Por: Aurélio Vidal
Janaúba não é apenas um ponto no mapa do Norte de Minas — é uma terra onde a força do sertanejo se traduz em produção, identidade e resistência. Seu nome, de origem indígena, evoca a natureza nativa: Janaúba, a planta leitosa da família das apocináceas, é símbolo da fertilidade que brota mesmo em meio às adversidades do semiárido. E é assim, com raízes profundas e olhar firme no horizonte, que a cidade segue se destacando.
A história de Janaúba foi moldada por povos originários e quilombolas — os gorutubanos, descendentes de índios tapuias e negros fugitivos do cativeiro, que fincaram morada às margens do Rio Gorutuba. Suas mãos, suas vozes e seus saberes formam a base da cultura local.
Ao longo das décadas, famílias visionárias como a de Francisco Barbosa — que ergueu, em 1872, a primeira casa sob a sombra de uma gameleira em Caatinga Velha — ajudaram a fundar os alicerces de uma cidade próspera. Vieram também Antônio Catulé, Américo Soares, Jacinto Mendes, Santos Mendes e Mozart Mendes Martins, nomes que reverberam na memória e na construção do município.
Mas Janaúba não vive só do passado. Hoje, ela é protagonista de uma revolução produtiva e econômica graças ao dinamismo do agronegócio. A ABANORTE (Associação dos Bananicultores da Região da Serra Geral) tem sido peça-chave nesse avanço, posicionando a região como uma das mais importantes do Brasil na fruticultura irrigada. Ao lado dela, o Sindicato Rural de Produtores de Janaúba atua com força, articulando conhecimento técnico, defesa de interesses e valorização do trabalho no campo.
Todo esse vigor se traduz em eventos como a ExpoJanaúba, um dos maiores encontros agropecuários do Norte de Minas, que reúne tecnologia, negócios, cultura e tradição. A feira é vitrine do potencial local, e palco de encontro entre o campo e a cidade, sob os olhos atentos da gestão moderna e articulada do prefeito Zé Aparecido, que vem conduzindo Janaúba com foco no desenvolvimento, na geração de emprego e na valorização do povo.
E quando o trabalho dá uma trégua, Janaúba revela seus encantos naturais — como a popular Praia do Copo Sujo, às margens do Rio Gorutuba. Um cenário que mistura lazer, frescor e memória. É ali que as histórias se encontram nas margens do rio, onde as mulheres lavadeiras, com seus cantos e roupas coloridas, mantêm viva uma tradição ancestral. Suas mãos batem no tanque, mas também moldam a cultura de um povo resiliente.
Janaúba é isso: força e fé, terra e água, passado e futuro. Uma cidade que cresce sem perder sua essência, que produz sem esquecer suas raízes e que segue sendo um dos polos mais vibrantes do sertão mineiro.