TÍTULOS, CORAGEM E ESPERANÇA: O NOVO AMANHECER DE RIO PARDO DE MINAS

Foram 1.210 famílias de nove municípios, entre elas as de Montezuma, minha velha conhecida, gente que carrega a dignidade no suor e a fé no olhar.

Por Aurélio Vidal

Foi em Rio Pardo de Minas, cidade que aprendi a enxergar não apenas como ponto no mapa, mas como símbolo de luta e esperança sertaneja, que vivi uma manhã de terça feira, grande significado. Ali, sob o sol que dourava a vegetação do cerrado, o prefeito Tuquinha, recebeu o vice-governador Matheus Simões e uma comitiva de autoridades para um ato que, mais do que burocrático, foi humano e histórico: a entrega de títulos de propriedade a quem sempre pertenceu à terra, mas nunca teve o papel que provasse isso.

Enquanto observava as mãos calejadas erguendo o documento, vi algo que não se explica por decreto — é o instante em que o sertanejo se reconhece dono de si mesmo. Aquele papel, tão simples à vista, é o fim de décadas de espera e o início de um novo tempo.

Foram mais de dois mil títulos distribuídos a produtores de nove municípios da microrregião — 1.210 deles, aqui, em Rio Pardo. Vi nos olhos dos agricultores um brilho diferente, talvez o reflexo do documento nas mãos calejadas, talvez o eco de uma certeza antiga: agora, a terra é deles de fato e de direito.

O Governo de Minas entregou, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa-MG), mais de 2 mil títulos de propriedade de terra para produtores de nove municípios da região do Alto Rio Pardo, no sertão norte mineiro. Em Rio Pardo de Minas, a população sertaneja marcou presença em peso, testemunhando um capítulo histórico para o município.

O vice-governador Matheus Simões destacou a falta de efetividade dos governos petistas nessa área e classificou esta entrega como “a maior já realizada na região”. Garantiu que, com o documento em mãos, Rio Pardo de Minas e todo o Alto Rio Pardo deixem para trás os conflitos e veem florescer a paz no campo. Em meio à emoção do momento, o vice-governador anunciou mais: já estão em andamento cinco mil novos títulos e outros oito mil previstos para a segunda etapa. “A nossa meta agora é chegar a 20 mil”, afirmou.

Enquanto observava as mãos calejadas erguendo o documento, vi algo que não se explica por decreto — é o instante em que o sertanejo se reconhece dono de si mesmo. Aquele papel, tão simples à vista, é o fim de décadas de espera e o início de um novo tempo. Dionísio Cândido, o “Rei da Mandioca”, agora celebra com alegria a conquista de sua propriedade finalmente assegurada.

Mas o dia não terminou com o som dos aplausos — terminou com sirenes e fardas reluzindo sob o sol do sertão. Foi inaugurada a Brigada Municipal do Corpo de Bombeiros de Rio Pardo de Minas, uma estrutura robusta e pioneira, a primeira do gênero em todo o Norte de Minas. Um novo capítulo se abre na história da cidade, que agora não apenas colhe e planta, mas também protege e salva.

O secretário de Agricultura, Talles Fernandes, não conteve a alegria em participar de um momento tão marcante para o povo do campo. Reconhecido pelo trabalho expressivo em prol do fortalecimento da cadeia produtiva e pela dedicação à assistência aos produtores rurais, ele celebrou com orgulho mais um capítulo de conquistas para o meio rural.

Talles Fernandes, um homem de palavra e coração sertanejo, comprometido com a terra e com o seu povo.

Saí dali com o coração leve. Rio Pardo celebra a conquista da terra e acende, junto dela, o fogo da esperança — aquele que, mesmo nas noites mais frias do sertão, nunca deixa de arder no peito do seu povo.

De volta à estrada, deixei Rio Pardo com a sensação de que presenciei um capítulo histórico.
O sertão, que tantas vezes se acostumou a esperar, agora colhe o fruto da persistência.
E cada título entregue é mais que um documento — é a prova de que, quando o Estado estende a mão, o homem do campo retribui com trabalho, fé e esperança.

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