Por Aurélio Vidal
O noticiário desta terça-feira trouxe mais um capítulo que ajuda a explicar por que tanta gente em Brasília faz força para empurrar a CPMI do Banco Master para debaixo do tapete. Surgiram novas informações sobre o contrato milionário firmado entre Viviane Barci e o Banco Master, detalhes que reforçam aquilo que já estava evidente: há muito mais a ser esclarecido do que se quer admitir publicamente.
Quando novos fatos vêm à tona — especialmente fatos que envolvem cifras vultosas, relações nebulosas e contratos que desafiam o bom senso — o caminho natural em uma democracia madura deveria ser um só: investigar. Mas o que vemos é exatamente o oposto. Uma coreografia ensaiada de silêncio, omissão e conveniência política.
E é aqui que entra a postura constrangedora de parte da bancada mineira na Câmara dos Deputados. Mesmo diante de revelações sucessivas, deputados de Minas seguem se recusando a assinar a lista de abertura da CPMI do Banco Master. Não é falta de informação. Os fatos estão publicados, repercutidos, documentados. É, claramente, falta de vontade política.
A cada nova reportagem, a cada novo detalhe revelado, fica mais difícil sustentar o discurso de cautela, de “vamos esperar”, de “não é o momento”. O momento é agora. Sempre foi. O que não existe é coragem para enfrentar interesses que orbitam o poder.
O mais grave é perceber que essa omissão não acontece no vácuo. Ela ocorre em um ambiente onde emendas parlamentares viraram moeda de troca, onde o governo orienta sua base a não assinar investigações incômodas e onde parte do Congresso prefere proteger o sistema a proteger o contribuinte.
CPMI não é tribunal de exceção. CPMI não condena ninguém. CPMI investiga. Quem se posiciona contra uma investigação diante de fatos novos e graves não está sendo prudente — está sendo cúmplice por conveniência.
O contrato milionário revelado hoje não surge como um ponto fora da curva. Ele se encaixa num enredo maior, que explica o medo da transparência e a pressa em enterrar qualquer tentativa de apuração mais profunda.
Enquanto isso, o cidadão comum segue pagando a conta.
E os representantes eleitos para fiscalizar… seguem olhando para o outro lado.
A história mostra que escândalos não caem sozinhos. Eles são derrubados pela insistência, pela cobrança pública e pela memória do eleitor. E essa memória precisa ser alimentada agora, antes que outubro chegue e muitos dos omissos voltem a pedir votos como se nada tivesse acontecido.
O Brasil não precisa de mais silêncio.
Precisa de investigação.
E precisa, sobretudo, de parlamentares que não tenham medo da verdade.




