aí que acredito que o meu trabalho pode contribuir.

De forma voluntária, independente e sem finalidade lucrativa, procuro colocar a experiência que acumulei ao longo de tantos anos de jornalismo e de andanças a serviço de algo que considero maior: informação, conhecimento, mobilização popular e construção de propostas voltadas para o bem comum.

Não levo promessas.

Levo disposição para ouvir.

Levo respeito.

Levo conhecimento.

E, acima de tudo, levo a disposição de caminhar ao lado de quem muitas vezes foi esquecido.

O encontro no Brejinho também me fez refletir sobre algo que considero essencial: não podemos falar sobre o Sertão apenas olhando para números, mapas ou estatísticas.

É preciso olhar nos olhos das pessoas.

É preciso sentar à mesa.

É preciso ouvir seu Rosarinho falar sobre o arroz que pretende plantar novamente. É preciso compreender a frustração de seu Francisco Carlos. É preciso sentir a gratidão de Dona Dilma. É preciso ouvir Leidiane e entender os desafios de quem assumiu a responsabilidade de representar uma comunidade.


São histórias aparentemente simples, mas que revelam a verdadeira dimensão do que significa viver em uma comunidade tradicional.

Porque é no contato direto que o Sertão deixa de ser uma paisagem e passa a ser aquilo que realmente é:

um território habitado por pessoas que sonham, trabalham, resistem e querem construir o próprio futuro.

Hoje, quando olho para trás e penso em tantas comunidades que conheci ao longo das minhas andanças, percebo que existe uma riqueza que nenhum indicador econômico consegue medir.

É a riqueza humana.

É a capacidade de resistir à seca, às dificuldades, ao abandono e às limitações sem perder a esperança.

No Brejinho, encontrei exatamente isso.

Encontrei gente simples, mãos calejadas, histórias profundas e uma enorme vontade de seguir em frente.

Por isso, saio de lá com uma certeza ainda maior:

o sertanejo não precisa que alguém fale por ele o tempo todo. Precisa que lhe seja dada a oportunidade de falar, participar e decidir sobre o seu próprio destino.

O encontro no Brejinho também me fez refletir sobre algo que considero essencial: não podemos falar sobre o Sertão apenas olhando para números, mapas ou estatísticas.

E talvez seja essa uma das maiores missões das minhas andanças: não apenas contar histórias sobre o Sertão, mas ajudar a criar espaços para que o próprio sertanejo conte a sua história.

Neste domingo, eu não apenas visitei o Quilombo do Brejinho.

Eu ouvi o Sertão.

E quando a gente realmente ouve o Sertão, percebe que, onde alguns enxergam distância, existe gente.

Onde alguns enxergam pobreza, existe resistência.

Onde alguns enxergam apenas passado, existe um povo preparando o futuro.

Neste domingo, 16 de agosto, estive na Comunidade Quilombola do Brejinho, na zona rural de Coração de Jesus, e vivi mais uma daquelas experiências que reafirmam o sentido das minhas andanças pelo Sertão.

Quilombo do Brejinho, Coração de Jesus.

Gente simples.

Mãos calejadas.

Histórias profundas.

Cultura, memória e resistência.

E, acima de tudo, muita esperança.

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