Artigo de Opinião – Aurélio Vidal
Tenho rodado bastante pelas bandas do Norte de Minas nos últimos meses. Conversado com prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias, produtores rurais, comerciantes e gente simples do povo. E confesso: há algo diferente no ar. Não é discurso ensaiado, nem entusiasmo fabricado de gabinete. É percepção concreta, sentida no chão da estrada — agora, diga-se de passagem, bem melhor do que antes.
O Norte de Minas sente os efeitos das obras e avalia positivamente a gestão Romeu Zema
A chamada prefeitada do Norte de Minas, em sua maioria, demonstra satisfação com a gestão do governador Romeu Zema. E isso não nasce do acaso. Nasce de obras que finalmente saíram do papel. De investimentos estruturantes que, por décadas, foram prometidos por outros governos, usados em palanque, repetidos em campanhas, mas que nunca chegaram de fato aonde precisavam chegar.
A ponte sobre o Rio São Francisco, por exemplo, é simbólica. Uma obra histórica, estratégica, que esteve por anos no campo das promessas e hoje avança em ritmo acelerado. Ali não se constrói apenas concreto e aço; constrói-se integração regional, desenvolvimento, dignidade e perspectiva de futuro para dezenas de municípios.
As estradas contam outra parte dessa história. Quem conhece o Norte de Minas sabe o que significava trafegar por vias abandonadas, tomadas pela poeira no tempo seco, pela lama no período das chuvas e pelos buracos o ano inteiro. A MG-402, ligando Pintópolis a Urucuia, é um exemplo claro de uma rodovia que por muito tempo simbolizou o descaso. Hoje, o cenário é outro. O asfalto chegou, a mobilidade melhorou, a economia agradece.
O mesmo vale para as estradas do Alto Rio Pardo, da Serra Geral e de tantas ligações regionais que interligam vales, encurtam distâncias e aproximam pessoas. Obras pontuais, sim — mas absolutamente necessárias, práticas e com impacto direto na vida de quem vive longe dos grandes centros.
Tudo isso ganha ainda mais relevância quando lembramos do estrago administrativo e financeiro deixado pelo ex-governador Fernando Pimentel. Minas saiu de um período de colapso fiscal, salários parcelados, serviços sucateados e obras paradas. Governar após esse cenário exigiu responsabilidade, escolhas duras e, sobretudo, foco em resultados. Concorde-se ou não com o estilo, os fatos estão postos.
Outro ponto que merece destaque é a relação construída pelo governo de Minas com as associações de municípios e os diversos consórcios espalhados pelo estado. Em muitas regiões, ouvi a mesma frase: “O governo chegou junto.” Chegou com apoio técnico, investimentos, diálogo institucional e respeito às realidades locais. Isso faz diferença, especialmente para cidades pequenas, que historicamente ficaram à margem das grandes decisões.
Nesse contexto, não escondo que fiquei genuinamente satisfeito ao ver surgir, com mais força, a possibilidade de Marcelo Aro entrar no jogo sucessório em Minas Gerais. Conheço o ambiente político, acompanho os bastidores e enxergo nele um nome com maior capacidade de articulação, trânsito político e aceitação junto a diferentes setores do eleitorado.
Marcelo Aro é jovem, dinâmico, inteligente e comprometido com o estado. Tem experiência de gestão, conhece o funcionamento da máquina pública e dialoga bem com prefeitos, parlamentares e lideranças regionais. Em um cenário ainda indefinido, sua eventual entrada como cabeça de chapa traz novo fôlego ao debate e amplia o leque de possibilidades dentro do campo governista.
É fato que o vice-governador Mateus Simões é o nome defendido oficialmente por Romeu Zema. Mas também é fato que, até aqui, sua pré-candidatura não empolgou nem ganhou tração popular significativa. A política, goste-se ou não, também é percepção, leitura de cenário e capacidade de conectar projetos a pessoas reais.
O tabuleiro mineiro segue em aberto. Há nomes conhecidos, há silêncios estratégicos e há movimentos de bastidor que ainda não vieram à luz do dia. Mas uma coisa é inegável: o interior de Minas, especialmente o Norte, quer ser ouvido. Quer continuidade de obras, seriedade administrativa e respeito institucional.
E isso, ao menos pelo que vi, ouvi e senti nas estradas, nos gabinetes e nas praças, é algo que hoje pesa — e muito — na avaliação da atual gestão e nas escolhas que Minas fará nos próximos meses.
Aurélio Vidal
Jornalista




